O último jogo da época costuma ser sinónimo de festa. Não para o Real Madrid, que espera que o pesadelo que foi 2025/26 tenha terminado este sábado. Recuando no tempo, os merengues sagraram-se campeões europeus há menos de dois anos, com a vitória em Wembley a permitir juntar a orelhuda à conquista do Campeonato espanhol. Poucas semanas depois, o clube da capital contratou Kylian Mbappé, num dos melhores negócios de sempre da história blanca. Os ingredientes estavam todos reunidos para o Real Madrid dominar em Espanha e na Europa, mas não foi isso que aconteceu, ainda que Carlo Ancelotti tenha conseguido vencer a Supertaça Europeia e a Taça Intercontinental. A partir daí, os madrilenhos desiludiram e, depois do italiano, caminham para o terceiro treinador em pouco mais de um ano, perspetivando-se que José Mourinho regresse para suceder a Álvaro Arbeloa, que por sua vez substituiu Xabi Alonso.
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“Quero ver um grande jogo e despedir-me dos adeptos oferecendo-lhes uma vitória e uma grande exibição. Jogar o último jogo em casa é especial e diferente. O mais importante num dia como o de amanhã [sábado] é fazê-los desfrutar. Estou muito grato a todos pelo que passámos juntos. Estou ciente de que, 25 anos depois, não se consegue manter a mesma relação. Tivemos divergências, é normal. Resolvemos tudo da melhor maneira possível. Mostrámos respeito mútuo e a oportunidade surgiu quando tinha de surgir. Para mim, o importante é sempre a forma como se encara isso e o que nos acontece. E eu encarei-o da melhor maneira, a pensar no Real Madrid. Pensei mais no Real Madrid do que em mim nestes meses, mas fiz o melhor para o clube. Noutro clube teria sido diferente, mas era o que tinha de fazer. Não há lugar para arrependimentos. Há momentos em que é preciso pensar no Real Madrid e foi isso que eu fiz. No âmbito das responsabilidades do meu cargo, o clube não me impôs qualquer condição”, revelou Arbeloa naquela que foi uma conferência de imprensa de despedida, com o espanhol a garantir que não vai trabalhar com Mourinho caso o português regresse ao Bernabéu.
Este sábado foi dia de despedidas no anfiteatro blanco, em particular para David Alaba e Daniel Carvajal. O histórico lateral espanhol foi homenageado pela afición do Real Madrid, que preparou uma tarja com um desenho do pequeno Carvajal ao lado de Alfredo di Stéfano, com ambos a colocarem a primeira pedra da cidade desportiva do clube, instalada em Valdebebas. “O sonho de um menino, o triunfo de uma lenda. Obrigado Carvajal”, leu-se na mensagem que acompanhou o desenho. O dia ficou ainda marcado pela formalização das candidaturas de Florentino Pérez e Enrique Riquelme à presidência dos merengues, com a eleição antecipada a acontecer durante o mês de junho. De recordar que o Real Madrid não tem eleições há 20 anos.
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Dentro de campo, Carvajal e Alaba despediram-se como titulares, com Kylian Mbappé a regressar ao onze, mas a voltar a ser assobiado nos primeiros minutos da partida. No banco, o destaque foi para Dani Ceballos e Aurélien Tchouaméni, com o espanhol a regressar depois de um conflito com Álvaro Arbeloa e o francês a ver de perto a titularidade de Fede Valverde, depois do conflito entre os dois. Já Vinicius Júnior falhou a partida por autorização do clube, numa semana que ficou marcada pelo término da sua relação com Virginia Fonseca. Como se tem tornado habitual, Florentino desceu ao balneário para receber os seus jogadores antes da partida, com o sentido abraço a Carvajal a ficar na retina, antes do incumbente saudar os adeptos já na tribuna presidencial, e no final de um dia em que mandou colocar uma longa tarja na fachada de… um prédio. Nela está estampada a figura de Pérez ao lado das sete Champions conquistadas no seu mandato e da mensagem: “Muita história por fazer”. Noutro prisma, Riquelme chegou ao Bernabéu como sócio e foi bastante saudado pelos adeptos, que gritaram “presidente, presidente” por entre os pedidos para tirar fotografias.
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Frente ao Athl. Bilbao, que se despediu do treinador Ernesto Valverde, os merengues entraram bem no jogo e chegaram ao golo logo no início, com Carvajal, naturalmente como capitão, a desferir um grande passe para Gonzalo García que, isolado, fechou a temporada com mais um golo (13′). O internacional espanhol ficou bastante emocionado depois da sua última assistência ao serviço dos blancos. Antes do intervalo, Thiago Pitarch encontrou Jude Bellingham à entrada da área com um belo passe picado, o internacional inglês recebeu orientado com o peito e, de pé esquerdo, fez o segundo (41′). Ainda assim, os bascos responderam por Gorka Guruzeta, que reduziu a passe de Iñaki Williams (45+1′).
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Na etapa complementar, Álvaro Carreras viu a desmarcação de Mbappé à entrada da área, o francês recebeu, enquadrou-se e fez o 3-1 com um remate forte e colocado de pé direito (51′). Sem comemorar o golo, o camisola 10 foi aplaudido pelo Bernabéu e Arbeloa, dirigindo-se ao banco para abraçar o treinador. Ao minuto 70, a afición voltou a levantar-se para aplaudir Alaba, que foi substituído por Dean Huijsen, seguindo-se o regresso de Ceballos, sem grandes manifestações. Cerca de dez minutos depois, Dani Carvajal viu o seu número na placa do quarto árbitro e despediu-se do Bernabéu em lágrimas, aplaudido de pé por todos os adeptos e com direito a guarda de honra das duas equipas e a um abraço do árbitro Juan Martínez Munuera. Brahim Díaz fez o quarto, depois de um grande passe de Arda Güler para Mbappé, que dominou e tocou ao meio para o marroquino (88′). Já no tempo de compensação, Williams trabalhou bem dentro da área e cruzou para o cabeceamento certeiro de Izeta, ao segundo poste (90+1′). Desta feita, o Real Madrid acabou a época da melhor forma, marcando quatro golos mais de dois meses depois (4-2).
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