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"Quase sem conseguir andar" e "muito doente": médico norte-americano infetado com ébola transferido para Berlim

Cirurgião contraiu ébola após operar um paciente que morreu. A mulher também tratou o paciente — e a família foi toda transferida. Outro médico norte-americano está a ser tratado em Praga.

Miguel Palma
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“Quase sem conseguir andar”, “muito cansado” e “muito doente”. Era assim que se encontrava o médico norte-americano que contraiu ébola na República Democrática do Congo e teve de ser transportando para o hospital universitário Charité em Berlim, na Alemanha, para receber tratamento especializado.

A descrição foi feita por dois líderes do grupo missionário internacinal cristão Serge, que o cirurgião Peter Stafford, de 39 anos, integra. “Havia pessoas a usar o equipamento de proteção individual, completamente cobertas, e ele agarrava-se a elas, quase sem conseguir andar”, contou Scott Myhre, diretor da secção da África Oriental e Central do grupo Serge, à NBC News: “Ele parecia muito cansado e muito doente.

A mulher e os quatro filhos também foram transferidos na viagem de terça-feira, encontrando-se sob vigilância. A Alemanha recebeu o paciente e a sua família a pedido dos EUA. Além da viagem para Berlim ser muito mais rápida do que um regresso ao país norte-americanos, os hospitais alemães também já têm experiência prévia a tratar pessoas infetadas com a doença, conforme clarificou o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC).

Na página oficial da organização católica, Myhre disse que a “liderança da Serge expressa a sua mais profunda gratidão a todos os envolvidos nos cuidados a Peter e está em oração por todos os que lutam para pôr fim ao surto”. Os missionários estão a fazer uma recolha de fundos para apoiar o cirurgião e a sua família.

https://observador.pt/especiais/surto-de-ebola-no-centro-de-africa-o-que-significa-a-emergencia-de-saude-publica-mundial-decretado-pela-oms/

Paciente com dores abdominais estava afinal infetado com ébola

Stafford trabalha no hospital Nyankunde, localizado na província congolesa de Ituri, epicentro da crise de ébola. Dias antes de o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças ter confirmado o surto, o cirurgião operou um homem, de 33 anos, com fortes dores abominais. Segundo Myhre, a operação não confirmou as suspeitas, porque a “vesícula biliar estava normal”. O paciente morreu no dia a seguir e os médicos suspeitaram que fosse uma morte provocada por ébola — mas o homem foi enterrado sm ser testado.

Stafford apresentou sintomas da doença durante o fim de semana passado, tendo acusado positivo no domingo, segundo o CDC. A mulher de Stafford também tratou o mesmo paciente. “Ele é um profissional muito meticuloso e, em cada cirurgia, usa equipamento esterlizado, luvas, touca e óculos de proteção. Mas isso não é suficiente para evitar uma exposição ao ébola”, assume Myhre.

A NBC News conta que também está a ser testado um outro médico, Patrick LaRochelle, por suspeitas de ter sido infetado por um segundo paciente. Este médico foi transferido para o Hospital Bulovka, em Praga, na República Checa, com “instalações especializadas para infeções altamente perigosas”.

Segundo o ministro da Saúde congolês, na segunda-feira,  o ébola já matou pelo menos 131 pessoas no país, havendo ainda 513 casos suspeitos.

Ainda no mesmo dia, o  diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, assumiu que o surto de hantavírus no navio de cruzeiro Hondius e a epidemia de ébola na RDCongo “são as crises mais recentes no mundo conturbado”.

https://observador.pt/2026/05/18/hantavirus-e-ebola-sao-as-crises-mais-recentes-no-mundo-conturbado-diz-oms/

Um comunicado da OMS, emitido  no sábado passado, declarou Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, face à deteção do surto na República Democrática do Congo e no Uganda. A organização explicou também que esta estripe do ébola é de um tipo mais raro por ser causada pelo vírus bundibugyo, para o qual “não existem terapias ou vacinas aprovadas.”

*Editado por Cátia Andrea Costa