A pouco mais de um mês da chegada do verão, o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, já regista filas que chegam a quase duas horas. A “profunda preocupação” com as “crescentes dificuldades verificadas no acesso aéreo a Portugal” levaram a que 150 associados dos setores do comércio, hotelaria, restauração, cultura e serviços em Lisboa publicassem nesta quarta-feira uma carta aberta a solicitar medidas concretas para resolver os longos tempos de espera nos controlos de fronteira e resolução para as dificuldades operacionais na “experiência de chegada desorganizada” à capital portuguesa.
Direcionado às entidades responsáveis pela gestão das fronteiras, turismo e infraestruturas nacionais, o documento assinado pela Associação Avenida lamenta a “frequência crescente” com que recebe relatos de turistas, investidores e visitantes internacionais que se queixam do terminal aéreo. Tal “contrasta com a imagem de excelência que o país promove além-fronteiras”, afirma o texto divulgado nas redes sociais.
Esta semana, a companhia aérea irlandesa Ryanair criticou mais uma vez nas suas redes sociais as filas no Humberto Delgado e fez um apelo ao Governo de Portugal para que suspenda o novo sistema de controlo de passaportes. O ministro das Infraestruturas reconheceu os prejuízos para a imagem do país e afirmou que a sua pasta está a investir em equipamentos e recursos humanos, com previsão de melhoria para o mês de junho. A suspensão do Sistema de Entradas e Saídas (EES) — que chegou a ocorrer em 2025 e foi defendida pelo presidente da Câmara de Lisboa na terça-feira — permanece descartada para este ano até ao momento.
A Associação Avenida, que reúne mais de 150 associados na Avenida da Liberdade e arredores, afirma que os constrangimentos na operação aeroportuária afetam a competitividade turística da cidade, a experiência e satisfação dos visitantes e a atratividade do investimento estrangeiro. “O esforço de promoção internacional é fragilizado quando a experiência de entrada no país não acompanha esse posicionamento”, afirma a entidade que diz representar “o principal eixo premium e internacional de Lisboa e uma das mais relevantes montras económicas do país”.
As empresas exigem “o reforço imediato dos recursos humanos nos controlos fronteiriços, a aceleração da modernização tecnológica e da automatização de processos, a melhoria da coordenação operacional nos aeroportos, o planeamento estrutural ajustado à procura atual e futura e a criação de condições de acolhimento compatíveis com um destino internacional de excelência”.