Quando começou a temporada de 2024/25, ainda na sequência da conquista do Campeonato (com a final da Taça de Portugal perdida frente ao FC Porto), Ruben Amorim, então treinador do Sporting, foi lançando um “desafio” a alguns dos principais jogadores para ficarem mais um ano e fazerem uma espécie de Last Dance com a base que tinha sido criada. Todos anuíram. A começar por Viktor Gyökeres, que não tendo recebido “aquela” proposta ia sendo sondado por alguns clubes, a acabar com Pedro Gonçalves, que tinha o interesse de pelo menos um conjunto da Premier League. Afinal, antes de chegar a essa Last Dance, houve um pouco de tudo: a saída de Amorim para o United quando os leões levavam 11 vitórias consecutivas no início da Liga, a lesão de Pedro Gonçalves, uma primeira troca técnica com João Pereira antes da chegada de Rui Borges seis semanas depois, muitos problemas físicos pelo meio. Estava criado um capítulo extra na história.
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Quando a formação verde e branca, que uma semana antes alcançara o bicampeonato vencendo em Alvalade o V. Guimarães na última jornada, bateu o Benfica na final da Taça de Portugal e chegou à dobradinha, não havia propriamente muitos jogadores que soubessem estar a fazer a despedida além de Gyökeres. Aliás, entre todos os que estiveram na ficha de jogo, St. Juste e os então suplentes Conrad Harder e Franco Israel foram os únicos que saíram do Sporting. Agora, um ano depois, essa nova versão de Last Dance tinha uma carga simbólica e de nostalgia bem mais acentuada, com duas saídas já confirmadas, outras que deverão também acontecer e mais algumas figuras que poderiam também fazer o último jogo em função das propostas que possam surgir (ou ser confirmadas) no mercado. Cada vez mais, 2026/27 vai abrir um novo ciclo.
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No entanto, esse final acabou por ser penoso, na página menos conseguida de Rui Borges enquanto técnico do Sporting. “A época acaba por não ser positiva no sentido em que a maior forma de valorizar tudo o que o grupo fez seria culminar com conquistas. Não conseguimos. Estivemos em finais, não conseguimos ser campeões e não conseguimos estar felizes com o que foi a época. É perceber onde temos de melhorar para no futuro sermos um Sporting ainda mais forte. Desconfiança para a próxima época? Não olho para isso. A desconfiança existe desde o início. É natural. Para mim, enquanto treinador, é olhar para a próxima época e ver como posso crescer para tornar o Sporting ainda mais forte”, comentou Rui Borges após a derrota na final da Taça frente ao Torreense, naquela que foi a primeira vitória de uma equipa do segundo escalão.
Se gostava de ficar com a maioria dos jogadores? Isso vai ditar o mercado. Com tempo, vamos perceber o que temos para a próxima época”, referiu de forma lacónica o técnico leonino.
Hidemasa Morita, que tem algumas possibilidades em Inglaterra mas mantém-se nas atenções de outras ligas, e Geovany Quenda, que vai rumar ao Chelsea após um último ano de empréstimo em Alvalade, são as duas saídas já confirmadas. Morten Hjulmand, que aceitou ficar mais um ano como capitão no Sporting, vai também deixar o clube num verão onde não estará no Mundial depois da eliminação da Dinamarca frente à Rep. Checa no desempate por grandes penalidades. Também Pedro Gonçalves, que cumpre a sexta época nos leões, deverá fechar um ciclo no clube perante as propostas que foi recebendo sobretudo da Arábia Saudita. Não serão estas as únicas mexidas mas foi por estas mexidas que a “reconstrução” começou pelo meio.
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Rodrigo Zalazar, uruguaio do Sp. Braga que pode fazer quase todas as posições do meio-campo para a frente, foi até agora a única contratação confirmada à CMVM – por sinal, a contratação mais cara de sempre do clube, superando os cerca de 24,5 milhões de euros de Luis Suárez entre a verba fixa paga quando chegou a Alvalade e os bónus por rendimento desportivo que foi alcançando. No entanto, há mais dois nomes que estão garantidos: Pedro Lima, médio brasileiro formado no Palmeiras que estava no AVS e que acabou por ser fechado nos quatro milhões de euros mais dois milhões de objetivos apesar da oferta de 3,5 milhões mais bónus que esteve em cima da mesa, e Issa Doumbia, médio italiano do Veneza que teve uma proposta inicial de 18 milhões mais cinco milhões por objetivos mas que terá acabado por ficar fechado nos 20 milhões de euros fixos mais três milhões de objetivos desportivos e ainda uma percentagem de futura venda.
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Não ficarão por aqui as mexidas no setor, numa altura em que João Simões recupera de nova intervenção cirúrgica ao pé e que ainda não existem sinais de acordo entre Daniel Bragança e o Sporting para a renovação do atual contrato, o que pode fazer com que também o médio saia em busca de mais minutos do que tem feito nas últimas temporadas. Silas Andersen, jovem médio dinamarquês que passou pela formação do Inter e que representa agora o Hacken, é visto como um jogador com potencial para assumir a vaga de Hjulmand no plantel pelas características que tem e está perto também de chegar a Alvalade, neste caso por sete milhões de euros mais três milhões por objetivos, naquela que é uma das principais apostas do scouting leonino. Em paralelo com tudo isto, o Sporting aguarda ainda pela possibilidade de voltar a receber João Palhinha: o médio quer voltar a Portugal, não teria problemas em chegar a acordo com o clube (podendo até entrar no lote de capitães) mas tudo dependerá não só do Bayern mas do Tottenham, que tem uma opção de compra.
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É a partir do centro que irá girar todo o novo ciclo dos leões, que conhecem também o interesse de alguns clubes em Francisco Trincão, Maxi Araújo, Ousmane Diomande ou Gonçalo Inácio, jogadores que estarão com as respetivas seleções no Campeonato do Mundo e que, por isso, podem ter um mercado “diferente” do que é normal. Além de Luis Guilherme, que foi contratado ao West Ham em janeiro já a pensar na época de 2026/27, o Sporting vai apostar em pelo menos mais um ala, que podem ser dois caso venha a haver mais saídas além de Souleymane Faye, senegalês que chegou do Granada mas pouco ou nada acrescentou. No ataque, a ideia passa por manter Luis Suárez com Fotis Ioannidis deixando Rafael Nel na equipa B, num plano que vinha de 2025/26 e que só não aconteceu mais vezes pela lesão que afastou vários meses o grego.
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No setor recuado, a ideia passa por manter o atual número de oito/nove defesas com duas opções por posição e que não contará com o regresso de Diogo Travassos, que rumou ao Sp. Braga no âmbito da contratação de Zalazar. Com o cenário de haver um central de saída acautelado, estando identificado o alvo preferencial no mercado interno para a substituição, a grande dúvida passará pela capacidade de manter pelo menos mais uma temporada Maxi Araújo, lateral/ala uruguaio que teve uma forte valorização também pela campanha que fez na Liga dos Campeões – e é por isso que os leões não querem deixar de apontar para a cláusula dos 80 milhões de euros, que pode resfriar esses interesses. Em aberto está ainda a hipótese de chegar mais um lateral ao clube, também pela época menos conseguida pelo grego Vagiannidis, sendo que a polivalência de Eduardo Quaresma permite encontrar outras soluções, como se viu no final da presente temporada.
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Como acabou o plantel do Sporting na temporada de 2025/26 (27 jogadores)
- Guarda-redes (3): Rui Silva, João Virgínia e Diego Callai
- Defesas (9): Iván Fresneda, Vagiannidis, Eduardo Quaresma, Ousmane Diomande, Gonçalo Inácio, Zeno Debast, Ricardo Mangas, Nuno Santos e Maxi Araújo
- Médios (5): Hjulmand, Morita, Daniel Bragança, João Simões e Giorgi Kochorashvili
- Alas e médios ofensivos (7): Geny Catamo, Geovany Quenda, Luis Guilherme, Francisco Trincão, Pedro Gonçalves, Salvador Blopa e Souleymane Faye
- Avançados (3): Luis Suárez, Fotis Ioannidis e Rafael Nel