A Justiça italiana negou esta sexta-feira o pedido de extradição da ex-deputada brasileira Carla Zambelli no processo relacionado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça do Brasil, segundo informou a defesa da bolsonarista.
Segundo o advogado Alessandro Sammarco, a decisão foi tomada pela Suprema Corte de Cassação da Itália, que também determinou a libertação de Zambelli, presa nos arredores de Roma. Até ao momento, os detalhes da decisão da Corte de Cassação da Itália, sendo a última instância do judiciário italiano, não foram divulgados até a publicação desta reportagem.
O tribunal anulou uma decisão anterior da Corte de Apelações italiana que havia autorizado a extradição da ex-deputada a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil. A decisão refere-se apenas a um dos dois processos de extradição atualmente em análise na Justiça italiana.
https://observador.pt/2026/03/26/justica-italiana-autoriza-extradicao-de-ex-deputada-bolsonarista-para-o-brasil/
O caso julgado esta sexta-feira envolve a condenação de Zambelli por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça. O segundo processo trata da condenação da ex-deputada bolsonarista por porte ilegal de arma e ameaça com arma de fogo a um homem negro em São Paulo, às vésperas das eleições gerais de outubro de 2022.
Embora o STF tenha encaminhado apenas um pedido de extradição às autoridades italianas, a Justiça local decidiu separar os processos. Segundo a defesa, ainda não há data para a análise definitiva do segundo pedido.
Mesmo após o encerramento da fase judicial, o processo ainda dependerá de manifestação do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, responsável pela decisão administrativa final sobre a eventual extradição. O ministro terá prazo de 45 dias para se pronunciar após a publicação do acórdão com a nova decisão da corte italiana.
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Sammarco declarou que “há várias contradições e omissões na sentença da Corte de Apelação” e citou o facto do tribunal não se pronunciar sobre o presídio ao qual Zambelli seria enviada.
“Como o facto de não ter se pronunciado sobre a averiguação das condições da Colmeia, como o tamanho das celas e a existência de serviço sanitário adequado“, declarou ainda em Roma. Segundo Sammarco, Carla Zambelli deverá deixar a prisão na manhã de sábado.
Zambelli, que tem dupla cidadania, deixou o Brasil em maio do ano passado em busca de asilo político, após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil a 10 anos de prisão por invasão de sistemas do CNJ e falsidade ideológica. A ex-parlamentar foi considerada fugitiva pelas autoridades brasileiras e está detida no país europeu desde julho do ano passado.
Carla Zambelli era uma das vozes mais radicais da extrema-direita no Brasil, uma fiel aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro, o qual apoiou numa dura campanha para desacreditar o sistema de voto eletrónico utilizado no Brasil.