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(A) :: Mais rápido que o som e usado apenas 3 vezes. Como é o míssil Oreshnik, disparado no último ataque da Rússia contra a Ucrânia?

Mais rápido que o som e usado apenas 3 vezes. Como é o míssil Oreshnik, disparado no último ataque da Rússia contra a Ucrânia?

Ataque de larga escala — classificado como "poderoso" por Zelensky — matou pelo menos 4 pessoas na Ucrânia. Entre vários mísseis e drones, Moscovo recorreu ao Oreshnik, até então usado apenas 2 vezes.

Mariana Marques Tiago
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Acompanhe neste artigo em direto todos os desenvolvimentos na guerra entre a Rússia e a Ucrânia

A passada noite de domingo foi longa para a Ucrânia, com Kiev a ser bombardeada por centenas de drones e mísseis, que mataram pelo menos quatro pessoas e feriram pelo menos outras 100. Neste ataque maciço, Moscovo recorreu ao míssil balístico hipersónico Oreshnik (palavra russa que significa ‘árvore de avelã’ em português), usado apenas três vezes desde o início da guerra, em 2022. Que míssil é este, qual o seu alcance e em que outros momentos foi usado?

“Foi um ataque pesado — 90 mísseis de vários tipos. Houve 600 drones… Putin continua a destruir edifícios. Lançou três mísseis contra uma instalação de abastecimento de água. Incendiou um mercado. Danificou dezenas de edifícios residenciais. Atingiu várias escolas. Lançou o seu [míssil] ‘Oreshnik’ contra Bila Tserkva. Eles estão verdadeiramente loucos”, escreveu o líder ucraniano Volodymyr Zelensky na rede social X.

https://twitter.com/ZelenskyyUa/status/2058459556640866603

O anúncio foi feito a 24 de maio, mas no dia anterior o Presidente ucraniano já adiantava também na rede social X que os serviços de informação do país tinham recolhido dados (e recebido informação até de “parceiros americanos e europeus”) sobre o facto de “a Rússia estar a preparar um ataque com o míssil Oreshnik”. As informações estavam corretas e cerca de 24 horas depois Moscovo lançou contra a Ucrânia aquele que foi o terceiro ataque com recurso a este armamento.

A onda de solidariedade foi repentina. Do Canadá à Finlândia, passando por França e Itália e indo até aos representantes da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu: todos se apressaram a prestar condolências aos quatro mortos e centenas de feridos, a manifestar solidariedade e a condenar o ataque russo.

No total, revelou Zelensky mais tarde numa outra publicação na rede social X, “seis regiões ucranianas foram afetadas pelos bombardeamentos”. Na região de Kiev, a cidade de Bila Tserkva (com 200 mil habitantes) foi o alvo do míssil Oreshnik — a cerca de 65 quilómetros da capital.

Míssil tem capacidade para transportar armas nucleares

O Oreshnik é um míssil balístico hipersónico de médio alcance, segundo descrevem os peritos citados pela agência Reuters. E o seu alcance pode ir além dos 4 mil quilómetros.

A grande vantagem desta arma é que tem capacidade para transportar e lançar múltiplas ogivas, que podem atingir diferentes alvos ao mesmo tempo (como acontece com outros mísseis balísticos, como é o caso do RS-26 Rubezh, no qual o Oreshnik se inspira). Ou seja, um único míssil deste tipo pode transportar até seis ogivas, sendo que cada uma destas ogivas pode estar equipada com várias munições e ser apontada a diferentes alvos.

À medida que as ogivas são disparadas em direção ao solo, deixam para trás um rastro de luz, provocando um efeito que levou à origem do nome deste míssil: tem a aparência de uma “Árvore de Avelã”.

De acordo com os peritos ouvidos pela Reuters, este míssil tem ainda capacidade para transportar ogivas nucleares. E, segundo detalha a CNN, o Oreshnik consegue deslocar-se a uma velocidade mais elevada do que a maioria dos mísseis atuais: a cerca de 13 mil quilómetros por hora (ou seja, é cerca de 10 vezes mais rápido que a velocidade do som).

Mas parece haver ainda um outro pormenor: segundo o Presidente russo, Vladimir Putin, não é possível intercetar esta arma.

Nos dois ataques anteriores, Rússia usou ogivas fictícias

Antes de ser utilizado na noite de domingo, este míssil já tinha sido usado este ano pela Rússia, nomeadamente a 8 de janeiro de 2026. O alvo foi a cidade de Lviv, com mais de 700 mil habitantes, cuja região foi pela primeira vez atingida por um míssil balístico. À época, a Comissão Europeia considerou que o uso deste míssil representava uma “escalada perigosa” do conflito.

No entanto, o resultado final não foi tão mortal quanto o ataque deste fim de semana, já que o míssil Oreshnik transportava apenas ogivas fictícias e não explosivos, detalhou uma fonte ucraniana à agência Reuters. O ataque acabou por atingir uma empresa do estado na cidade de Lviv e provocar apenas “pequenas penetrações em estruturas”.

Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, o motivo pelo qual Moscovo optou por usar ogivas fictícias é simples: o objetivo russo não era destruir e matar, mas sim enviar um alerta à NATO de que têm na sua posse armamento militar poderoso e eficaz.

https://observador.pt/2026/01/09/oreshnik-verdadeira-ameaca-ou-propaganda-russa-qual-o-perigo-deste-missil-hipersonico-gabado-por-putin-e-com-capacidade-nuclear/

Mas antes de tudo isto, o primeiro uso de um míssil Oreshnik por parte do país liderado por Putin remonta a novembro de 2024 e teve como alvo a cidade de Dnipro, com mais de 950 mil habitantes.

Segundo relatos da agência AFP, à época, também este ataque foi realizado com ogivas fictícias, tendo apenas provocado danos pouco significativos: arrancou o telhado de um edifício e queimou algumas árvores. Na altura, Vladimir Putin considerou este ataque uma experiência. Disse que tinha sido realizado com sucesso num “teste” de uma versão hipersónica não nuclear de um míssil balístico, referindo-se ao míssil Oreshnik.

O Presidente russo acrescentou ainda que “o alvo foi atingido”. “Em resposta à utilização de armamento de longo alcance americano e britânico, a 21 de novembro deste ano as forças armadas russas realizaram um ataque combinado a um dos complexos militar-industriais da Ucrânia”, anunciou à época, citado pela BBC.

Apesar de os dois primeiros ataques terem sido perpetrados com recurso a ogivas fictícias, até ao momento não há dados sobre se o mesmo terá acontecido neste terceiro ataque. E também não foi ainda confirmado se os mortos registados foram vítimas deste míssil.