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A polícia da República Checa libertou, esta terça-feira, o bispo ortodoxo russo Hilarion Alfeyev, que tinha sido detido, na cidade de Karlovy Vary, sob suspeita de posse de droga. A detenção tinha gerado, de acordo com a agência Reuters, uma resposta de Moscovo, que considerou o caso como uma “provocação orquestrada“.
“Não tenho qualquer ligação e nunca tive qualquer ligação ao tráfico de substâncias narcóticas”, afirmou Hilarion (cujo nome civil é Grigory Alfeyev), de 60 anos e que lidera a congregação da Igreja Ortodoxa Russa na cidade checa.
As autoridades checas indicaram que o bispo foi detido na noite de domingo numa autoestrada entre Karlovy Vary e Praga, após terem sido encontrados quatro frascos com uma “substância branca” suspeita no interior do seu carro, acrescentando que os interrogatórios estavam em curso e que ainda ninguém tinha sido acusado.
A defesa de Hilarion afirmou que a polícia não apresentou uma razão clara para terem obrigado o carro de Hilarion a parar. Segundo o advogado, Hilarion exigiu uma análise forense independente da substância, assim como testes de impressões digitais e ADN.
“A mera descoberta de uma substância ilegal não responde à questão fundamental: como é que estes frascos foram parar ao meu carro?”, questionou o bispo.
Do lado russo, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, classificou o incidente como uma “provocação orquestrada” destinada a desacreditar Hilarion e exigiu a sua libertação imediata. Acrescentou, também, que o chefe da missão diplomática checa em Moscovo seria chamado ao ministério russo, onde irá ser apresentado um protesto formal.
A Igreja Ortodoxa Russa considera, também, a detenção como uma “provocação flagrante“. “O que chama a atenção é a sua natureza primitiva e desajeitada. Parece uma clássica armadilha: é do conhecimento geral que a colocação de drogas é uma tática de autoridades sem escrúpulos em todo o mundo”, afirmou à TASS o vice-presidente do Departamento de Relações Eclesiásticas Externas do Patriarcado de Moscovo, Igor Vyzhanov.
Os meios de comunicação russos sublinham que a detenção ocorreu após meses de ameaças anónimas contra o bispo para que saísse do cargo em Karlovy Vary.
Hilarion foi, durante muito tempo, considerado o braço-direito do patriarca Kirill, líder da Igreja Ortodoxa Russa, e apoiante de Vladimir Putin. Em 2016, ajudou a facilitar um encontro histórico entre o Papa Francisco e o patriarca Kirill.
Segundo a Reuters, terá sido afastado do cargo por acusações de assédio sexual por parte de uma assessora, alegações que o bispo rejeitou. Ao contrário de outros altos responsáveis religiosos russos, Hilarion nunca comentou publicamente a guerra na Ucrânia.