É uma competição feita por eles, com eles e para eles. Os EUA dominam em quase tudo no mundo: ciência, investigação, cinema, defesa, tecnologia… you name it. Esse domínio nunca foi voltado para o soccer, que tem, lentamente, saído do estatuto de desporto escolar ou universitário, com a chegada de Messi e companhia a Miami, depois de muitas outras estrelas do futebol mundial terem tentado acender uma chama no futebol norte-americano que nunca deu faísca.
A maioria norte-americanos prefere o basquetebol, o futebol americano, o basebol ou até mesmo o MMA. A cultura desportiva dos EUA nunca se alastrou para o futebol. Agora têm a oportunidade de ver em primeira mão a reedição do Campeonato do Mundo de 1994 e tentar que o domínio de outras áreas do seu país se junte ao estatuto de anfitrião (como o México e o Canadá), para tentar replicar o domínio de outras áreas dentro das quatro linhas, com contornos típicos do país fora delas, como o espetáculo que se fará sentir no intervalo da final, para que se sintam verdadeiramente em casa – muito ao estilo do Super Bowl.
O ensaio para receber esta competição, o Mundial de Clubes – que teve assistências abaixo do esperado, a ponto de algumas pessoas que tinham comprado bilhete para os pisos mais altos terem acabado a ver os jogos atrás da baliza em lugares muito mais privilegiados… –, teve variáveis que poderão dar algum alento aos organizadores do torneio e à perceção sobre como os norte-americanos vêem o desporto-rei: as seleções significam sempre mais adeptos, o Campeonato do Mundo é a competição mais vista globalmente e os EUA estarão representados pela seleção e não por apenas três clubes. Vai ser uma competição mais inclusiva, não só em relação a quem participa, mas também em relação a quem apoia.
Entre organizadores e adeptos, essa expetativa passa para a seleção norte-americana, que sonha com o Mundial de 1930 no Uruguai, em que chegou às meias-finais. Os EUA sempre foram os melhores em tudo: das tabelas aos trampolins, na água e no tartan. No relvado de um campo de futebol, a história foi sempre outra. Mesmo quando Landon Donovan, Clint Dempsey e Tim Howard partilhavam a mesma geração. Agora as caras são outras e podem ser menos carismáticas, mas não serão os oásis que Dempsey e Donovan já representaram na sua seleção.
Se, no Mundial de 2006, cerca de metade dos jogadores vinham de um futebol norte-americano muito atrás do europeu e a outra metade chegava do Velho Continente, duas décadas depois, o cenário é outro. A presença de jogadores vindos da MLS mantém-se, mas o futebol nos Estados Unidos, como os restantes Campeonatos, evoluiu. A distribuição de jogadores da MLS e de atletas com andamento europeu, é semelhante, mas a discrepância entre as Ligas, mesmo que ainda visível, diminuiu. A diferença entre os jogadores que vêm da Europa também já não é a de há duas décadas, com muitos atletas a jogarem nos mesmos patamares de exigência ou similares. Muitos deles são, inclusive, adversários nas competições de clubes.
Entre as escolhas de Maurício Pochettino, treinador argentino, destaca-se Christian Pulisic, avançado do AC Milan que falhou a caminhada dos EUA na última edição da Gold Cup, apenas travada pelo México, outro dos anfitriões do Mundial, que venceu os norte-americanos na final da prova, por 2-1. Talvez tenha sido Pulisic a pontinha de sorte que faltava aos EUA, mas só há uma forma de descobrir.

BI
- Ranking FIFA atual: 16.º (a 1 de abril de 2026)
- Melhor ranking FIFA: 4.º (abril de 2006)
- Patrocinador: Nike (desde 1995)
- Alcunha: The Stars & Stripes (As Estrelas e Listras) ou The Yanks
- Presenças em fases finais: 12
- Última participação: 2022 (oitavos-de-final, derrotados pelos Países Baixos por 3-1)
- Melhor resultado: 3.º lugar em 1930
- Qualificação: Qualificado automaticamente como co-anfitrião do torneio (juntamente com México e Canadá)
- O que seria um bom resultado? Chegar aos oitavos de final
Jogos desde junho de 2025
- Jogo particular, 31/5: Senegal (casa), 3-2 (V)
- Jogo particular, 1/4: Portugal (casa), 0-2 (D)
- Jogo particular, 28/3: Bélgica (casa), 2-5 (D)
- Jogo particular, 19/11: Uruguai (casa), 5-1 (V)
- Jogo particular, 15/11: Paraguai (casa), 2-1 (V)
- Jogo particular, 15/10: Austrália (casa), 2-1 (V)
- Jogo particular, 10/11: Equador (casa), 1-1 (E)
- Jogo particular, 10/9: Japão (casa), 2-0 (V)
- Jogo particular, 6/9: Coreia do Sul (casa), 0-2 (D)
- Gold Cup, 7/7: México (casa), 1-2 (D)
- Gold Cup, 3/7: Guatemala, 2-1 (V)
- Gold Cup, 30/6: Costa Rica, 2-2 [4-3 g.p.] (E)
- Gold Cup, 23/6: Haiti, 2-1 (V)
- Gold Cup, 20/6: Arábia Saudita, 0-1 (V)
- Gold Cup, 15/6: Trindade e Tobago, 5-0 (V)
- Jogo particular, 11/6: Suíça (casa), 0-4 (D)
- Jogo particular, 07/6: Turquia (casa), 1-2 (D)
O onze
- 4x3x3: Matt Turner; Sergino Dest, Chris Richards, Tim Ream, Antonee Robinson; Tyler Adams, Weston McKennie, Malik Tillman; Timothy Weah, Christian Pulisic e Folarin Balogun
O treinador
- Mauricio Pochettino (argentino, 54 anos, desde setembro de 2024)
- Outros clubes: Espanyol, Southampton, Tottenham, PSG e Chelsea
- Títulos (3): 1 Ligue 1 (PSG), 1 Taça de França (PSG) e 1 Supertaça de França (PSG)

O craque
- Christian Pulisic (27 anos, extremo do AC Milan)
- Outros clubes: Borussia Dortmund e Chelsea
A revelação
- Folarin Balogun (24 anos, avançado do Monaco)
- Outros clubes: Arsenal, Middlesbrough e Reims
O mais internacional e o maior goleador
- Cobi Jones (164 internacionalizações) e Landon Donovan/Clint Dempsey (57 golos)

Os 26 convocados
- Guarda-redes (3): Chris Brady (Chicago Fire, EUA), Matt Freese (New York City FC, EUA), Matt Turner (New England Revolution, EUA)
- Defesas (10): Max Arfsten (Columbus Crew, EUA), Sergiño Dest (PSV, Países Baixos), Alex Freeman (Villarreal, Espanha), Mark McKenzie (Toulouse, França), Tim Ream (Charlotte FC, EUA), Chris Richards (Crystal Palace, Inglaterra), Antonee Robinson (Fulham, Inglaterra), Miles Robinson (FC Cincinnati, EUA), Joe Scally (B. Mönchengladbach, Alemanha) e Auston Trusty (Celtic, Escócia)
- Médios (6): Tyler Adams (Bournemouth, Inglaterra), Sebastian Berhalter (Vancouver Whitecaps, EUA), Weston McKennie (Juventus, Itália), Gio Reyna (B. Mönchengladbach, Alemanha), Cristian Roldan (Seattle Sounders, EUA) e Malik Tillman (Bayer Leverkusen, Alemanha)
- Avançados (7): Brenden Aaronson (Leeds, Inglaterra), Folarin Balogun (Monaco, França), Ricardo Pepi (PSV, Países Baixos), Christian Pulisic (AC Milan, Itália), Tim Weah (Marselha, França), Haji Wright (Coventry, Inglaterra) e Alejandro Zendejas (Club América, México)
O local do estágio
- Marriott Irvine Spectrum, Irvine, na Califórnia (treinos: Orange County Great Park)
A antevisão
A ligação a Portugal
- Portugal e os EUA sempre tiveram formas de estar diametralmente diferentes em relação à forma como vivem o futebol. Um Atlântico de diferenças separa-os na forma como cada nação vive o desporto-rei. No entanto, em provas oficiais no século XXI, as diferenças não tiveram efeitos práticos em campo nas duas vezes em que se enfrentaram: uma vitória para os EUA no Mundial-2002 (3-2) e um empate no Mundial de 2014, no Brasil (2-2). A última vez em que as seleções se defrontaram foi num amigável, no ínicio de abril, em que Portugal venceu por 2-0, em Atlanta, Geórgia.