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Sai PS entra PSD. 15 dos 18 diretores distritais da Segurança Social são militantes do PSD

Governo completa transição com ajuda de nova lei e afasta todos os dirigentes nomeados na era Costa. Dois terços dos diretores distritais estão em funções sem terem sido avaliados pela CReSAP.

Miguel Pereira Santos
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Quando o primeiro governo de Luís Montenegro tomou posse, entre os 18 diretores distritais da Segurança Social, 15 tinham ligações conhecidas ao PS, enquanto os restantes três não tinham filiação partidária conhecida. Dois anos depois das primeiras mexidas do ministério de Maria do Rosário Palma Ramalho, a cor política dos líderes dos centros distritais foi totalmente invertida: continuam a haver três sem proximidades conhecidas aos partidos, mas os restantes 15 dirigentes são agora do PSD. É a típica dança das cadeiras que se verifica sempre que o Executivo muda de cor política.

O Governo começou a promover as trocas logo nos seus primeiros meses em funções, à medida que os dirigentes nomeados pelos executivos de António Costa foram vendo as suas comissões de serviço cessar. Até maio deste ano, porém, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) apenas tinha conseguido substituir oito dos diretores distritais e, se esperasse pelo final das comissões de cinco anos, só no verão de 2028 teria conseguido ver-se livre de todos os diretores próximos do PS em funções.

No entanto, a aprovação em fevereiro de uma lei orgânica para a reestruturação do Instituto da Segurança Social (ISS) ditou a cessação automática das comissões de serviço de todos os dirigentes. Assim, o Executivo aproveitou para completar, entre julho e junho, as mudanças de líderes dos centros distritais da Segurança Social, sendo que atualmente já não há nenhum dirigente nomeado pelo PS em funções. Após a cessação automática de todos os contratos com dirigentes, o MTSSS decidiu pela “manutenção” dos dirigentes que já tinha nomeado, evitando assim que tivessem novamente de passar por um concurso público para a vaga.

Desta forma, a Segurança Social tem atualmente dois terços dos seus diretores de centros distritais (12) em regime de substituição. Isto significa ocupam as funções sem terem passado pelo crivo da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSAP). De qualquer maneira, sendo que estarão todos a concorrer a concursos públicos para os cargos que ocupam temporariamente, terão vantagem em relação aos restantes candidatos quando avaliados pelos júris independentes. Além disso, a CReSAP apenas apresenta ao Governo uma shortlist de três candidatos. A decisão caberá sempre à tutela.

Entre os novos diretores da Segurança Social nomeados pelo Governo, estão militantes do PSD que ocuparam todo o tipo de cargos em representação do partido: deputados, dirigentes de estruturas locais, autarcas ou candidatos eleitorias que, na maioria dos casos, substituem diretamente militantes e simpatizantes do PS nomeados durante os oito anos da era Costa.

Ainda assim, o Governo PSD/CDS também indicou nomes sem filiação partidária, por exemplo, em Lisboa, onde se mantém a tradição de escolher independentes com vários anos de casa, ou no Porto, onde foi nomeado um vereador independente que esteve ao lado de Rui Moreira mas também de Pizarro. Durante a vaga de dez mudanças realizadas, em cerca de um mês, no topo do centros distritais da Segurança Social, o MTSS chegou mesmo a afastar dirigentes que tinham sido nomeados em comissão de serviço numa altura em que Palma Ramalho já estava à frente da pasta.

Também no Conselho Diretivo se registaram mudanças desde que a AD ganhou as eleições legislativas em março de 2024. No entanto, o MTSSS não promoveu trocas nos membros da cúpula dirigente da Segurança Social depois da reestruturação do instituto, porque estas já tinham sido feitas nos dois primeiros anos de PSD/CDS no poder.

Tanto a presidente do Conselho Diretivo Ana Vasques como a vice-presidente Catarina Marcelino demitiram-se dos cargos ainda em 2024 por divergência política com o Governo de Montenegro. Sobre Pedro Corte Real, novo presidente do Conselho Diretivo nomeado em regime de substituição, não se conhecem ligações partidárias. Por outro lado, o novo vice da cúpula dirigente da Segurança Social é Telmo Antunes, antigo deputado do PSD.

Oito militantes do PSD nomeados entre junho e julho

Antigo presidente da Câmara do PSD escolhido para Leiria

Fernando Tinta Ferreira tem uma carreira dedicada ao poder autárquico nas Caldas da Rainha. Começou como deputado municipal, passou a adjunto do gabinete da presidência e, depois, assumiu os cargos de vereador e vice-presidente até de ser eleito presidente de câmara, em 2013. Sempre enquanto eleito do PSD. Foi reeleito em 2017, mas perderia as eleições para um antigo autarca do PSD nas eleições seguintes. Desde então, assumiu a presidência da Fundação para os Estudos e Formação nas Autarquias Locais, mas não desempenhou experiências diretamente ligadas ao trabalho no seu percurso profissional.

Ainda assim, Tinta Ferreira foi nomeado, em regime de substituição, pelo Governo para assumir a direção da Segurança Social no distrito de Leiria. Substitui no cargo João Paulo Pedrosa, cujo fim do mandato já estava planeado para julho deste ano mesmo antes da reestruturação do ISS. O antigo deputado do PS era técnico superior na Segurança Social desde 1994, antes de ser nomeado para a direção de Leiria, em 2021.

Governo substitui diretor que tinha nomeado em Vila Real

Eduardo Sousa foi nomeado pelo Executivo do PS em julho de 2022 para liderar o centro distrital de Vila Real, depois de a nomeação da antiga vice-presidente da Câmara de Vila Real, Eugénia Almeida, ter sido considerada ilegal. Seria já o Governo da AD a nomeá-lo para uma comissão de serviço de cinco anos, em agosto de 2024. O facto de Eduardo Sousa ser o único dirigente distrital escolhido inicialmente pelo PS a ser reconduzido pela AD parecia resultar da sua independência, sendo que não tem ligações conhecidas a nenhum dos dois partidos.

No entanto, a reestruturação da ISS deu margem ao ministério de Palma Ramalho para nomear um substituto para a liderança do centro distrital de Vila Real. A escolha recaiu sobre Luís Vaz Nicolau que ocupava até então o cargo de vereador sem pelouro eleito pelo PSD na Câmara de Vila Real. Vaz Nicolau não tem qualquer experiência profissional nas áreas da ação e segurança social, segundo o currículo que acompanha o despacho da sua nomeação. É mestre em Engenharia Civil e desempenhava o cargo de diretor de gestão de ativos e engenharia na Águas do Norte, desde 2017.

Coimbra recupera diretor nomeado pelo governo de Passos

Passados seis anos, Ramiro Miranda volta a presidir a direção da Segurança Social em Coimbra. O antigo deputado municipal do PSD em Condeixa esteve no cargo entre 2011 e 2020. Nesse ano, a sua comissão de serviço cessou e o PS nomeou Manuela Veloso, que não tem ligações conhecidas aos socialistas e desempenhava funções na Segurança Social do distrito desde 2002.

Agora, repete-se a troca de há seis anos mas em sentido contrário. Ramiro Miranda foi nomeado pelo Governo, em regime de substituição, na sequência da reestruturação do ISS, que permitiu antecipar o fim do mandato de Manuela Veloso, previsto originalmente para maio de 2027. Já o novo diretor distrital de Coimbra é funcionário da Segurança Social desde 1986 e liderava o núcleo de gestão do cliente do centro distrital desde 2021.

Deputada do PSD também regressa ao cargo em Faro

Maria Margarida Alves era a dirigente distrital em funções há mais tempo quando o Governo da AD aprovou a reestruturação do ISS. A antiga dirigente do PS/Tavria estava no cargo desde março 2016, mas a sua comissão de serviço apenas terminava em setembro de 2027. Antes de ser a primeira dirigente distrital nomeada por um Governo de António Costa, Maria Margarida Alves trabalhava na Segurança Social do Algarve desde 1999.

Para a substituir à frente deste centro distrital da Segurança Social, o Governo nomeou a sua antecessora. Ofélia Ramos foi escolhida pelo Executivo de Passos Coelho em dezembro de 2011 e manteve-se no cargo precisamente até março de 2016. Entretanto, Ofélia Ramos foi eleita para a Assembleia da República em três legislaturas pelo PSD, onde esteve entre 2019 e 2025. Chegou a ser vice-coordernadora da Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão. Antes de ser nomeada em junho, desempenhava funções como jurista na Câmara de Faro.

Deputada municipal do PSD escolhida para Castelo Branco

Nuno Maia trabalhava há 23 anos na Segurança Social quando foi escolhido para liderar o centro distrital de Castelo Branco, em 2020. Três anos antes, tinha sido eleito pelas listas do PS para a Assembleia Municipal de Castelo Branco. Depois de ter sido nomeado em regime de substituição, foi designado uma comissão de serviço de cinco anos no cargo, cujo fim seria originalmente em maio de 2027.

Para o substituir, o Governo nomeou em regime de substituição Clara Mateus Diogo. Foi deputada municipal do PSD no Fundão nas últimas autárquicas e era funcionária do mesmo município desde 2003. É licenciada em Sociologia e completou pós-graduações em política autárquica. Além de ter sido chefe de divisão de Educação, Ação Social e Desenvolvimento (2009-2013), não tem outra experiência profissional específica na área da Segurança Social.

Troca de vereadores em Aveiro

Apesar de estar entre os socialistas que há mais tempo lideravam um centro distrital da Segurança Social, Fernando Mendonça era também dos que tinham mais tempo por cumprir na sua comissão de serviço. A meses da queda do Governo de maioria absoluta em 2023, foi dos últimos a ver a sua comissão de serviço renovada que apenas terminaria no verão de 2028. Antes de assumir o cargo, Fernando Mendonça apenas tinha tido experiência na área enquanto vereador na Câmara de Estarreja eleito pelo PS (1994 a 2001) com o pelouro da Ação Social.

Para o seu lugar, o Governo da AD nomeou Licínio Pimenta, em regime de substituição. O social-democrata também foi vereador no distrito de Aveiro, tendo sido eleito pelo PSD para a Câmara de Albergaria-a-Velha, entre 2002 a 2013, onde também esteve responsável pelo pelouro da Ação Social. Além disso, foi subdelegado regional do IEFP no Centro e formador no Centro de Emprego e Formação Profissional de Águeda. Desde 2019, era chefe da divisão de cultura e desporto da Câmara de Ovar.

PSD escolhe militante para render veterano socialista na Guarda

Carlos Camejo Martins foi nomeado diretor do Centro Distrital do Instituto da Segurança Social em 2020, depois de um longo percurso político enquanto militante do PS. Foi adjunto do governador civil da Guarda (1995-1996), presidente do PS/Trancoso, presidente da comissão de jurisdição da Federação do PS da Guarda, deputado municipal de Trancoso e secretário executivo da Comunidade Intermunicipal Beiras e Serra da Estrela. Entre 1996 e 2001, dirigiu serviço sub-regional da Segurança Social na Guarda.

O Governo da AD decidiu não renovar a sua comissão de serviço que terminava em julho de 2026. Para o seu lugar, o Executivo nomeou o militante social-democrata Luís Figueiredo, em regime de substituição. O novo diretor da Guarda exerceu funções como técnico superior e coordenador na Segurança Social do distrito desde 2012. Também trabalhou como técnico superior de gestão no Município da Mêda. Para ser nomeado definitivamente para o cargo terá de vencer o concurso que a CReSAP abriu para o lugar.

Antiga dirigente de Setúbal afastada com dois anos por cumprir

Luísa Malhó foi nomeada em 2021, pelo segundo Governo de Costa, para liderar a Segurança Social em Setúbal. Depois de dois anos em substituição, seria nomeada definitivamente em 2023 após concurso público. Antes da Segurança Social, tinha sido nomeada pelo Executivo socialista para presidir o Alto Comissariado para as Migrações. Coordenou vários projetos locais de ação social antes de ser escolhida para o centro distrital de Setúbal.

A comissão de serviço de Luísa Malhó apenas terminaria em maio de 2028 caso o Governo não tivesse aprovado a reestruturação do ISS. No entanto, José Martins Lucas assumiu o cargo após ser nomeado no mês passado em regime de substituição. O militante de longa data do PSD/Barreiro tem também um percurso profissional extenso na área. Antes de assumir funções, foi nomeadamente vogal e vice-presidente da direção da Casa Pia de Lisboa assim como técnico superior do IEFP, tendo dirigido os centros de emprego de Barreiro e Montijo.

Os três independentes escolhidos pela AD

Governo “roubou” vereador eleito na lista de Pizarro à Câmara do Porto

Miguel Cardoso liderava o centro distrital do Porto desde 2016 e tinha originalmente uma comissão de serviço válida até março de 2028. Antes de ser nomeado em regime de substituição pelo primeiro governo de Costa, o militante socialista desempenhou várias funções na Segurança Social do Porto desde 1999. Nesse período, também foi candidato do PS às legislativas de 2011 e 2015 assim como candidato derrotado à liderança do PS/Valongo.

Após a reestruturação do ISS, o Governo da AD pode antecipar a nomeação de um substituto para o Porto, tendo a escolha recaído sobre um independente. Fernando Paulo foi eleito vereador pelas listas do PS nas últimas eleições para a Câmara do Porto depois de ter assumido pelouros, inclusivamente o da ação social,  nos dois últimos executivos municipais do também independente Rui Moreira. Manuel Pizarro elogiou o Governo por ter “acertado em pleno” na escolha de Fernando Paulo, mesmo que isso implique que lhem “roubem” um vereador.

Lisboa mantém-se independente

Na capital parece continuar a preservar-se a escolha de nomes sem ligações partidárias públicas para dirigir o centro distrital da Segurança Social. Os executivos de António Costa nomearam Gabriela Real, em 2020, para desempenhar o cargo por um período de cinco anos, depois de a terem nomeado inicialmente em regime de substituição, em 2019. Não são conhecidas ligações partidárias a Gabriela Real, que antes de ser nomeada desempenhou várias vários cargos enquanto dirigente no centro distrital de Lisboa.

Depois da sua comissão de serviço cessar no final de 2025, o Governo da AD nomeou Ricardo Antunes para assumir o cargo em regime de substituição. Também não são conhecidas ligações partidárias a este inspetor superior do ISS, que foi novamente nomeado em substituição após a reestruturação do ISS visto que o concurso público para o cargo ainda não foi concluído. Já Ana Sofia Branco, nova diretora-adjunta do centro distrital de Lisboa, igualmente nomeada em substituição, foi candidata do PSD na última candidatura autárquica à freguesia de São Domingos de Benfica.

Governo escolhe independente para substituir diretor com dois anos por cumprir em Braga 

João Ferreira foi nomeado, em regime de substituição, para o centro distrital de Braga em 2017. Seria nomeado para uma comissão de serviço em 2018 que seria renovada por período igual em 2023. Desta forma, estava inicialmente previsto que João Ferreira cessasse funções enquanto dirigente distrital da Segurança Social apenas em junho de 2028, mas a reestruturação do ISS veio acelarar a substituição.

Apesar de nunca ter sido candidato eleitoral, João Ferreira é apontado como tendo ligações ao PS e descrito como o braço-direito de Maria do Carmo Antunes, socialista que no passado dirigiu o centro distrital de Braga. Antes de ser nomeado diretor distrital, já trabalhava para a Segurança Social de Braga desde 1999.

Para o seu cargo, o Governo da AD nomeou Carla Vasconcelos, em regime de substituição, relativamente a quem não são conhecidas ligações partidárias. Antes de ser nomeada diretora da Segurança Social de Braga em junho, ocupava funções como inspetora principal do departamento de fiscalização do ISS após ter entrado para a carreira de técnica superior da Segurança Social em 1998.

Governo mantém sete dos oito nomes que tinha indicado desde que AD governa

Ex-eputada do PSD sem experiência em Santarém

O socialista Renato Bento foi dos primeiros diretores distritais da Segurança Social a quem o Governo da AD decidiu não renovar a comissão de serviço. O antigo deputado municipal de Santarém foi nomeado definitivamente em 2019, depois de dois anos no cargo em substituição. Antes de ser nomeado pelo ministério de José António Vieira da Silva, Renato Bento tinha desempenhado funções como técnico superior e dirigente em centros de emprego e de Segurança Social na região assim como inspetor na Inspeção-Geral do MTSS.

Paula Carloto foi nomeada pelo Governo para o lugar em substituição, em agosto de 2024. Depois de mais de um ano no cargo, a antiga deputada do PSD acabaria por ser nomeada difenitivamente após ficar entre os três nomes da shortlist da CReSAP. Antes de ser nomeada pela primeira vez para o cargo, Paula Carloto não tinha qualquer experiência profissional específica na área da segurança social, segundo o currículo que acompanha o despacho de nomeação. Além de deputada por Santarém, foi presidente da Assembleia Municipal e vereadora da Câmara do Entroncamento.

Governo teve liberdade de escolha em Beja após não ter havido candidatos suficientes

Sérgio Fernandes foi nomeado em 2017 pelo PS para o centro distrital de Beja e seria em agosto de 2024 um dos primeiros dirigentes que a ministra Palma Ramalho decidiu não reconduzir no cargo. Para o lugar deste antigo eleito socialista, que foi deputado municpial na Vidigueira e trabalhava na Segurança Social do distrito desde 2001, o Governo da AD escolheu um antigo autarca do PSD.

Ivan Marinheiro foi o candidato dos sociais-democratas à presidência da União de Freguesias de Salvador e Santa Maria da Feira, concelho de Beja, nas autárquicas de 2017. Não venceu as eleições, mas foi eleito para a Assembleia de Freguesia. À semelhança do seu antecessor, Ivã Marinheiro começou por ser nomeado diretor da Segurança Social de Beja em regime de substituição. Entretanto, a CReSAP abriu um concurso para o cargo, mas tendo-se verificado que “não existia um número suficiente de candidatos com mérito para constituir a proposta de designação a apresentar”, o Governo teve liberdade de escolha para a posição.

A nomeação para um período de cinco anos recaiu sobre Ivã Marinheiro, após a CReSAP ter-se pronunciado favoravelmente ao seu nome, numa avaliação não vinculativa. Apesar de não ter formação específica na área, tem uma carreira longa na Segurança Social. É licenciado em Engenharia Informática pelo Instituto Politécnico de Beja e, desde 2009, trabalha é técnico superior do ISS. Esteve à frente de várias divisões do centro da Segurança Social de Beja, antes de chegar a diretor distrital.

Presidente de Câmara abdica no último mandato para assumir liderança de Bragança

Orlando Vaqueiro desempenhava funções como diretor distital de Bragança quando teve um AVC que o forçou a deixar a Segurança Social, em março de 2024. O antigo presidente da União de Freguesias de Ifanes e Paradela, Miranda do Douro, eleito pelo PS, tinha originalmente uma comissão de serviço válida até setembro de 2025. Acabaria por morrer em dezembro de 2024.

Para o seu lugar, o primeiro Governo de Montenegro nomeou Jorge Fidalgo, em regime de substituição,. Passado um ano, no verão de 2025, foi novamente escolhido pelo Executivo para uma comissão de serviço de cinco após, após concurso público para a vaga. Antes de assumir o cargo na Segurança Social, era presidente da Câmara Municipal de Vimioso, tendo sido eleito pelo PSD em 2013, 2017 e 2021. A única experiência profissional que teve na área da Ação Social, foi enquanto presidente da CPCJ de Vimioso, entre 2003 e 2009.

Social-democrata em Évora após socialista se demitir

José Domingues Ramalho foi o único socialista que deixou a liderança de um centro distrital pelo próprio pé. O primeiro governo de Costa nomeou este antigo presidente do PS/Estremoz para dirigir a Segurança Social em Évora em 2018. Em março de 2024, antes que a sua comissão de serviço terminasse, cessou funções para poder assumir a presidência da administração do Hospital de São Paulo, em Serpa, gerido pela Santa Casa da Misericórdia. Durante a governação de José Sócrates, tinha sido dirigente do centro de emprego de Estremoz.

Em agosto de 2024, o MTSSS nomeou, em regime de substituição, o social-democrata Nuno Branco Alas para o lugar deixado Domingues Ramalho. Ao longo da sua carreira profissional, Branco Alas desempenhou funções como técnico superior em centros de emprego alentejanos, tendo, inclusivamento, sido diretor do centro de emprego do IEFP em Évora. O novo diretor distrital da Segurança Social foi também deputado municipal do PSD em Évora. Em setembro de 2025, foi ser nomeado definitivamente para o cargo.

Ex-diretora do PS seguiu diretamente para autarquia

Sandra Cardoso deixou o cargo de diretora da Segurança Social em Portalegre um dia depois de vencer as eleições como número dois do PS à Câmara do Crato, onde é atualmente vereadora com o pelouro da Ação Social. Estava no cargo entre 2019 e 2025, sendo que fez campanha eleitoral para as últimas autárquicas numa altura em que a sua comissão de serviço já tinha cessado. Antes, tinha sido diretora dos centros de emprego de Portalegre e Ponte de Sor.

Depois de decidir não renovar a comissão de serviço de Sandra Cardoso, o Governo para o cargo nomeou em outubro de 2025 uma candidata da AD às últimas europeias. Eunice Henriques, que era a primeira entre os candidatos supelentes, já tinha desempenhado funções no centro distrital de Portalegre enquanto diretora do núcleo de respostas sociais e acessora do diretor distrital. Depois da reestruturação do ISS, o Governo teve de nomear novamente Eunice Henriques em regime de substituição, porque o concurso público para o cargo ainda não está concluído.

Líder da concelhia do PSD escolhido para Viana do Castelo

Cristina Oliveira foi nomeada para liderar o centro distrital de Viana de Castelo em regime de substituição em 2017 e, um ano depois, venceu o concurso da CReSAP. Tinha 18 anos de experiência na Segurança Social quando foi o primeiro governo de Costa a nomeou. Se não lhe eram conhecidas ligações partidárias quando assumiu o cargo, a proximidade aos socialistas foi confirma depois de o deixar. Pouco mais de um ano depois de o primeiro Governo de Montenegro decidir não renovar a sua comissão de serviço, em agosto de 2024, foi eleita deputada municipal em Viana do Castelo pelas listas do PS.

Nessa altura, o ex-secretário de Estado Jorge Campino nomeou Orlando Antunes para desempenhar o cargo em substituição. Ao assumir a direção do centro distrital, Antunes abdicou da presidência da concelhia PSD/Viana do Castelo para “preservar a integridade e independência nas decisões” à frente da Segurança Social. Acabaria por ser nomeado definitivamente em agosto de 2025 após passar pelo crivo da CReSAP. Já tinha desempenhado funções como diretor de uma unidade da Segurança Social de Leiria.

PSD recupera antigo diretor distrital de Viseu

A militante socialista Márcia Martins foi nomeada em substituição em 2017 pelo PS para liderar o centro distrital de Viseu. Assumiu o cargo enquanto técnica superior da Segurança Social, onde tinha já um percurso profissional 22 anos. Depois de dois anos em substituição, foi nomeada definitivamente em 2019, após concurso público da CReSAP.

Depois de decidir não renovar a comissão de serviço de Márcia Martins, o Governo escolheu Joaquim Seixas para a substituir, em agosto de 2024, que seria nomeado definitivamente após concurso em dezembro de 2025. Trata-se de mais um regresso de um social-democrata nomeado durante a governação de Pedro Passos Coelho. Entre 2011 e 2013, Joaquim Seixas já tinha estado à frente da Segurança Social em Viseu. Entre 1992 e 1996, integrou a direção do ISS para a Viseu e para a região Centro. Além disso, foi deputado do PSD à Assembleia da República e vice-presidente da Câmara Municipal de Viseu, entre 2013 e 2019.

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