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Cerca de 300 profissionais de educação que participaram esta quinta-feira num protesto convocado pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (STOP) em Setúbal decidiram convocar uma greve nas escolas do concelho para 2 de junho.
A decisão de avançar com a paralisação na véspera da greve geral nacional marcada para 3 de junho foi aprovada durante um plenário realizado junto à Câmara Municipal de Setúbal, no âmbito do protesto, convocado pelo sindicato para denunciar a falta de profissionais nas escolas do concelho, a exemplo de outras iniciativas do STOP em diversos pontos do país.
O coordenador interino do sindicato, Daniel Martins, acredita que a adesão à ação de protesto realizada esta quinta-feira de manhã — iniciada na Escola de Aranguez e seguida de um desfile pelas ruas da cidade que terminou na Praça do Bocage, em frente à Câmara Municipal de Setúbal — reflete o descontentamento dos profissionais de educação.
“O protesto está ótimo, acho que há mais de três centenas de pessoas aqui”, afirmou o dirigente sindical, salientando que a mobilização demonstra a preocupação da comunidade escolar com “a falta de assistentes operacionais nas escolas”.
“Os rácios atualmente definidos para assistentes operacionais não são justos, uma vez que têm apenas em conta o número de alunos e não as necessidades específicas de acompanhamento de crianças com necessidades educativas especiais”, sublinhou.
O dirigente sindical salientou ainda que, durante o primeiro período, houve escolas em Setúbal que tiveram de encerrar devido à falta de assistentes operacionais e alertou para situações em que “alguns estabelecimentos de ensino ficam sem vigilância nos recreios”.
“Se um aluno cair, partir a cabeça, partir uma perna, não vai haver quem os acompanhe”, afirmou, lembrando que “muitos assistentes operacionais desempenham funções para além das previstas, atuando como enfermeiros, psicólogos e apoio em sala de aula, apesar de receberem salários próximos do salário mínimo ao longo da carreira”.
Além da necessidade destes profissionais, o representante deu conta da falta de assistentes técnicos e de docentes, reafirmando tratar-se de uma situação da responsabilidade do Governo, que acusou de transferir para as autarquias competências relacionadas com a contratação de assistentes operacionais e manutenção das escolas sem assegurar as verbas necessárias.
O coordenador interino do STOP criticou ainda a possibilidade de aumento da despesa militar, considerando que isso poderá traduzir-se em cortes nos setores sociais, incluindo saúde e educação.
“Ou se gasta em despesa militar para destruir, ou se gasta em educação e em saúde para educar, para formar e desenvolver o país”, concluiu.