Já depois do Secretário de Estado Marco Rubio, que começou o dia mais cedo que Donald Trump, ter dito que os Estados Unidos da América (EUA) estavam perto de um acordo “bastante sólido” com o Irão, o Presidente norte-americano recorreu, como é habitual, à Truth Social para comentar os recentes desenvolvimentos no Médio Oriente.
Primeiro, o republicano fê-lo apontando o dedo, também como é habitual, aos rivais políticos internos. “O acordo com o Irão ou será ótimo e significativo ou não haverá acordo. Será totalmente o oposto do JCPOA [Plano de Ação Conjunto Global], uma negociação desastrosa da falhada administração Obama, que se tornou numa via aberta para a evolução do armamento nuclear iraniano. Não, eu não faço desses negócios”, escreveu na rede social detida pelo próprio.
O JCPOA é um acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano assinado a 14 de julho de 2015 entre a República Islâmica do Irão, o P5+1 (China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e, mais tarde, Alemanha), e a União Europeia (UE).
Na publicação, além de Obama, o Presidente dos EUA atacou outros democratas que têm criticado as intenções da Casa Branca. Trump escreveu que tem achado graça aos comentários dos adversários e aconselhou-os a “irem para casa descansar”. “Não sabem nada do possível acordo que estou a negociar com o Irão”.
“[Os democratas] têm perdido a orientação e apoiam constantemente más políticas e péssimos candidatos, mas criticam todas as minhas vitórias. (…) Não fazem nada além de criar divisão. Noutras palavras, são uns perdedores”.
Pouco tempo depois, novamente na Truth Social, Donald Trump voltou a referir que “as negociações com o Irão estão a progredir bem”. Tal como tinha feito na publicação anterior, o Presidente dos EUA escreveu que o acordo só será finalizado se for “um ótimo negócio para todos”.
Trump explicou que nas várias discussões com os líderes da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Qatar, do Paquistão, da Turquia, do Egito, da Jordânia e do Bahrein defendeu que todos estes países devem assinar os Acordos de Abraão.
“Pode ser possível que um ou dois tenham uma razão para não fazê-lo, e aceito isso, mas a maioria deve estar pronta, disposta e capaz de tornar este compromisso com o Irão num evento muito mais histórico do que seria de outra forma”, escreveu.
“Os Acordos de Abraão provaram ser, para os países envolvidos (Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos, Sudão e Cazaquistão), um ‘BOOM’ financeiro, económico e social, mesmo durante este tempo de guerra. Os Acordos de Abraão foram ótimos para eles e serão ainda melhores para todos. (…) Será um documento respeitado como nenhum outro que já foi assinado, em qualquer lugar do mundo. O seu nível de importância e prestígio será incomparável!”, acrescentou.
Para o Presidente dos EUA, a Arábia Saudita e o Qatar devem tomar a iniciativa de assinar o acordo, e os restantes países devem seguir o exemplo destes dois vizinhos. “Se não o fizerem, não devem fazer parte deste acordo, pois mostra má intenção”.
“Solicito que todos os países assinem obrigatoriamente e imediatamente os Acordos de Abraão. Seria uma honra que [o Irão] também fizesse parte desta coligação mundial incomparável. O Médio Oriente seria unido, poderoso e economicamente forte”, rematou.