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Críticos de Trump derrotados nas primárias republicanas para as intercalares. Presidente dos EUA consolida domínio do partido

Thomas Massie e Brad Raffensperger, dois vocais críticos de Donald Trump, falharam as nomeações nos estados do Kentucky e da Geórgia, depois do Presidente dos EUA ter apoiados os adversários.

Tiago Caeiro
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Com a taxa de popularidade de Trump em mínimos e a contestação interna à guerra no Médio Oriente a subir de tom, o Presidente dos EUA conseguiu, ainda assim, uma importante vitória política nas primárias do Partido Republicano que decorreram esta terça-feira em vários estados, com vista às eleições intercalares de novembro. Thomas Massie e Brad Raffensperger, dois vocais críticos de Donald Trump, foram derrotados nas primárias dos estados do Kentucky e da Geórgia, respetivamente.

No Kentucky, o congressista Thomas Massie (eleito pelo 4.º distrito estadual para a Câmara dos Representantes, de forma consecutiva desde 2012) foi derrotado pelo ex-militar das forças especiais da Marinha Ed Gallrein, que foi apoiado por Donald Trump, e que recolheu 55% dos votos republicanos. Massie ficou-se pelos 45%. “Ele merece perder”, reagiu o Presidente norte-americano.

No último domingo, o Presidente dos EUA recorreu à rede social Truth Social para atacar Massie, classificando-o como o “pior e menos fiável congressista republicano da história” dos EUA. Já antes, Trump tinha chamado a Massie  “idiota”, “maluco” e “perdedor”.

Massie tem sido um dos mais vocais críticos das políticas de Trump, tendo votado contra os projetos de lei de cortes de impostos e de gastos federais. Foi também Thomas Massie que liderou, juntamente com outros congressistas democratas, o grupo de pressão no Congresso que conseguiu levar o Departamento de Justiça a divulgar os ficheiros, anteriormente confidenciais, do caso Jeffrey Epstein.

Massie é também um crítico da intervenção militar norte-americana no Irão e na Venezuela e tem criticado publicamente a ajuda militar prestado pelos EUA a Israel, bem como a ação militar das forças israelitas na Faixa de Gaza e no Líbano.

https://observador.pt/2026/05/17/senador-bill-cassidy-perde-primarias-republicanas-e-torna-se-vitima-da-purga-de-trump-contra-opositores-internos/

As primárias republicanas no 4.º distrito do Kentucky assumiram grande destaque nas últimas semanas. Numa atitude pouco comum, um alto quadro da Administração Trump, no caso o Secretário da Defesa, Pete Hegseth, viajou para o Kentucky para fazer campanha por Ed Gallrein. Também Trump esteve no Kentucky em março ao lado de Ed Gallrein.

Primária republicana entre Massie e Gallrein foi a mais cara de sempre para a Câmara dos Representantes

A disputa entre Massie e Gallrein pela nomeação republicana tornou-se mesmo na primária para a Câmara dos Representantes mais cara da história dos Estados Unidos, tendo mobilizado um investimento de 34 milhões de dólares (cerca de 29 milhões de euros) por parte de ambas de campanhas.

Gallrein tem a eleição para a Câmara dos Representantes praticamente garantido, num 4º distrito estadual fortemente conservador, e que o Partido Republicano venceu com 30 pontos de diferença em 2022.

Outro dos derrotados da noite eleitoral foi o atual secretário de Estado da Geórgia Brad Raffensperger, que concorria para a nomeação republicana a governador do estado. Numa disputada a três, Raffensperger recolheu apenas 15% dos votos. Como nenhum dos candidatos atingiu os 50%, haverá uma segunda volta das primárias republicanas, disputada entre o atual vice-governador da Geórgia Burt Jones (apoiado por Trump) e o bilionário Rick Jackson.

O atual secretário de Estado da Geórgia Brad Raffensperger, um conhecido crítico de Trump, saltou para a ribalta mediática em 2020, quando recusou os apelos do então presidente norte-americano para reverter os resultados das eleições presidenciais no estado, que tinha sido ganho por Joe Biden por uma curta margem de 11 mil votos. Donald Trump foi acusado de interferência no processo eleitoral mas, em novembro de 2025, um juiz retirou a acusação contra o chefe de Estado dos EUA.

https://observador.pt/2025/11/26/juiz-retira-acusacao-contra-trump-por-interferencia-eleitoral-na-georgia-em-2020/

O candidato republicano que sair das primárias enfrentará a ex-presidente da Câmara de Atlanta, Keisha Lance Bottoms, que venceu as primárias democratas na primeira volta.

No Alabama, Tommy Tuberville, um aliado de Trump, venceu as primárias republicanas para governador, enquanto o ex-senador Doug Jones garantiu a nomeação pelo Partido Democrata. Já no sábado, o senador Bill Cassidy (republicano da Louisiana) tinha perdido as primárias republicanas para Julia Letlow, depois que Trump ter incitado os eleitores do estado a destituí-lo — devido ao facto de Cassidy ter votado a favor da condenação de Trump no segundo julgamento de impeachment, por incitamento a uma insurreição, no dia 6 de janeiro de 2021. Há quase uma década que um senador republicano não perdia as eleições internas do partido para se poder recandidatar ao lugar que ocupa.

As eleições primárias desta terça-feira decorreram em simultâneo em seis estados – Kentucky, Pensilvânia, Geórgia, Alabama, Oregon e Idaho. De acordo com o site especializado em projeções 270towin, que agrega várias sondagens, os democratas deverão assumir o controlo da Câmara dos Representantes a partir de novembro (atualmente nas mãos dos republicanos), elegendo 216 congressistas contra 202 republicanos, havendo ainda 17 lugares em distritos extremamente competitivos que podem ‘cair’ para qualquer um dos partidos. O Senado deverá manter-se sob controlo do Partido Republicano.