
A frase
Gal Gadot: “Não participei na Met Gala durante 7 anos porque, da última vez que fui, Dua Lipa e os amigos dela encurralaram-me na casa de banho da gala apenas por eu ser sionista.”
Partindo do princípio de que isto é realmente verdade, é nojento o que lhe fizeram.
— Utilizador do Instagram, 14 de maio de 2026
Organizada pelo Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque com o propósito de angariar fundos para o seu departamento de moda, a Met Gala é, ano após ano, um dos eventos mais mediáticos do mundo, dada a concentração de celebridades por metro quadrado.
Cada baile anual é acompanhado de uma temática para que os convidados vistam peças únicas especialmente concebidas para a ocasião — por exemplo, a edição deste ano, “Costume Art”, teve como mote a combinação de peças de vestuário com obras de arte.
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Face à presença de tantas estrelas no mesmo local, a Met Gala é também um gerador histórias — nalguns casos, peças noticiosas; noutros casos, especulações. Uma das alegações que começou a circular no rescaldo da edição deste ano envolve a atriz israelita Gal Gadot e a cantora britânica de ascendência albanesa Dua Lipa.
Nas redes sociais, começou a espalhar-se uma suposta declaração de Gadot de que não marca presença no evento nova-iorquino desde 2019 devido às ações de Dua Lipa. “Não participei na Met Gala durante sete anos porque, da última vez que fui, Dua Lipa e os amigos dela encurralaram-me na casa de banho da gala apenas por eu ser sionista”, lê-se numa publicação replicada em vários canais, depreendendo-se que a atriz terá sido vítima de um ato de intimidação de cariz político.

A alimentar estas partilhas está o facto de que Gal Gadot e Dua Lipa posicionam-se em extremos opostos no que toca ao conflito israelo-palestiniano:
- Além de ser israelita, Gadot assume-se publicamente como sionista e usa o seu mediatismo para sobretudo combater o antissemitismo. Não obstante já ter apelado à coexistência pacífica entre israelitas e palestinianos, é tida como não contrariando a política do governo israelita, especialmente depois dos ataques de 7 de outubro de 2023;
- Pelo contrário, Dua Lipa é uma das mais influentes celebridades do mundo — e das únicas estrelas pop da sua dimensão — a apoiar frontalmente a Palestina e os direitos do povo palestiniano, tendo mesmo acusado Israel de estar a cometer um genocídio na Faixa de Gaza em publicações na sua conta oficial de Instagram, com mais de 88 milhões de seguidores.
Num dos casos analisados pelo Observador, esta citação é seguida de uma mensagem que parece indicar que a autora da publicação não tem a certeza da sua veracidade, mas decidiu partilhá-la na mesma: “Partindo do princípio de que isto é realmente verdade, é nojento o que lhe fizeram. Se até uma actriz internacionalmente reconhecida e um nome incontornável de Hollywood como Gal Gadot não consegue, de alguma forma, manter a sua posição perante algumas celebridades antissemitas e a pressão delas e participar nos eventos em que acha que deveria estar, isso faz-nos pensar seriamente sobre o estado actual do mundo”, comenta.
Esta citação, contudo, não foi apenas partilhada por contas pró-Israel ou de fãs de Gadot; na outra ponta do espectro, esta história também começou a circular ora com um tom elogioso pelo que Dua Lipa terá feito, ou com críticas à atriz israelita. Num exemplo analisado pelo Observador, um criador de conteúdo espanhol acusa Gadot de querer “fazer-se de vítima” como “essa gente” que é “a raça de Judas”, numa referência antissemita à sua nacionalidade israelita e que configura um potencial crime de ódio.

No entanto, apesar de estar a circular de um lado e do outro desta contenda fraturante, esta história que envolve Gal Gadot e Dua Lipa é falsa. De facto, a atriz israelita esteve presente na Met Gala de 2019 na sua primeira e única aparição no evento, mas essas circunstâncias nada têm a ver com Dua Lipa, que também se estreou na festa nesse mesmo ano.
Não só não há qualquer relato ou testemunho da festa de 2019 que comprove essa história — que, note-se, foi o único ano em que ambas estiveram no mesmo baile — como também nenhuma das equipas das respetivas artistas alguma vez emitiu declarações quanto ao suposto caso. Mais importante ainda, a própria citação partilhada não tem uma origem credível, não surgindo de qualquer entrevista, participação em podcast ou publicação nas redes sociais por parte de Gadot.
Além disso, não só não há registos públicos de qualquer desaguisado entre as duas mulheres como, nas raras instâncias em que uma se referiu à outra, foi Gadot em tom elogioso para com Dua Lipa e já depois do suposto incidente de 2019. Numa rubrica gravada para a revista Vogue, em 2020, quando instada a responder qual a canção que não consegue parar de cantar, a atriz começa a cantarolar “if you don’t want to see me…”, referindo-se ao tema Don’t Start Now da cantora britânica. Quando o entrevistador exclama “Dua Lipa!”, Gadot aponta para a câmara e repete o nome.
https://youtu.be/OJJMVLPdAwY?si=juMpYkp1YUvTeK8h&t=308
Conclusão
A história que circula nas redes sociais, segundo a qual Gal Gadot terá deixado de ir à Met Gala por ter sido alvo de um ato de intimidação por parte de Dua Lipa, é falsa. É verdade que a atriz israelita apenas esteve presente na edição de 2019, mas a sua ausência posterior nada tem a ver com a cantora britânica. Não existem quaisquer registos ou testemunhos do suposto incidente, e a citação atribuída a Gadot foi completamente fabricada. Quaisquer rumores quanto a um alegado mal-estar entre as duas artistas são meras suposições. Prova disso é que, um ano após o suposto diferendo, a atriz foi gravada a elogiar publicamente um dos maiores êxitos de Dua Lipa, contrariando essa tese.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.