Era uma final que parecia enviesada desde o instante inicial — e tudo porque ele estava lá. Unai Emery, o senhor Liga Europa, tinha a possibilidade de conquistar a mesma competição pela quinta vez e com o terceiro clube diferente, prolongando e alargando um registo que já não tem grande explicação através das vias mais racionais. Como não podia deixar de ser, não falhou. E o Aston Villa agradeceu.
Contudo, foi preciso jogar a final. Em Istambul, no Besiktas Park, Aston Villa e Friburgo encontravam-se na final da Liga Europa depois de terem afastado, respetivamente, Nottingham Forest e Sp. Braga. De um lado, os ingleses procuravam conquistar o terceiro troféu europeu da sua história, depois das míticas Taça dos Campeões Europeus e Supertaça Europeia de 1982, e juntar o feito a uma Premier League onde mantêm a esperança de ficar no quarto lugar; do outro lado, os alemães corriam atrás do primeiro troféu europeu de sempre, do melhor e maior dia da história do clube e do culminar de um projeto que há uma década estava na segunda divisão.
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“Há três anos chegámos às meias-finais da Liga Conferência, no ano passado jogámos os quartos de final da Liga dos Campeões e este ano estamos na final da Liga Europa. Já disputámos jogos suficientes na Europa e essas experiências são muito importantes para nós. Este é um novo desafio que temos, todos juntos, e estamos confiantes. Os jogadores estão aqui porque merecem. Vamos tentar jogar com personalidade e a única forma de jogador com personalidade, de jogar com confiança, é sermos muito intensos”, disse Unai Emery na antevisão da partida.
Já Julian Schuster, naturalmente, mostrou-se deslumbrado com a ideia de disputar uma final europeia. “É realmente especial. Até há pouco tempos estávamos na segunda divisão e agora vamos disputar uma final europeia. Tenho total confiança na minha equipa e são eles que me dão essa convicção. Temos muito talento e confiança para enfrentar uma grande equipa, liderada por um grande treinador. Será um enorme desafio, mas é fantástico para nós”, atirou o treinador dos alemães, que ficaram no sétimo lugar da Bundesliga.
Assim, na Turquia, Unai Emery apostava no crónico Ollie Watkins como referência ofensiva, apoiado por Emiliano Buendía, Morgan Rogers e John McGinn, com o ex-Benfica Lindelöf a aparecer ao lado de Tielemans no meio-campo. Já Julian Schuster lançava Igor Matanovic na frente, com Vincenzo Grifo, Johan Manzambi e o também ex-Benfica Jan-Niklas Beste nas costas. Nas bancadas, como já se tornou habitual, estava o príncipe William, filho mais velho do rei Carlos III de Inglaterra, fervoroso adepto da equipa de Birmingham.
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Numa primeira parte bastante discutida, Aston Villa e Friburgo confirmaram as antevisões que foram feitas à final: os ingleses tinham mais bola e pareciam reivindicar para si o ascendente, mas os alemães não precisavam de muito espaço para criar perigo e visavam a baliza contrária sempre que tinham essa oportunidade. Igor Matanovic comprovou isso mesmo logo nos instantes iniciais com um cabeceamento ao lado (1′), Morgan Rogers atirou de fora de área para Noah Atubolu defender (3′) e a verdade é que, depois disso, as oportunidades escassearam.
Morgan Rogers voltou a testar a meia-distância com um novo pontapé de fora de área, desta feita ao lado (10′), e Nicolas Höfler respondeu do outro lado com um remate já na grande área que também falhou o alvo (17′). O jogo partiu ligeiramente a partir da meia-hora, com muito espaço a surgir na zona do meio-campo e as duas equipas a entrarem numa lógica de parada-resposta, e Johan Manzambi testou os reflexos de Emiliano Martínez com um remate de longe que o argentino encaixou (34′). Pouco depois, a eficácia falou mais alto.
Canto cobrado à maneira curta na esquerda, cruzamento de Morgan Rogers para a área e Tielemans, vindo de trás e com um ótimo pontapé de primeira e sem deixar a bola cair no chão, abriu o marcador (40′). Os ingleses forçaram nos descontos, somaram cantos consecutivos e Emiliano Buendía, recebendo descaído na direita à entrada da grande área, atirou um remate perfeito, em jeito, que não deu hipótese a Noah Atubolu e aumentou a vantagem (45+3′). Ao intervalo da final da Liga Europa, em Istambul, o Aston Villa estava a vencer o Friburgo.
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Nenhum dos treinadores fez alterações no início da segunda parte e não foi preciso esperar muito para perceber que os ingleses queriam resolver o assunto o mais depressa possível. Emiliano Buendía atirou já na área para Noah Atubolu defender (50′) e, logo depois, o terceiro golo apareceu mesmo: Buendía desequilibrou na esquerda, cruzou rasteiro para a área e Morgan Rogers, com uma grande antecipação, desviou junto ao poste para marcar (57′).
Julian Schuster respondeu com duas substituições, lançando Lucas Höler e Max Rosenfelder, enquanto que Unai Emery colocou Amadou Onana. O mesmo Onana acertou no poste de cabeça instantes depois de entrar (70′), Buendía ficou muito perto de bisar depois de uma deliciosa jogada coletiva (75′) e já nada mudou, com os alemães a demonstrarem natural dificuldade para ir atrás do resultado e Jadon Sancho, Ian Maatsen, Douglas Luiz e Tyrone Mings a terem ainda alguns minutos.
No fim, o Aston Villa venceu o Friburgo e conquistou a Liga Europa pela primeira vez, voltando a festejar um troféu europeu mais de 40 anos depois e voltando a ganhar um título mais de 30 anos depois da Taça da Liga de 1995/96. Unai Emery alargou o próprio recorde e ganhou a segunda competição europeia pela quinta vez e pelo terceiro clube diferente — mantendo a coroa para recuperar o trono à boleia da equipa do príncipe que vai ser rei.
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