“Num dia como hoje, em 1902, a bandeira cubana foi içada pela primeira vez num país livre. Mas sei que hoje vocês, que chamam à ilha a vossa casa, estão a passar por dificuldades inimagináveis“. É assim que arranca um novo vídeo em que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, se dirige à população cubana em espanhol, para oferecer a hipótese de uma “nova relação entre os Estados Unidos e Cuba”.
Na mensagem publicada nas redes sociais, o responsável norte-americano diz que o governo de Donald Trump quer oferecer 100 milhões de dólares (86 milhões de euros) em comida e medicamentos à população, ao mesmo tempo que culpa a liderança cubana pelas dificuldades que o país atravessa.
“Nos Estados Unidos estamos a oferecer-nos para vos ajudar a aliviar não só a crise atual, mas também a construir um futuro melhor”, diz Rubio. “A verdadeira razão pela qual não têm eletricidade, combustível ou comida é porque quem controla o vosso país saqueou biliões de dólares, mas nada foi usado para ajudar a população”.
https://twitter.com/SecRubio/status/2057069290637889876
Durante os cinco minutos de vídeo, Rubio vai insistindo que a culpa de problemas como os 22 horas por dia de apagão elétrico não é do bloqueio norte-americano, enquanto lembra que os cubanos enfrentam apagões há anos, para garantir que não são os EUA que estão a prejudicar a população.
Mas a oferta dos 100 milhões de dólares tem condições: estes deverão ser distribuídos pela Igreja Católica ou por por organizações de caridade que sejam de confiança.
Esta quarta-feira, como escreve a Reuters, a embaixada cubana respondeu desmentindo o responsável norte-americano: “A razão pela qual o secretário de Estado dos EUA mente de forma tão repetida e sem escrúpulos quando fala de Cuba, tentando justificar a agressão a que submetem o povo cubano, não é ignorância ou incompetência. Ele sabe muito bem que não há desculpa para uma agressão tão cruel”.
A administração Trump deve anunciar acusações criminais contra o antigo Presidente cubano Raul Castro esta quarta-feira, aumentando a pressão sobre o governo de Cuba depois de já ter imposto um bloqueio na ilha e ameaçado outros países de sanções se lhe fizerem chegar combustível.