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Quatro pessoas foram detidas este sábado, no aeroporto de Bilbau, durante a chegada dos ativistas espanhóis que integraram a flotilha intercetada esta semana por Israel.
Segundo o El País, a Ertzaintza, a polícia autónoma do País Basco, deteve quatro pessoas por desobediência grave, resistência e agressão a um agente. Dos quatro detidos, três eram participantes da flotilha. Três pessoas foram libertadas ainda durante a tarde de sábado. O ministério dos Negócios Estrangeiros israelita já comentou o episódio para denunciar a “hipocrisia do governo espanhol”. Este domingo há protestos contra a agressão.
O incidente ocorreu quando seis membros da delegação basca da flotilha chegavam a Bilbau, vindo da Turquia. O El País conta que uma das pessoas que aguardava a chegada do grupo no terminal terá tentado aproximar-se, furando o cordão policial, sendo impedida por um agente da Ertzaintza.
A TVE descreve que um dos ativistas terá reagido, agarrando um dos agentes pelas costas. Terá sido nesse momento que começou um tumulto no terminal. Vários vídeos partilhados nas redes sociais mostram os ativistas no chão, rodeados de agentes. Noutras imagens, é possível ver agentes a recorrer a bastões para atingir os recém-chegados. Em alguns vídeos é possível ver um dos ativistas a deitar-se por cima de um colega para tentar protegê-lo da intervenção policial.
https://twitter.com/telediario_tve/status/2058174071360123112
Luka Ramiro, um dos ativistas que tinha chegado a Bilbau, critica como “após terem sido torturados de todas as formas possíveis” por Israel “a primeira coisa que é feita quando chega a Espanha é dar-nos mais porrada”.
https://twitter.com/thiagoavilabr/status/2058316899419586928
Em comunicado, a Global Sumud Flotilla, a organização responsável pelas tentativas de chegar a Gaza de barco, “condena a agressão violenta” da polícia basca aos recém-chegados. “Estes ativistas, que acabavam de sobreviver a dias de raptos sistemáticos, tortura e grave violência psicológica e física às mãos das Forças de Ocupação de Israel não encontraram refúgio, mas sim uma brutalidade policial imediata e direcionada assim que pisaram solo nacional.”
A organização conta que a pessoa que rompeu o cordão policial, iniciando o tumulto, “era um familiar que aguardava ansiosamente” no terminal. A Global Sumud Flotilla contesta a forma como a Ertzaintza “reagiu de forma repentina e chocante com violência”. É exigida uma “investigação imediata, internacional e independente” sobre o incidente, com a Global Sumud Flotilla a dizer que “não é um caso isolado de má gestão policial”.
https://twitter.com/gbsumudflotilla/status/2058255922175291401
Israel chama encarregada de negócios espanhola para “clarificação” e criticar “hipocrisia”
O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) israelita chamou este domingo a encarregada de negócios de Espanha no país, “para um encontro de clarificação” após “os severos atos de violência das autoridades espanholas contra os provocadores da flotilha”.
Numa publicação no X, é dito que, seguindo instruções do ministro Gideon Saar, o diretor político do Ministério, Yossi Amrani, chamou este domingo a encarregada de negócios espanhola em Israel, Francisca Pedrós. “O diretor político denunciou a hipocrisia do governo espanhol, que envia os seus provocadores para Israel, depois condena Israel pelas suas legítimas ações para fazer cumprir um bloqueio naval legal — ao mesmo tempo que as autoridades espanholas usaram violência extrema contra esses mesmos participantes da flotilha”, é dito.
“O diretor político exigiu uma explicação para o porquê de, quase 24 horas após atos sérios de violência cometidos pelas autoridades espanholas, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez ou qualquer um dos seus ministros ainda não ter condenado a violência das autoridades espanholas, ao passo que não hesitam em condenar Israel ao menor pretexto”, continua a publicação.
https://twitter.com/IsraelMFA/status/2058533817715998768
Já no sábado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros partilhou um vídeo do momento em Bilbau, “exigindo uma explicação por parte do governo espanhol em relação ao tratamento dos anarquistas da flotilha”.
https://twitter.com/IsraelMFA/status/2058209600940212412
Conselheiro de segurança do governo basco lamenta incidente e fala em “provocações”
Bingen Zupiria, conselheiro de segurança do governo basco, assume “na primeira pessoa” a responsabilidade pela situação no aeroporto de Bilbau. Em declarações citadas pelo El Mundo, Zupiria lamenta a situação e promete investigar o sucedido.
Mas também lamenta as “provocações” dirigidas aos agentes da polícia, referindo que o “comportamento de algumas pessoas que causaram a situação”.
As declarações são deste domingo, com Zupiria a explicar que a tarefa da Ertzaintza no aeroporto era garantir que os ativistas da Flotilha recebiam as boas-vindas dos seus apoiantes e que quem tivesse acabado de aterrar no aeroporto poderia sair em segurança. “Vistas as imagens, não conseguimos nem uma coisa nem outra”, lamentou. O político promete dar mais explicações sobre o que aconteceu esta terça-feira, no parlamento do País Basco.
Em comunicado, citado pelo El País, o departamento de Segurança referiu que “o comportamento de algumas pessoas concentradas [no terminal] foi um obstáculo para a normal circulação de pessoas que abandonavam a zona de saídas do aeroporto”.
A intervenção policial está a ser alvo de críticas. A coligação de esquerda EH Bildu denuncia a “dura ação” da Ertzaintza no aeroporto. “A violência exercida contra uma ação que simboliza a solidariedade e a defesa dos direitos humanos não tem qualquer justificação”, é dito numa mensagem no X. “Não é aceitável agredir e deter no País Basco pessoas que foram sequestradas por Israel.”
https://twitter.com/ehbildu/status/2058173080313237806
A secretária-geral do Podemos, Ione Belarra, partilhou um dos vídeos do momento no aeroporto, questionando a situação. “Receber à paulada quem arriscou a vida na flotilha. Isto é intolerável”, diz no X.
https://twitter.com/ionebelarra/status/2058183510758678907
Já o partido Más Madrid exige que se esclareça a motivação da intervenção policial, assim como se existiram ordens específicas para agir contra os ativistas e se o Ministério do Interior solicitou ao Governo basco informações sobre o que aconteceu, escreve a imprensa espanhola.
A situação no aeroporto motivou uma mobilização este domingo nas ruas para “denunciar a força repressiva” usada pela polícia basca.
https://twitter.com/rtvenoticias/status/2058516359881929046