“Uma Mãe e o Seu Filho”
Autor do excelente A Lei de Teerão e do brilhante Leila e os Irmãos, o iraniano Saeed Roustaee, desilude inesperadamente com Uma Mãe e o Seu Filho, um filme tão simplista, superficial e pobremente dramático, como aqueles eram complexos, elaborados e trágicos. Roustaee não consegue elevar-se acima das situações feitas do dramalhão a roçar o telenovelesco nesta história de uma enfermeira viúva que está a criar um filho adolescente, desobediente e cheio de problemas na escola, e uma menina pequena, e é abandonada pelo noivo, que a troca pela sua irmã mais nova. Nada funciona bem em Uma Mãe e o Seu Filho, da construção das personagens e sua interligação dramática, às situações narrativas estereotipadas, passando pelo final em registo de “vingança de mãe”, saído de um enredo de faca e alguidar. Uma pesada deceção.
https://www.youtube.com/watch?v=gNHwHytk2HE
“Família à Força”
Rose (Sandrine Kiberlain), uma chef sem emprego nem dinheiro, vive com os três filhos num hotel abandonado, rouba nos supermercados para os alimentar e recorre a esquemas arrojados para evitar que a Segurança Social lhos tire. Quando pega fogo, sem querer, à carrinha onde vive Jean (Pierre Lotin), vigia noturno numa garagem e que a defendeu quando foi apanhada pela segurança de um supermercado a sair sem ter pago as compras, dá-lhe abrigo temporário no hotel, onde os filhos o recebem de formas diferentes. O título português desta fita de Jean-Baptiste Léonetti (Ceux qui Comptent, no original) sugere tratar-se de uma comédia – que não é -, mas o realizador também não ajuda, ao misturar desajeitadamente o cómico ligeiro e o drama pesado. Kiberlain e Lotin fazem o que podem, mas o argumento não está do lado deles.
https://www.youtube.com/watch?v=aVSM3_tlhVg
“Fogo do Vento”
Depois da curta-metragem Farpões, Baldios (2017), Marta Mateus regressa, em Fogo do Vento, à comunidade rural alentejana onde a ambientou, voltando a recorrer, como intérpretes, a gente local sem experiência de representação. É um daqueles filmes abundantes no cinema português em que a concretização fica aquém do conceito. Durante as vindimas, um touro é atraído pela mistura do sangue do corte na mão de uma jovem com o suco das uvas, e os trabalhadores refugiam-se nos sobreiros. As suas conversas, monólogos e reminiscências abrangem os tempos da I República e da I Guerra Mundial, do antigo regime e da guerra no Ultramar, e do pós-25 de Abril, experiências e memórias pessoais, de família e coletivas. Mas é tudo gasoso e vago, pincelado a “poesia” naif camponesa, e insosso em termos emocionais e dramáticos.
https://www.youtube.com/watch?v=jJ1eH7y9Ebw
“Star Wars: The Mandalorian and Grogu”
Realizado por Jon Favreau, que também participou no argumento, Star Wars: The Mandalorian and Grogu é o primeiro filme da saga Star Wars em sete anos, e surge devido ao cancelamento da quarta temporada da série de streaming homónima, causada pela longa greve de argumentistas e actores de Hollywood de 2023. O Mandalorian (Pedro Pascal) e o pequeno Grogu são encarregues de uma perigosa missão interplanetária pela Nova República, que envolve a captura de um misterioso senhor do crime e da guerra que continuou fiel ao derrotado Império, e o salvamento do sobrinho dos cruéis e nada fiáveis gémeos que lideram o clã dos Hutt, após a morte de Jabba. Star Wars: The Mandalorian and Grogu foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.