A farmacêutica norte-americana Eli Lilly divulgou esta quinta-feira os resultados de um estudo clínico, ainda não revisto por pares nem publicado numa revista científica, de uma injeção experimental para a obesidade, que revelou uma perda de peso significativamente maior do que aquela obtida com os fármacos atualmente disponíveis no mercado. A empresa afirma que os participantes perderam, em média, 28% do seu peso corporal depois de 80 semanas, segundo o The New York Times.
Das 2339 pessoas com obesidade ou excesso de peso que fizeram parte do estudo da Eli Lilly, a perda de peso foi maior nos participantes mais pesados, sobretudo entre aqueles que receberam a dose mais elevada do medicamento, que perderam em média 38,5 quilos, ou cerca de 30,3% do seu peso corporal, ao fim de aproximadamente 18 meses. Em comparação, pessoas submetidas a cirurgia de bypass gástrico perdem cerca de 30% a 35% do peso corporal ao fim de 24 meses, revela o jornal norte-americano.
A farmacêutica norte-americana informou ainda que 11% dos participantes que receberam a dose mais elevada abandonaram o estudo experimental devido a efeitos secundários, como náuseas, vómitos e diarreia. A percentagem terá sido superior à observada com medicamentos menos potentes à venda.
A retatrutida, o medicamento administrado, pertence a uma classe de fármacos que revolucionou o tratamento da diabetes, da obesidade e de outras doenças metabólicas, atuando em três hormonas envolvidas no controlo do apetite, no equilíbrio energético e no metabolismo. Participantes de outros estudos chegaram mesmo a relatar ter interrompido o uso por sentirem que estavam a perder peso em excesso, revela o jornal norte-americano.
Apesar da Eli Lilly ainda não ter solicitado aprovação regulamentar do medicamento, a injeção tem gerado interesse. Alguns norte-americanos têm recorrido a versões falsificadas adquiridas online, provenientes da China, o que preocupa médicos e investigadores, devido aos potenciais riscos para a saúde dos utilizadores e à ausência de monitorização clínica, revela o mesmo jornal.
Ania Jastreboff, especialista em obesidade da Universidade de Yale e principal investigadora do estudo publicado pela Eli Lilly, afirmou que os “resultados são muito impressionantes”. Ainda assim, sublinhou que a obesidade é uma doença crónica e que o mais importante não é apenas a quantidade de peso perdido, mas sim os “efeitos na saúde de uma pessoa ao longo da vida”.
A farmacêutica norte-americana espera que a retatrutida possa vir a constituir uma alternativa terapêutica para pessoas com obesidade mórbida, além de representar uma oportunidade para beneficiar a nível económico do crescimento da procura por medicamentos para perder peso. O Zepbound, para controlo de peso, e pelo Mounjaro, indicado para diabetes, têm impulsionado as vendas da empresa, de acordo com o The New York Times.
A Eli Lilly tornou-se, no ano passado, a primeira empresa do setor da saúde a atingir uma avaliação de cerca de um bilião de dólares (cerca de 860 mil milhões de euros).