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(A) :: Bebé com bactéria internado após doze dias de queixas. Pais queixam-se de atraso nas decisões médicas e querem "apurar responsabilidades"

Bebé com bactéria internado após doze dias de queixas. Pais queixam-se de atraso nas decisões médicas e querem "apurar responsabilidades"

Bebé contraiu campilobacteriose e tem febre há doze dias. Pais querem "apurar responsabilidades", hospital garante que está a ser vigiado e que não há surto.

Mariana Lima Cunha
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Foi há doze dias que Isaac Rocha e a mulher começaram a ficar preocupados: de dia 7 para 8 de maio, o filho, um bebé de dez meses, passou a noite com febre, diarreia e fezes com sangue e os pais “assustados” levaram-no para as urgências do Hospital de Vila Franca de Xira, “sem pensar duas vezes”. Entretanto, o bebé não melhorou, mas só foi internado esta terça-feira — e o casal queixa-se da falta de respostas e, sobretudo, da demora na decisão de internar a criança, que a Unidade Local de Saúde garante ter sido tomada por “mera vigilância clínica”, enquanto eram adotados os “procedimentos clínicos adequados”.

Na primeira ida ao hospital, relata Isaac Rocha ao Observador, os médicos que observaram a criança colocaram a hipótese de se tratar de uma gastroenterite, tendo o pai insistido em levar uma amostra de fezes do filho para que se acabasse com as dúvidas. “Levei a amostra no sábado. Ele continuava mal, passou sábado, domingo, segunda, na terça-feira fui novamente para o hospital com o menino e disse que me tinham de dar uma explicação”. Foi aí que surgiu o primeiro diagnóstico: tratava-se de uma bactéria e o tratamento teria de passar por três dias de antibiótico.

“Três dias, tudo igual”. Quando voltaram ao hospital, no dia 16, foram informados de que se tratava de um bactéria multirresistente — campilobacteriose — e que teria de tomar antibiótico durante mais três dias. Mas a situação continuou a “piorar”, conta Isaac Rocha, que esta terça-feira levou o menino de volta ao hospital e avisou que “não sairia de lá” e que já tinha “avisado” a comunicação social do caso.

Agora, ao Observador, conta que o menino piorou, acabou mesmo por ser internado na terça-feira mas passou “muito mal” a noite passada com febre — que tem há doze dias consecutivos — e que estão a ser feitas análises ao seu sangue, fezes e urina e também para descobrir se o menino contraiu também algum vírus. A ideia passará agora por experimentar outro antibiótico.

Os pais, entretanto, esperam respostas num estado de “aflição” que se prolonga desde o início do mês. A mãe do menino está grávida e o pai admite que o “desgaste” está a afetar o casal, que considera que “não era necessário ter-se chegado” aos doze dias de doença para que o hospital decidisse internar o bebé. “Atrasou-se e complicou-se, e podia ter-se complicado mais“, lamenta Isaac Rocha.

O pai do bebé adianta também que quer “apurar responsabilidades” tanto a nível hospitalar como a respeito da origem da bactéria, tendo a delegada da saúde colocado as hipóteses de ter origem no “frango local” ou no “leite” — os pais já enviaram os números do lote do leite consumido pelo menino e insistem agora em que se façam rastreios para averiguar se há mais casos de campilobacteriose nos concelhos de Vila Franca de Xira e Alenquer. Até porque este não é o primeiro: um outro bebé de dois meses esteve internado no mesmo hospital, mas teve alta no domingo.

O Observador tentou contactar a Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo. À SIC, o hospital confirmou estes dois casos, mas afastou a hipótese de existir um surto e garantiu que o bebé está neste momento internado “por mera vigilância clínica”. “Em ambas as situações foram seguidos os procedimentos clínicos indicados”, acrescentou.