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Mais sondagens porta a porta e menos contactos telefónicos. Taxas de aprovação de Putin sobem com mudança de metodologia

O novo método, que inclui sondagens porta a porta, tende a produzir resultados mais favoráveis ao poder político, pois os inquiridos dão respostas "mais cautelosas", diz o think tank Nest.

Ricardo Reis
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A taxa de aprovação de Vladimir Putin subiu pela primeira vez após dois meses de queda. 69,4% dos russos aprova o desempenho do Presidente da Rússia, de acordo com uma sondagem publicada na sexta-feira pela empresa estatal Centro de Pesquisa da Opinião Pública Russa (VTsIOM, sigla russa).

Após semanas de queda nas taxas de aprovação, que chegaram aos 65,6% em abril — a mais baixa desde o início da guerra na Ucrânia —, os cortes nos serviços VPN provocaram mudanças na metodologia das sondagens feitas pelo VTsIOM: metade dos contactos mantém-se através de entrevistas telefónicas, mas 50% passam a ser feitos porta a porta. Segundo o Novo Centro de Estratégia Euroasiática (NEST, sigla inglesa), esta nova metodologia contribuiu para travar a descida de popularidade que Putin vinha a sofrer desde fevereiro.

“Este formato tradicionalmente produz um maior nível de apoio a Putin, pois os participantes são maioritariamente pessoas que ficam em casa durante o horário laboral, que tendem a apoiar mais o governo”, esclarece o NEST, que acrescenta o facto de os inquiridos serem mais propensos a “dar respostas mais cautelosas em interações cara a cara”.

“Recentemente, as condições para a realização de sondagens sofreram alterações significativas: as restrições nas comunicações, o aparecimento de filtros anti-spam e o aumento das fraudes telefónicas levaram a uma maior desconfiança dos russos em comunicar com desconhecidos”, lê-se na sondagem do VTsIOM publicada a 15 de maio, que afirma que os contactos porta a porta garantem a fiabilidade dos dados e a representação de russos mais velhos que, segundo esta empresa, deixaram de confiar no contacto telefónico.

Data 23/2-1/3 2/3-8/3 9/3-15/3 19/3-22/3 23/3-29/3 30/3-5/4 6/4-12/4 13/4-19/4 4/5-10/5 11/5-17/5
Taxa de aprovação 73,3 72,9 72,0 70,1 70,1 67,8 66,7 65,6 66,8 69,4
Taxa de rejeição 16,6 16,4 17,1 18,3 19,0 20,7 21,9 23,3 22,9 19,9
Taxa de confiança 77,5 77,3 76,7 75,0 74,6 73,8 72,0 71,0 72,1 73,8
Taxa de desconfiança 17,8 18,2 18,4 20,1 20,7 21,0 22,8 24,1 23,6 21,2
Fonte: Centro de Pesquisa da Opinião Pública Russa (VTsIOM, sigla russa)

A partir dessa data, foram publicadas duas sondagens que registaram aumentos constantes nas taxas de aprovação e confiança e uma diminuição das taxas de rejeição e de desconfiança: por exemplo, se em abril, Putin era rejeitado por 23,3% dos inquiridos, esse número diminuiu para 19,9%, enquanto a aprovação passou dos 65,6% para os 69,4%.

Já a Fundação de Opinião Pública (FOM, sigla russa), ligada ao Kremlin, não anunciou mudanças na metodologia, mas as taxas de aprovação de Putin mantêm-se em queda. De acordo com uma sondagem publicada a 22 de maio, 71% avaliava o desempenho do Presidente russo como “tendencialmente bom”, uma diminuição de 3pp., enquanto 14% considerava como “tendencialmente mau”, uma subida em relação aos 11% do inquérito anterior.

Nos últimos meses, sobretudo com os ataques ucranianos a território russo e as restrições ao acesso a VPN e a redes sociais, as críticas a Vladimir Putin têm aumentado de tom, destacando-se a publicação da influencer russa Victoria Bonya, feita a 14 de abril, em que afirma que o povo russo “tem medo” do Presidente russo.

Outros fatores, como o aumento do custo de vida, também têm contribuído para o aumento do descontentamento, ainda que tímido. Segundo um inquérito da organização independente russa Levada Centre, publicado a 14 de maio, 20% dos participantes afirmaram que seria “bem possível” participar num protesto a exigir melhores condições económicas e 14% numa manifestação com reivindicações políticas, os resultados mais altos desde julho de 2024.

“O potencial de protesto com exigências económicas e políticas permanece num nível baixo, contudo tem vindo a crescer lentamente ao longo de um ano e meio”, afirma o Levada Centre, que realça que o nível de descontentamento é mais alto entre homens, habitantes de aldeias e pequenas cidades, pessoas com menores rendimentos e menor instrução.