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Rússia suspeita de bloquear sinal de GPS do voo que transportava o ministro da Defesa britânico

Sistema de navegação do avião ficou inoperacional quando sobrevoava fronteira da Rússia. Apesar da aterragem em segurança, incidente revela comportamento "perigoso" russo, avisa ministro britânico.

Mariana Carvalho
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A aeronave da Royal Air Force que transportava o ministro da Defesa britânico sofreu um ataque eletrónico na passada quinta-feira, quando sobrevoava o território adjacente à fronteira russa. Segundo o jornal The Times, as autoridades suspeitam que o sinal de GPS foi bloqueado pelos serviços secretos de Putin. O sistema de navegação permaneceu inativo durante as três horas do voo de John Healey, que regressava ao país de origem após uma visita à Estónia.

O problema foi identificado quando os telemóveis e computadores portáteis dos passageiros deixaram de ter conexão à internet, o que obrigou os tripulantes a utilizar um sistema de navegação alternativo destinado a calcular a localização da aeronave. A interferência também provocou avarias no cockpit do Dassault Falcon 900LX, que já transportou o Rei Carlos em visitas oficiais.

John Healey regressava ao Reino Unido após a visita a um regimento de soldados britânicos destacados no sudeste da Estónia, e estava acompanhado por conselheiros militares, um tenente-general, dois fotógrafos e um repórter do The Times. De acordo com os passageiros, a viagem foi concluída com segurança e a interferência no sistema apenas se fez sentir durante a fase inicial do trajeto, quando se aproximaram da fronteira com a Rússia. Contudo, os seus efeitos manifestaram-se durante o resto do voo, uma vez que o sinal de satélite não podia ser recuperado sem reiniciar o sistema operativo do avião, um procedimento impossível a partir do ar.

Citada pelo The Times, uma fonte do Ministério da Defesa descreveu o incidente como uma manobra “imprudente” dos serviços de informações russos, ainda que os tripulantes da força aérea britânica estejam preparados para lidar com situações desta natureza, como se verificou. Apesar disso, um dos pilotos afirmou ser uma ocorrência rara, pela qual não passava “há bastante tempo”.

Para já, não foi possível apurar se o ataque foi deliberadamente endereçado a John Healey. O The Times reportou o incidente poucos dias após a divulgação de movimentações hostis da aviação russa a caças da Royal Air Force (RAF). O Ministério da Defesa britânico avançou na quarta-feira que dois jatos provenientes da Rússia intercetaram “repetidamente e de forma perigosa” um avião da RAF que sobrevoava o Mar Negro.

John Healey afirmou que “este incidente é outro exemplo do comportamento perigoso e inaceitável dos pilotos russos em relação a aeronaves não armadas que operam no espaço aéreo internacional”. “Estas ações criam um risco sério de acidentes e potencial escalada“, continuou, reforçando o seu compromisso para com a defesa da NATO. O dirigente destacou a importância de preparar a Aliança Atlântica para um potencial conflito armado com o país de Vladimir Putin nos próximos quatro anos.

Recorde-se que, em 2024, o avião que transportava o anterior ministro, Grant Shapps, foi vítima de um ataque idêntico na vizinhança da cidade de Kaliningrado, perto do Mar Báltico.