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Jonathan Andic deixa "temporariamente" vice-presidência da Mango

O filho do fundador da marca espanhola afasta-se "temporariamente" dos dois cargos que ocupava na empresa para se dedicar à sua defesa. Foi detido há uma semana, suspeito da morte do pai, Isak Andic.

Sâmia Fiates
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Jonathan Andic, filho de Isak Andic, o fundador da Mango, anunciou esta terça-feira que está a deixar os cargos de vice-presidente e consultor da empresa para estar focado na sua defesa. Andic foi detido há uma semana, suspeito do homicídio do próprio pai, que morreu depois de cair de uma altura de cerca de 100 metros durante uma caminhada com o filho em Montserrat em dezembro de 2024. De acordo com a Mango, o afastamento é “temporário”, e os cargos devem permanecer vagos na ausência de Jonathan Andic.

Na carta aberta, citada pelo El País, Andic afirma que toma esta decisão “com sinceridade e humildade” e “movido por dor, impotência e frustração”, ao deparar-se com “uma narrativa de suposta culpa que não reflete a realidade“. O filho do fundador da Mango afirma que o pai morreu em “circunstâncias profundamente dolorosas” e diz que sente uma dor ainda maior por “ter que conviver com a acusação mais grave, injusta e infundada que pode ser feita contra uma pessoa”. “Quero expressar, do fundo do meu coração, que amei e continuo a amar profundamente a minha família e, de uma forma muito especial, o meu pai. Compartilhámos muitos momentos felizes, preciosos e cheios de amor juntos. Como acontece em tantas famílias, também passámos por momentos difíceis e complexos, que superámos com muito esforço, generosidade e apoio. O amor, o respeito e o vínculo que sempre sentimos fazem parte do ADN da nossa família, como aqueles que nos conhecem bem podem atestar”.

A Mango também divulgou um comunicado oficial na sequência da carta de Jonathan Andic, na qual confirma o afastamento “temporário” do filho de Isak, por decisão própria. “Num comunicado interno dirigido aos funcionários da MANGO, o Presidente e Diretor Executivo, Toni Ruiz, expressou a Jonathan Andic o seu máximo respeito, compreensão e apoio. Na sua mensagem, Ruiz reafirmou a força e a importância da história de sucesso da MANGO, declarando que ‘a empresa está no momento mais forte da sua história. Temos o apoio integral e a visão de longo prazo dos nossos acionistas, uma estratégia clara, única e diferenciada, e um modelo de governança corporativa alinhado aos mais altos padrões'”. De acordo com o comunicado “os membros do Conselho de Administração endossam unanimemente as declarações do Sr. Ruiz e se unem à Família Andic para expressar o seu apoio a Jonathan. Eles expressam ainda a sua total confiança de que o processo judicial será resolvido favoravelmente e esperam que isso aconteça o mais rapidamente possível.”

Jonathan Andic foi nomeado vice-presidente do Conselho de Administração da Mango em janeiro de 2025, um mês depois da morte do pai. Nesta mesma altura o grupo também nomeou Toni Ruiz — que era CEO desde 2020 e antes ocupava o cargo de CFO — como presidente da empresa. Em junho de 2025 Andic deixou a posição de Diretor Global da Mango Man, a qual ocupou por mais de uma década, para se dedicar exclusivamente à administração dos ativos da família dentro do grupo.

Isak Andic tinha 71 anos quando morreu depois de cair de uma altura de 100 metros durante uma caminhada na montanha em Montserrat, a 14 de dezembro de 2024, apenas na companhia do filho mais velho. O caso, inicialmente tratado como um acidente, teve uma reviravolta em outubro de 2025 depois de a polícia catalã ter detetado contradições nos depoimentos do herdeiro e recolhido novas provas que levantam dúvidas sobre a versão original dos acontecimentos.​

Jonathan Andic foi libertado sob fiança após pagar uma multa de um milhão de euros imposta pelo Tribunal de Martorell, na sequência da sua detenção na passada terça-feira, quando compareceu perante o juiz e respondeu apenas às perguntas do seu advogado. No entanto, o filho do empresário ficou sujeito a apresentações semanais em tribunal e o seu passaporte foi confiscado, pelo que está proibido de abandonar o país no decorrer da investigação.