Na sequência de denúncias apresentadas por duas mulheres sobre episódios ocorridos no Reino Unido, a polícia de Surrey afirmou que está a investigar alegações de abuso sexual de menores por Jeffrey Epstein, descritos em ficheiros associados ao caso. Os factos remontam às décadas de 1980 e 1990, envolvendo um caso na zona sudoeste de Londres e outro em Berkshire, que se acredita estarem relacionadas à propriedade de Windsor, relata o The Guardian.
“Levamos todas as denúncias de crimes sexuais muito a sério e iremos procurar identificar quaisquer linhas de investigação razoáveis para verificar informações ou reunir provas corroborantes”, afirmaram as autoridades britânicas em comunicado. “Um dos relatos refere-se a locais em Surrey e Berkshire entre meados da década de 1990 e o início dos anos 2000. O outro remete para o período entre meados e o final da década de 1980, no oeste de Surrey”.
Até ao momento, nenhum suspeito foi detido ou interrogado e as autoridades já entrevistaram as alegadas vítimas. A investigação é a primeira conduzida pela polícia britânica a incidir sobre alegações de abuso contra mulheres no processo que envolve o magnata norte-americano, que morreu na prisão em 2019 antes de chegar a ser julgado pelas acusações de tráfico sexual de que era alvo por parte da justiça federal dos Estados Unidos.
Depois da publicação documentos do caso Epstein em dezembro de 2025, a polícia de Surrey começou a avaliar a necessidade de uma investigação criminal. Em fevereiro deste ano, “tomou conhecimento de um ficheiro com excertos omitidos, alegando tráfico humano e abusos sexuais contra uma menor em Virginia Water, Surrey, entre 1994 e 1996”, apelando a que qualquer pessoa com informações relacionadas com estas alegações que entrasse em contacto. “Recebemos, consequentemente, várias denúncias, que estamos neste momento a analisa”, afirmaram as autoridades em comunicado.
As investigações britânicas incluem várias suspeitas, entre as quais a alegada utilização do jato privado de Epstein em esquemas de tráfico sexual, bem como a alegação de que o antigo príncipe André terá partilhado com o magnata norte-americano documentos confidenciais na altura em que desempenhava funções como enviado do Reino Unido para o comércio internacional.
As autoridades, de acordo com o The Guardian, receiam que os procuradores possam mostrar relutância em avançar com acusações, a menos que a administração Trump concorde em disponibilizar os documentos originais dos ficheiros de Epstein.