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NATO admite "pensar" em missão no Estreito de Ormuz, mas divisão interna trava plano formal

Apesar de o comandante supremo da aliança admitir que o cenário está em análise, NATO não pode avançar sem "decisão política". "Vários aliados apoiam uma missão da NATO", mas a "oposição é clara".

Mariana Furtado
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Acompanhe o nosso artigo em direto sobre a guerra no Médio Oriente

A NATO quebrou o silêncio sobre uma intervenção na crise no Estreito de Ormuz. Após a agência Bloomberg ter avançado que a Aliança Atlântica equaciona uma ação militar caso o bloqueio iraniano persista até julho, o comandante supremo aliado, General Alexus Grynkewich, veio clarificar o estado de prontidão da organização.

Embora tenha confirmado que a Aliança não está “ainda” a desenhar planos operacionais formais, Grynkewich admitiu estar a pensar nisso: “Se estou a pensar nisso? Sem dúvida”, afirmou aos jornalistas em Bruxelas, sublinhando que o planeamento formal só terá início quando houver luz verde dos líderes aliados.

“A orientação política vem em primeiro lugar, e só depois é que se procede ao planeamento formal. (…) Mas ainda não há qualquer planeamento enquanto a decisão política não for tomada”, disse Alexus Grynkewich em Bruxelas, onde se reuniu com os chefes militares dos países da aliança. “As condições em que a NATO consideraria intervir no Estreito de Ormuz são, em última análise, uma decisão política”, esclareceu ainda.

Ainda segundo a agência Bloomberg, esta eventual missão militar da NATO — destinada a garantir a circulação marítima num dos pontos mais vitais do comércio global — deverá dominar a Cimeira de Ancara, marcada para os dias 7 e 8 de julho.

A pressão para uma intervenção da NATO no Estreito de Ormuz intensifica-se à medida que o bloqueio iraniano, iniciado em fevereiro após a ofensiva militar dos EUA e de Israel, afeta a economia global com a subida dos preços do petróleo e dos custos logísticos.

Apesar de Donald Trump ter repreendido os membros da Aliança pela relutância em agir, o consenso político continua distante. Segundo diplomatas consultados pela Reuters, a resistência interna é significativa porque “muitos aliados não veem um papel para a NATO, enquanto tal, nesse esforço”.

O impasse reflete o receio europeu de um envolvimento direto numa guerra para a qual não foram consultados. Enquanto alguns membros defendem que “a NATO deve desempenhar um papel em Ormuz” por possuir “muitas capacidades marítimas”, outros temem as consequências diplomáticas.

Um diplomata explicou que a principal barreira é a “relutância em ser vista como parte no conflito”, o que tem travado o planeamento formal da organização em prol de coligações voluntárias e menos abrangentes.

Perante estas divisões, a viabilidade de uma operação sob a bandeira da aliança é posta em causa. Embora existam países favoráveis, um dos diplomatas foi categórico ao afirmar que “vários aliados apoiam uma missão da NATO no Estreito de Ormuz, mas a oposição é clara — é por isso que temos uma coligação”.

Esta fragmentação interna leva fontes próximas do processo a antecipar um desfecho negativo para as pretensões americanas: “Não creio que venha a haver uma missão formal da NATO”.