Sob investigação pela polícia britânica devido às suas ligações a Jeffrey Epstein, André Mountbatten-Windsor enfrenta novas alegações, desta feita uma acusação de que se terá comportado de forma inadequada para com uma mulher no Royal Ascot.
A notícia foi adiantada pela edição do jornal britânico The Times, que explicita que o incidente terá ocorrido na edição de 2002 da famosa corrida de cavalos, um dos mais importantes eventos do calendário de verão da família real britânica. Tratando-se do ano do seu Jubileu de Ouro, a rainha Isabel II — mãe de André — também marcou presença em Berkshire.
De acordo com o The Times, não é sabido para já se esta denúncia sobre o alegado incidente no Royal Ascot de 2002 foi comunicada à polícia na altura dos factos ou mais recentemente. “Não podemos entrar em pormenores sobre a investigação em curso, mas estamos a seguir todas as pistas razoáveis”, respondeu uma porta-voz ao jornal.
Estes desenvolvimentos surgem na sequência de um comunicado emitido pela polícia do Vale do Tamisa esta sexta-feira, apelando a “qualquer pessoa” com informações relevantes sobre a alegada “má conduta” sexual, corrupção, fraude ou partilha de dados confidenciais de André Mountbatten-Windsor para entrar em contacto com as autoridades.
https://observador.pt/2026/05/22/policia-britanica-pode-alargar-investigacao-a-conduta-sexual-indevida-de-andre-e-apela-a-quem-tenha-informacoes/
Segundo as diretrizes do Ministério Público britânico, as infrações enumeradas no comunicado da polícia do Vale do Tamisa podem “ser enquadradas na categoria mais ampla de conduta imprópria no exercício de funções públicas”, podendo configurar um crime de abuso de poder. Por essa mesma razão, o Times adianta que os investigadores estão a fazer pente-fino a uma lista de testemunhas-chave — que inclui ex-ministros e funcionários da Casa Real — para reunir provas sobre o mandato de dez anos de André como enviado comercial do Governo.
Segundo o que a polícia do Vale do Tamisa adiantou esta sexta-feira, parte da sua atenção também recai em suspeitas relacionadas com a sua proximidade a Jeffrey Epstein — inclusive a alegação de que uma mulher terá sido levada, em 2010, para uma moradia em Windsor, propriedade da Família Real, “para fins sexuais”. Esta, todavia, não se trata ainda de uma investigação criminal completa, adianta o The Guardian.
André Mountbatten-Windsor foi detido em fevereiro no dia em que fez 66 anos por suspeita de “má conduta no exercício de cargos públicos”, na sequência da divulgação, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de documentos ligados ao caso Epstein, que vieram tornar mais clara a relação entre o milionário norte-americano que morreu numa cela de prisão acusado de crimes sexuais e o ex-príncipe.
O membro da família real britânica foi interrogado e libertado sob investigação no próprio dia. Na sequência da detenção, foram realizadas buscas na sua casa em Sandringham, em Norfolk, e na sua antiga residência em Royal Lodge, em Berkshire. Desde então, a polícia britânica afirma estar a colaborar com os Estados Unidos para recolher informações que possam estar relacionadas com o caso, bem como com o Crown Prosecution Service (CPS) do Reino Unido, de quem procurou obter aconselhamento preliminar devido à natureza “grave, complexa e sensível” da investigação.