Depois de Lisboa, Oslo. Há um ano, o Arsenal voltou a fazer história no Estádio José Alvalade e reconquistou a Liga dos Campeões feminina 18 anos depois. Agora, as inglesas foram eliminadas nas meias-finais às custas do Lyon, pelo que a principal prova europeia de clubes ia conhecer um novo vencedor. De um lado estava o Barcelona, que procurava a quarta conquista depois de ter estado presente nas últimas seis finais. Do outro estava a formação francesa, que chegou à Noruega com oito triunfos na Champions feminina, perfilando-se como a equipa mais vitoriosa da competição. Este duelo marcou o reencontro entre espanholas e francesas dois anos depois de as catalãs terem vencido a final de 2024, em Bilbau. Sem derrotas na prova, o Barcelona chegava em melhor forma, mas tinha pela frente um Lyon consistente, que deixou para trás os gigantes Arsenal e Wolfsburgo.
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“É uma final e podem acontecer muitas coisas. Os rótulos podem ser ignorados, já que a prestação, o respeito e o trabalho de equipa são o que é preciso para ganhar a Liga dos Campeões. A única mensagem que passo é darmos o máximo desde o início. Temos trabalhado para ter as nossas ideias bem definidas desde o primeiro minuto. É preciso tomar decisões de acordo com as situações de jogo. É importante controlar o jogo e gerir as emoções. Muitas jogadoras evoluíram bastante e acho que a equipa cresceu muito. A equipa técnica fez um excelente trabalho ao promover jovens jogadoras para o futuro do clube. Jonatan Giráldez? Ambos aprendemos muito e vamos continuar a crescer como treinadores. Será um jogo exigente, decidido pelos pequenos detalhes”, explicou Pere Romeu, técnico das espanholas.
“É preciso deixar as emoções de lado e manter a máxima concentração, porque são esses pormenores que fazem a diferença para se estar a 100% ou não, para o que se é capaz de fazer e para que lado a balança pende. Não foi fácil vencer todos os jogos que vencemos para chegarmos a esta final. Procuramos levar as jogadoras ao limite nos treinos. Sem dúvida que estes jogos fazem com que as jogadoras se concentrem ao máximo em cada minuto, em cada ação e em cada lance, e isso ajuda-as a melhorar e a preparar-se para os jogos que se avizinham. A experiência ajuda-nos, especialmente no que diz respeito à preparação a nível logístico. Depois, há as emoções de disputar aquele que é, sem dúvida, o jogo mais importante do futebol feminino. As finais são jogos que se decidem por pequenos detalhes, são jogos em que é preciso estar atento a todos os pormenores. É preciso deixar as emoções de lado e manter-se o mais concentrado possível”, explicou Giráldez, que orientou o Barcelona até 2024.
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Para esta final, Pere Romeu fez três alterações em relação à última partida das reinas, com Irene Paredes a render Aicha Camara para se juntar a Mapi León no centro da defesa, com Ona Batlle e Esmee Brugts nas laterais e Cata Coll na baliza. No meio-campo, a novidade com Clara Serrajordi no lugar de Clàudia Pina, com Patri Guijarro e Alexia Putellas a manterem-se. Por fim, no ataque, Caroline Graham Hansen rendeu Vicky López, juntando-se a Salma Paralluelo e Ewa Pajor. Nas fenottes, Jonatan Giráldez fez as mesmas três alterações, mantendo Christiane Endler, Ashley Lawrence, Ingrid Engen, Wendie Renard e Selma Bacha no setor mais recuado. No meio-campo, Lindsey Heaps e Lily Yohannes substituíram Damaris Egurrola e Korbin Albert para se juntarem a Melchie Dumornay. Já no ataque, Ada Hegerberg rendeu Marie Katoto e foi titular ao lado de Vicki Becho e Jule Brand. Destaque para o casal Mapi e Ingrid que esteve frente a frente nesta decisão e para Francisca Nazareth, que foi suplente.
Com 24.258 espectadores nas bancadas — recorde em jogos de futebol feminino na Noruega — a final começou equilibrada, com as duas equipas à procura de assumir a posse de bola, mas a primeira ocasião de golo pertenceu ao Barcelona, com Putellas a receber de Hansen e a desferir um remate que saiu a rasar o poste (11′). Na resposta, o Lyon chegou ao golo num livre estudado, com Renard a obrigar Coll a uma grande defesa, mas Heaps partira de posição irregular antes de desviar para dentro da baliza, com a árbitra a anular o tento dois minutos depois (14′). Pouco depois, Pajor ganhou espaço no corredor central e atirou ao lado (18′), antes de Brand finalizar para fora (24′). Na reta final do primeiro tempo, a polaca voltou a aparecer com perigo na área francesa, mas voltou a rematar ao lado (34′), com Bacha a obrigar Cata Coll a mais uma grande defesa na cobrança de um livre lateral (40′).
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A etapa complementar abriu com duelos intensos a meio-campo e sem nenhum ascendente, mas as culés não demoraram muito a responder, aproveitando da melhor forma a oportunidade que tiveram: as espanholas recuperaram a bola e partiram rapidamente para o ataque, com Patri Guijarro a conduzir e a entregar, na altura certa, em Ewa Pajor que, isolada, desferiu um remate cruzado e rasteiro para o 1-0, quebrando a malapata em finais, depois de nunca ter conquistado o troféu ao cabo de cinco finais (55′). A resposta francesa surgiu depois de uma paragem para assistir Cata Coll, com Lily Yohannes a servir Vicki Becho que, com um remate colocado, obrigou a guarda-redes a mais uma excelente intervenção (60′). Já com Clàudia Pina, que rendeu Caroline Graham Hansen, Tabitha Chawinga (saiu Vicki) e Marie Katoto (Ada Hegerberg) em campo, as blaugranas voltaram a sair rapidamente para o ataque, Pina combinou com Esmee Brugts mas não conseguiu finalizar, Salma Paralluelo recolheu ao segundo poste e, com a baliza aberta, entregou em Pajor, que bisou (69′).
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Para a reta final da partida, Aitana Bonmatí e Korbin Albert saíram dos respetivos bancos para substituir Clara Serrajordi e Yohannes, com o Lyon a voltar a desbloquear pelo corredor central, com Chawinga a aparecer isolada a obrigar Coll a mais uma grande defesa (75′). Ainda houve tempo para Kika Nazareth sair do banco para substituir a veterana Alexia Putellas, bem como para Aicha Camara entrar para o lugar de Brugts, e para Paralluelo fazer o 3-0 com um grande remate: recebeu à entrada da área, enquadrou-se e, de pé esquerdo, desferiu um remate forte que entrou junto ao ângulo superior mais distante (90′). Com o resultado feito e o Lyon desfeito em termos táticos, a espanhola ainda bisou, numa jogada em que Pajor conduziu em velocidade e assistiu a companheira (90+3′).
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Feitas as contas, o Barcelona reconquistou o troféu que lhe fugiu na temporada passada, sagrando-se campeão europeu pela quarta vez, número que lhe permite alcançar o FFC Frankfurt no segundo lugar do palmarés. Em primeiro continua o Lyon, com oito Champions. A tarde deste sábado foi histórica para Portugal que, pela primeira vez, esteve representado dentro de campo na final da Liga dos Campeões feminina. Para além desse feito, Kika tornou-se a segunda jogadora portuguesa a vencer a prova, depois de Jéssica Silva o ter feito em 2019/20, ao serviço do Lyon.
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