É o escândalo do momento que está a abalar as raízes do futebol inglês. Esta terça-feira, no mesmo dia em que o Arsenal conquistou a Premier League, a English Football League (EFL) decidiu expulsar o Southampton do playoff de acesso ao principal escalão de Inglaterra devido a espionagem das equipas adversárias.
Tudo começou no início do atual mês de maio. Depois de ficar no quarto lugar do Championship, o Southampton qualificou-se para o playoff de acesso à Premier League e tinha encontro marcado com o Middlesbrough, quinto classificado, nas meias-finais do torneio. A 7 de maio, dois dias antes da primeira mão, o Middlesbrough fez uma queixa formal junto da EFL onde alegava que um elemento da equipa técnica do Southampton tinha espiado um treino, tendo sido apanhado escondido atrás de uma árvore a filmar com o telemóvel.
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Em campo, a 9 de maio, a primeira mão terminou empatada sem golos. A 12 de maio, dia da segunda mão o Southampton foi formalmente acusado de infringir as normas da EFL em relação às acusações de espionagem — em campo, ironicamente, venceu o Middlesbrough no prolongamento e seguiu para a final do playoff, onde iria teoricamente enfrentar o Hull City, que eliminou o Millwall. No dia seguinte, o Daily Mail publicou as fotografias que mostram um analisa da equipa técnica do Southampton atrás de uma árvore, de telemóvel na mão, a espiar um treino do Middlesbrough.
A EFL anunciou que iria prosseguir a investigação através de uma comissão independente e o Middlesbrough pediu oficialmente a expulsão do Southampton do playoff — enquanto que todos os jogadores regressaram aos treinos, claramente com a indicação de que a temporada, afinal, podia ainda não ter acabado. Esta terça-feira, apareceu a decisão: o Southampton foi considerado culpado e expulso do playoff, com o Middlesbrough a ser repescado para enfrentar o Hull City no jogo que vale a valiosa promoção à Premier League, e ainda sancionado com a perda de quatro pontos no Championship da próxima época.
E mais. Para além do treino do Middlesbrough, o Southampton foi acusado de também ter espiado treinos do Oxford United e do Ipswich Town ao longo da temporada, infrações entretanto assumidas pelo clube — com o pormaior de terem todas ocorrido depois de dezembro, altura em que o alemão Tonda Eckert substituiu o despedido Will Still. Entretanto, apesar de reconhecerem os erros, os saints já anunciaram que vão recorrer por considerarem o castigo “manifestamente desproporcional quando comparado com qualquer outra sanção na história do futebol inglês”.
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Em comunicado, o CEO do clube pede desculpa aos clubes envolvidos e aos adeptos, que “mereciam mais”, e reconhece que o que aconteceu “está errado”, mas sublinha que o Southampton “não pode aceitar uma sanção que é desproporcional em relação à ofensa”, utilizando casos anteriores para justificar a posição.
“Tendo em conta as consequências financeiras da decisão, este é, por uma distância considerável, o maior castigo alguma vez imposto a um clube de futebol inglês”, escreveu Phil Parsons, recordando que, em 2019, o Leeds foi multado em 200 mil libras depois de ser apanhado a espiar treinos do Derby County. Contudo, existe uma explicação: na altura, o regulamento da EFL ainda não incluía a norma 127, que proíbe expressamente qualquer clube de observar o adversário nas 72 horas anteriores ao jogo e que foi implementada precisamente depois do caso do Leeds.
Entretanto, de acordo com o The Athletic, os jogadores do Southampton já estão a explorar opções para abrirem uma guerra legal contra o próprio clube pelos danos pessoais e profissionais causados. Segundo a notícia, o plantel já pediu aconselhamento à Professional Footballers’ Association, a associação que agrega os jogadores de futebol que atuam em Inglaterra, e tinha reunião marcada com a administração do clube para esta quarta-feira.