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Primeiro comboio de alta velocidade deve chegar no primeiro trimestre de 2031

Concurso para a compra de 12 comboios de alta velocidade, com mais oito opcionais, tem um valor base de 504 milhões de euros. Interessados devem apresentar propostas até 2 de julho.

Ana Sanlez
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Ana Suspiro
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A CP espera receber o primeiro comboio de alta velocidade no primeiro trimestre de 2031. O concurso internacional para a compra das automotoras que vão realizar este serviço foi lançado esta quarta-feira e tem um preço base de 504 milhões de euros.

Em comunicado, o Ministério das Infraestruturas adianta que o concurso, lançado pela CP, inclui o fornecimento e a manutenção “integral” dos comboios de alta velocidade, “a executar pelo adjudicatário nos dois anos subsequentes à receção do primeiro comboio”. O concurso “prevê a compra de 12 automotoras de alta velocidade, respetivas peças de parque e ferramentas especiais bem como a opção de compra de mais oito automotoras“, revela o ministério de Miguel Pinto Luz.

Os interessados podem entregar propostas até 2 de julho, “sendo que após 44 dias finda o prazo para a decisão de qualificação dos concorrentes”, adianta o Governo. “O calendário do concurso prevê a assinatura do contrato no primeiro trimestre de 2027, sendo que o primeiro comboio deve ser entregue no primeiro trimestre de 2031“. Na apresentação do concurso, na sede do Governo, o presidente da CP, Pedro Moreira, adiantou que “se correr como previsto”, que é a entrega de um comboio por mês, “a conclusão será no terceiro trimestre de 2032“.

A alta velocidade vai assegurar a ligação entre Lisboa e Porto em 1h15 minutos. Os comboios vão ter mais de 500 lugares, e segundo Pedro Moreira, presidente da CP, a empresa “irá valorizar um número superior de lugares, sempre tendo em conta o conforto” dos passageiros. Os comboios devem atingir uma “velocidade comercial máxima igual ou superior a 300 km/h” e estarão “adaptados para pessoas com mobilidade reduzida”.

Serão compatíveis com a bitola ibérica mas estarão preparados para circular em bitola europeia, adiantou Pedro Moreira, “quando existir uma reconversão da infraestrutura, apenas substituindo os rodados”.  As automotoras vão ainda incluir “lugares para bicicletas bem como sistema de infotainment, Wi-fi, tomadas USB-C e sistema de videovigilância”.

O presidente da CP revelou que no que toca à alta velocidade, “existe muito trabalho em desenvolvimento, nomeadamente o estudo de implementação de alta velocidade através de futuras ligações internacionais”, no âmbito das quais a CP “está a estudar a possibilidade de nos ligarmos a Vigo, Corunha ou até mesmo Madrid“.

Também está a ser otimizado o modelo de governo e o modelo de negócio do serviço de alta velocidade, “porque estando a operar em mercado liberalizado queremos ser altamente competitivos nesse setor”, sublinhou Pedro Moreira. A CP também está a estudar “a maximização da infraestrutura numa lógica de rede integrada, tornando o serviço ferroviário mais atrativo e criando um efeito de rede, não só utilizando separadamente a linha de alta velocidade, mas olhando para a infraestrutura ferroviária como um todo”.

Esta quarta-feira, no parlamento, Pinto Luz revelou ainda que os comboios de alta velocidade vão ser propriedade da CP, que fica responsável pelo seu financiamento, através de recursos próprios e endividamento.

Na apresentação do concurso, Pinto Luz disse que este é “um dia de festa” para o setor. Isto apesar do atraso de um ano do lançamento do concurso. “Já devíamos ter feito isto há um ano, não o conseguimos fazer, estamos a fazer agora”. O ministro disse ainda que é uma “boa notícia” a CP estar alinhada com o calendário de construção da linha de alta velocidade da IP e de que este projeto faz parte da intenção do Governo de “empoderar a CP”, ao contrário do que “tantas vezes me foi apontado que tinha um objetivo escondido de destruir a CP”.

(Notícia atualizada às 17h30 com declarações de Pedro Moreira, presidente da CP)