Com uma carreira na moda marcada por passagens pela Ralph Lauren nos anos 1980 ou pela Calvin Klein nos anos 1990 — onde criou as icónicas boxers mais justas da marca — John Varvatos assina uma nova colaboração com uma tradicional empresa têxtil de Vila Nova de Famalicão. O designer e a Riopele lançam em julho, na Milano Unica, uma coleção de tecidos de menswear inspirada na herança têxtil, na artesania e na estética vintage.
“Conheço a Riopele há quase 30 anos. Trabalhei muito com eles ao longo deste período, seja no desenvolvimento ou ao comprar tecidos muito bonitos que usei nas minhas coleções. E o que sempre achei é que é uma empresa extraordinariamente inovadora. Os designs, os tecidos, as fibras. Procuram técnicas do passado e trazem para o futuro”, assinala num vídeo partilhado nas redes sociais o criador, que deixou a Under Armour em novembro, ao fim de dois anos a chefiar o departamento de design da marca.
Em desenvolvimento desde o final de 2025, Varvatos já esteve três vezes na sede da empresa minhota desde então — além de acompanhar o trabalho de forma frequente através do escritório da Riopele em Nova Iorque, onde o designer vive. “Vir para Portugal para trabalhar com a Riopele é muito divertido e conheço a maioria das pessoas há muitos anos. Sei do que são capazes de fazer. Ao invés de dizer “não” aos pedidos, estão sempre empolgados em trabalhar em novas ideias.”
Apesar de Varvatos não desenhar peças de vestuário, a coleção apresenta um conceito integrado de guarda-roupa, transversal a diferentes peças e categorias de produto, em que os tecidos são pensados de forma articulada para garantir coerência estética, versatilidade e complementaridade. “A ideia por detrás desta coleção nasce da convicção de que é preciso respeitar o passado para conseguir avançar”, diz Varvatos, num comunicado de imprensa divulgado pela marca.


A parceria representa um reforço no posicionamento internacional da empresa portuguesa fundada em 1927, e que exporta mais de 98% da sua produção para mais de 50 países. Segundo Massimo Cedraschi, Diretor-Geral de Operações para a América do Norte, a colaboração “traz-nos o melhor dos dois mundos, ao combinar a perspetiva de criador e comprador. Compreende como desenvolver produto com verdadeira integridade criativa e, ao mesmo tempo, sabe exatamente o que resulta no mercado.”
Em 2025 o lucro da Riopele recuou 10%, para 4,5 milhões de euros, num ano em que os cinco principais mercados de exportação foram Espanha, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos e Alemanha. Segundo destaca um comunicado divulgado pela empresa em fevereiro, os mercados canadiano e norte-americano “assumem um papel particularmente estratégico para o grupo, impulsionados pelo elevado poder de compra, pela valorização de produtos premium, de qualidade e sustentáveis, bem como pelo reconhecimento do selo ‘Made in Portugal’, associado a design, inovação e ao cumprimento de rigorosas normas sociais e ambientais”.