Como em tantas outras modalidades, é altura de decisões no basquetebol. Depois de meses de trabalho e de centenas de duelos pelos pavilhões do país, restam quatro equipas na luta pelo título de campeão nacional. Quis o destino — e o calendário da Federação Portuguesa de Basquetebol — que Sporting e FC Porto se enfrentassem pela primeira vez já depois de Benfica e Oliveirense terem disputado os dois primeiros jogos, que deixaram as águias a um triunfo de voltarem à final. Este foi o quinto duelo da temporada entre leões e dragões, com vantagem para os lisboetas, que venceram três partidas, a última na final da Taça de Portugal. Ainda assim, os portistas chegavam à primeira partida da meia-final motivados, dado que a sua única vitória frente ao rival tinha acontecido, precisamente, no João Rocha.
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“Sabemos que vão ser jogos muito complicados. Esperamos um FC Porto forte, com garra e com vontade de vencer, tal como nós. Acho que os jogos vão ser decididos em detalhes. Acho que temos de estar a 100%, tal como temos demonstrado nos jogos que tivemos contra eles. Já lhes vencemos jogos e eles já nos venceram a nós. Acho que conseguimos dar uma resposta positiva ao jogo que perdemos e é isso que esperamos. Temos de continuar o trabalho e entrar a 100%, com vontade de vencer. Conseguimos o fator casa ao longo da fase regular e é um fator muito importante começar aqui [no Pavilhão João Rocha] os playoffs. Queremos começar bem, com casa cheia, com um bom apoio da parte dos nossos adeptos. Espero que consigamos dar essa resposta ao apoio deles e começar da melhor forma os dois jogos aqui em casa”, perspetivou Francisco Amarante.
“Sinto a equipa num bom momento e numa senda positiva nesta fase da época. É a parte mais importante da época e sentimo-nos bem. É muito importante começar a eliminatória com uma vitória fora. Penso que tivemos vários altos e baixos esta época, mas lidámos com os baixos muito bem e reagimos. Se limitarmos os nossos baixos e nos mantivermos lá em cima, estaremos bem. Todos os jogos contra Sporting e Benfica são jogos duros. Esperamos uma luta difícil durante 40 minutos e, no jogo seguinte, durante 40 minutos e por aí adiante. Temos de manter o comboio em andamento. Penso que precisamos de estar mais focados mentalmente e lidar melhor com os duelos. A coisa mais importante para nós é mantermo-nos consistentes durante os 40 minutos. Não podemos cometer erros mentais, pois vamos ter de trabalhar muito mais. Evitar erros mentais é algo que temos de fazer”, assumiu Tanner Omlid.
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Com Brandon Johns Jr., Maleeck Harden-Hayes, Francisco Amarante, Claude Robinson e Stephan Swenson, e Miguel Queiroz, Wesley Washpun, Tanner Omlid, Cornelius Hudson e Robert Beran Jr. nos cinco iniciais, o clássico começou equilibrado e com triplos de Amarante e Omlid. Foi da linha de lance livre que o FC Porto chegou aos seis pontos de vantagem a meio do primeiro quarto, com Queiroz e Hudson a converterem os seus lançamentos (7-13). Ainda assim, os leões reagiram e reduziram para apenas um ponto (14-15) e empataram a sete segundos da buzina com um grande triplo de Malik Morgan. Ainda assim, Corey Allen-Williams respondeu da mesma moeda e fez um grande cesto no último segundo (20-23).
No segundo período os portistas aproveitaram o desacerto dos sportinguistas no lance livre — chegaram aos 15 minutos com apenas dois acertos em seis — para dispararem, conseguindo uma vantagem de oito pontos por conta da grande exibição de Hudson (11 pontos em 18 minutos) e do acerto no lance livre (30-38). O jogo acabou por animar com triplos nos dois cestos, com destaque para Swenson, que fez dois lançamentos de três pontos praticamente seguidos e reduziu para os quatro pontos a 56 segundos do intervalo (39-43). Allen respondeu da mesma forma e o FC Porto saiu para o intervalo com sete pontos de vantagem (39-46).
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Na segunda parte, Cornelius Hudson voltou a ser protagonista ao somar os primeiros pontos, mas Francisco Amarante respondeu com o triplo e deu início à resposta do Sporting, que reduziu distâncias para apenas três pontos aos 24 minutos (47-50). Nessa fase, o base norte-americano voltou a aparecer e colocou a diferença em 12 pontos, aproveitando um período de vários minutos de desacerto ofensivo do adversário (47-59). No final do quarto, Claude Robinson fez um triplo que deu a primeira vitória parcial aos leões e colocou a diferença nos sete pontos (56-63). Os últimos dez minutos começaram na mesma toada, com um grande… Hudson. O portista somou dois pontos a abrir e assistiu Tanner Omlid no lance seguinte (59-68). O ala de 32 anos também esteve em grande no clássico, mas em termos defensivos, chegando ao minuto 34 com 13 ressaltos. Contudo, o FC Porto entrou numa série de três minutos sem marcar, mas o Sporting acabou por não conseguir aproveitar (63-72).
Na reta final da partida, João Fernandes falhou um triplo e, na resposta, Vladyslav Voytso marcou um importante cesto com falta, numa jogada que acabou por não ser de três pontos (65-74). Já dentro dos últimos dois minutos, Brandon Johns Jr. despediu-se da partida por exclusão e Corey Allen-Williams converteu dois dos três lançamentos da linha de lance livre (66-76). À entrada para o último minuto, os leões ainda aspiravam a relançar a partida, mas a vitória azul e branca estava sentenciada, fixando-se nos 70-81. O grande destaque do primeiro clássico das meias-finais foi, naturalmente, Cornelius Hudson, que terminou com 27 pontos, seis ressaltos e duas assistências. Omlid acabou com 15 ressaltos, mais nove pontos. Para já, o Sporting viu terminar a sua série de quatro vitórias consecutivas e está obrigado a vencer no Dragão Arena para chegar à final. O jogo 2 acontece na segunda-feira e volta a ter como palco o Pavilhão João Rocha.