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(A) :: Do futsal ao topo do futebol em apenas seis anos: Taha Ali superou Kulusevski e Bardghi e vai estrear-se no Mundial

Do futsal ao topo do futebol em apenas seis anos: Taha Ali superou Kulusevski e Bardghi e vai estrear-se no Mundial

Em seis ano, Taha Ali levou o que aprendeu no futsal para o futebol e tornou-se num dos destaques no campeonato sueco. Extremo foi convocado por Graham Potter para estar no Mundial-2026.

Tiago Gama Alexandre
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Por entre os nomes de Viktor Gyökeres, Gustaf Lagerbielke ou de Alexander Isak, o grande destaque da convocatória de Graham Potter para o Campeonato do Mundo acabou por ser outro. Chama-se Taha Ali, tem 27 anos e vai estrear-se numa grande competição ao serviço da seleção sueca na competição que será realizada no Canadá, nos EUA e no México. O avançado atua no Campeonato sueco ao serviço do Malmö. Até aqui, podíamos estar a falar de uma história como tantas outras, de um futebolista que se tem destacado no futebol local e que vai cumprir o sonho de disputar o Mundial. Contudo, o percurso de Ali tem uma grande particularidade: há seis anos encontrava-se no futsal.

Taha Ali é filho de refugiados da Somália que encontraram na Suécia a sua casa, ainda que tenha nascido e crescido Tensta, uma região pobre do país nórdico. Foi ali que o jogador deu os primeiros toques na bola, começando no futebol de rua. Aos oito anos ingressou no Spanga IS, tendo prosseguido o seu percurso no futebol, transferindo-se para o Sundbybergs com 15 anos, onde disputou a Segunda Divisão do país. Em 2018, enquanto trabalhava como segurança num shopping, decidiu começar a jogar futsal para aproveitar a pausa de inverno do futebol, estreando-se na Primeira Liga ao serviço do Nacka Juniors. Depois, chegou a rumar ao Hammarby e, entre 2018 e 2019, completou seis internacionalizações no futsal, tendo estado na Taça Nórdica de 2018.

Em 2020 focou-se totalmente no futebol, depois de ter sido bem sucedido nas passagens por Stocksund e Sollentuna, clube que o contratou para jogar na Terceira Divisão. Em fevereiro de 2021 chegou ao Örebro e estreou-se no Campeonato sueco frente ao Malmö. Ainda assim, teve pouca utilização na primeira metade da época e, em março, foi emprestado ao Superettan Västeras, onde fez dois golos e oito assistências em 15 jogos, contribuindo para a permanência do clube na Segunda Liga. No final desse ano tornou-se no primeiro atleta de futebol do clube, que desponta no hóquei no gelo e no bandy, a receber o prémio de atleta do ano. Pouco depois foi contratado pelo Helsingborgs, que pagou 335 mil euros pelo seu passe e ofereceu-lhe um contrato de quatro anos. Em apenas uma época deu o salto para o Malmö, a troco de 700 mil euros. Ali venceu duas vezes o campeonato e uma vez a Taça da Suécia e estreou-se na seleção de futebol em 2024.

Foi em 2026, na sua quarta temporada no Malmö, que Taha Ali se consolidou no futebol sueco, tendo disputado a Liga Europa, onde marcou um golo. Ali tornou-se um dos extremos titulares dos suecos, por quem marcou 20 golos e fez 19 assistências em 132 jogos, tendo como principais predicados a técnica com bola que desenvolveu no futsal e a velocidade. Nesse sentido, superou nomes como Dejan Kulusevski, Roony Bardghi ou Williot Swedberg no lote de opções de Potter e vai estar no Mundial. Apesar de ter chegado tão rapidamente ao topo do futebol sueco, Ali não esquece as origens e, sempre que pode, volta a casa para ajudar ao desenvolvimento do futebol local, apoiando torneios jovens. “Na região nunca tivemos um jogador de futebol profissional, foi difícil identificar-me com alguém. É muito fácil acabar no caminho errado quando ainda se é jovem”, explicou.