Rui Medeiros, constitucionalista, professor catedrático e ministro no curtíssimo governo de Pedro Passos Coelho, não será juiz do Tribunal Constitucional, o que representa um revés para os sociais-democratas — Medeiros era a figura que o PSD queria para presidir ao Tribunal Constitucional.
Em entrevista ao Público, o próprio afastou essa possibilidade, depois de ser confrontado com o facto de o seu nome ter sido apontado, em abril, como a escolha do PSD para o lugar. “Nunca alimentarei essa conversa, mas posso dizer que não vou para o Tribunal Constitucional.” O advogado defende ainda que “a escolha dos juízes do TC devia ser feita com recato”.
Rui Medeiros, que assumiu o papel de coordenador da polémica reforma do Tribunal de Contas, foi desafiado para aceitar o lugar no Palácio Ratton, mas, sabe o Observador, mostrou resistências desde o início. Ainda assim, os sociais-democratas sempre acreditaram que seria possível convencê-lo a aceitar o convite. Acabou por não acontecer: agastado com a poeira que se tinha instalado nas últimas semanas, Rui Medeiros aproveitou a entrevista ao Público para matar de vez o assunto.
A recusa de Rui Medeiros cria um obstáculo adicional ao PSD. Se o antigo ministro era o favorito ao lugar de presidente do TC, José Vieira de Andrade, professor catedrático na Universidade de Coimbra, era a alternativa para o lugar. Mas também já fez saber, em declarações ao Observador, que não estava interessado no cargo.
Recorde-se que PSD, Chega e PS têm um acordo para levarem a votos os quatro futuros juízes do Ratton. As candidaturas têm de ser apresentadas até 29 de maio e a eleição acontece a 12 de junho. Luís Lameiras é o nome indicado pelo Chega; Gabriela Cunha Rodrigues é a escolha do PS. Com as recusas de Medeiros e de Vieira de Andrade, o PSD tem de encontrar alguém para suceder a José João Abrantes e ainda para preencher mais um lugar no TC.