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Educar, comunicar e interpretar: a importância dos Museus

O verdadeiro impacto de um museu não se mede apenas em números, mas naquilo que permanece com o visitante depois da visita.

Maria Amélia Cupertino de Miranda
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Numa era em que tantos estímulos competem pela nossa atenção, os museus continuam a ter um papel fundamental na transmissão do conhecimento.

É verdade que, com as novas tecnologias e plataformas de acesso rápido conseguimos, num espaço de segundos e em qualquer lugar do mundo, aceder à digitalização da cultura nas suas diferentes formas de expressão. A democratização do acesso à cultura que esta modernização estimula tem um impacto inegável e, frequentemente, é desta forma que se proporciona um primeiro contacto com alguma obras de arte e factos históricos que não seriam tão acessíveis de outra forma. Não podemos, por isso descurar este tipo de contacto. No entanto, à conta destas novas possibilidades, os museus parecem, por vezes, assumir um papel secundário. Há que combater essa perceção.

Apesar de o seu impacto ainda ser amplamente reconhecido, independentemente da área, há que assumir que os museus enfrentam questões que, há umas décadas, não se colocavam. Naturalmente, isto assume-se como um desafio para quem gere espaços museológicos, mas reconheço que esta é também uma oportunidade fundamental para repensarmos a forma como comunicamos os museus e amplificamos o nosso impacto.

Quando me refiro a impacto, não me refiro apenas a números de visitantes. Acima de tudo, refiro-me à forma como conseguimos chegar às pessoas que visitam o espaço museológico. As métricas são importantes, mas é fundamental traduzir o que está na vitrine que, apesar de fascinante, pode não ser claro para o visitante. Até porque as legendas que acompanham as peças são apenas um fragmento da história que está por trás delas.

É precisamente aqui que reside uma das maiores responsabilidades, e também uma das maiores oportunidades, dos museus contemporâneos: a aposta no serviço de educação. O serviço de educação ou, como agora muitas vezes é designado, serviço de mediação, não pode ser entendido como um complemento, mas como uma peça central na construção da experiência museológica. É através dele que se estabelecem pontes, que se contam histórias, que se descobre o espaço “entre” objeto e visitante e que se desperta a curiosidade de quem observa.

Como refere Eileen Hooper Greenhill, a importância dos museus descreve-se em três palavras: educação, comunicação e interpretação. Isto é verdade, sobretudo no contexto do papel contemporâneo dos museus e da nova museologia. A ideia é que o museu não conserva apenas objetos, mas interpreta-os e comunica significados ao público através de processos educativos que moldam o conhecimento.

Criar projetos de mediação eficazes é, no fundo, encontrar formas de ultrapassar essa barreira literal e simbólica entre o objeto e o visitante. É permitir que o visitante compreenda que aqueles objetos não são apenas peças estáticas, mas sim que são testemunhos vivos de épocas, decisões, sistemas económicos, crises e transformações sociais que tiveram impacto no momento presente. No caso do Museu do Papel-Moeda, falamos de elementos que transportam consigo narrativas de poder, identidade, confiança e mudança.

Importa, por isso, investir em estratégias de comunicação que convoquem diferentes públicos, com diferentes níveis de conhecimento e interesses. Desde visitas orientadas mais dinâmicas, a oficinas, a projetos com outras instituições culturais: tudo contribui para tornar o museu um espaço mais aberto, mais dialogante e mais relevante.

Iniciativas como o Dia Internacional dos Museus são fundamentais para aproximar o público, de forma criativa, dos espaços e das coleções, mas é fundamental que esse impacto e essa curadoria persistam ao longo de todo o ano, de forma regular.

Porque, no final, o verdadeiro impacto de um museu não se mede apenas em números, mas naquilo que permanece com o visitante depois da visita. E é essa capacidade de transformar um olhar apressado numa experiência significativa que garante que os museus continuam não só atuais, mas absolutamente indispensáveis.