O Festival Internacional de Forró, inicialmente marcado para o Parque de São Paio, em Vila Nova de Gaia, vai realizar-se no Estádio Municipal, após críticas de grupos ambientalistas, revelou hoje a organização. Numa publicação feita na página da rede social Instagram, a organização do festival, que acontece a 29 e 30 maio, referiu que o novo local visa ir ao encontro do “melhor para todos”, após grupos ambientalistas terem alertado que a sua realização junto à Reserva Natural do Estuário do Douro podia ameaçar a avifauna.
“Além de mais espaço e estruturas, e em prol da preservação das áreas naturais do mundo, não estão a ser medidos esforços para melhor atender às mais de 11.000 pessoas que já garantiram os seus bilhetes”, ressalvou.
O evento, organizado pela No Porto Produções, promete “o verdadeiro clima de São João brasileiro” entre as 13:00 e as 00:00, com nomes como João Gomes, JC Lima e Maurício do Recife entre a programação de sexta-feira e sábado.
Nos últimos dias, a escolha do Parque de São Paio para a realização do festival de forró foi contestada por grupos ambientalistas, como o SOS Estuário do Douro e o Movimento Gaia Verde, preocupados com o impacto do mesmo na reserva natural local.
“O movimento cívico SOS Estuário do Douro vem manifestar a sua oposição à realização do Festival Internacional de Forró no Parque de São Paio, em Vila Nova de Gaia, um espaço contíguo e funcionalmente complementar à Reserva Natural Local do Estuário do Douro, integrando, no seu conjunto, uma área ecológica de valor inestimável”, pode ler-se em comunicado divulgado pelo movimento.
O festival veio reacender um movimento — e um tema — que, há 10 anos, em 2016, motivou batalhas legais e trocas de argumentos, pela proposta de realização, no mesmo local, do festival Marés Vivas, uma intenção depois abandonada.
“Durante a primavera e o início do verão — período em que está prevista a realização do evento — a Reserva acolhe diversas espécies em plena fase de reprodução e nidificação. Entre estas, destaca-se o borrelho-de-coleira-interrompida (‘Charadrius alexandrinus’), uma espécie particularmente sensível à perturbação humana, que nidifica diretamente no solo, em zonas arenosas e dunares”, alertam.
Também o Movimento Gaia Verde, criado por alguns cidadãos que também integraram o SOS Estuário e destinado a debruçar-se sobre questões ambientais no concelho, alertou para os riscos do evento numa “área de elevada sensibilidade ecológica”, que é “desaconselhável para eventos desta dimensão”.