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Museu Arpad Szenes Vieira da Silva cruza gerações em novo ciclo expositivo

Museu lisboeta junta obras de Carlos Noronha Feio, João Paulo Feliciano, Mariana Caló, Francisco Queimadela, Sara & André e Lourdes Castro ao universo do casal Szenes-Vieira da Silva.

Agência Lusa
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O Museu Arpad Szenes — Vieira da Silva, em Lisboa, inaugura na quinta-feira um novo ciclo expositivo com obras de artistas contemporâneos em diálogo com Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes, reunindo instalações, pintura, gravura e desenho.

A nova programação do museu, centrada na experimentação espacial e visual, acolherá trabalhos de Carlos Noronha Feio, João Paulo Feliciano, Mariana Caló, Francisco Queimadela, da dupla Sara & André e de Lourdes Castro, estabelecendo relações entre diferentes gerações e linguagens artísticas.

No núcleo dedicado à pintora Vieira da Silva, destaca-se Atelier, Lisbonne (1934-1935), considerada uma das obras mais emblemáticas do percurso da artista, pintada entre Lisboa e Paris, e centrada na investigação da perspetiva e da profundidade do espaço, recorda o museu, num texto curatorial sobre as novas exposições.

Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) desenvolveu numerosos estudos em desenho e pintura, designados por “recherches” e “compositions”, explorando formas de desconstrução espacial inspiradas na tradição da perspetiva renascentista e nas linguagens modernistas do século XX.

Entre essas experiências encontra-se também “Composition” (1936), pintura em que um detalhe de “Atelier, Lisbonne” é isolado e retrabalhado, criando “um emaranhado de planos que desafia a perceção do espetador”, aponta o museu.

Em diálogo com este universo surge uma instalação da jovem dupla de artistas Sara & André, concebida inicialmente para ocupar o espaço do ateliê e descrita como “um ensaio de tridimensionalização espacial”.

O percurso expositivo inclui igualmente um conjunto de gravuras de Arpad Szenes (1897-1985) produzidas a partir de técnicas como água-forte, água-tinta e litografia, realizadas para acompanhar textos de escritores como Claude Esteban, Jocelyne François, Jacques Bussy e Lorand Gaspar, que influenciaram o universo artístico do artista.

As obras remetem para uma estética de paisagem inspirada no Extremo Oriente, “marcada pela fluidez do gesto e pela relação entre artista e natureza”, refletindo a importância da gravura no percurso de Szenes desde os anos de formação no Atelier 17, em Paris.

Sob o título “Triângulo ao Quadrado”, a exposição reúne também obras iniciais da artista Lourdes Castro (1930-2022) sobre papel, realizadas após a sua chegada a Paris, em 1958, onde conviveu com o casal Arpad Szenes e Vieira da Silva.

Estes trabalhos experimentais revelam influências das correntes artísticas então emergentes na capital francesa e testemunham a relação de amizade e correspondência mantida entre os artistas durante várias décadas.

Carlos Noronha Feio apresentará, por seu turno, “Arborescências”, instalação concebida especificamente para o museu e composta por imagens fotográficas impressas sobre grandes planos de seda suspensos no espaço, enquanto João Paulo Feliciano exporá “Obras de juventude, 1981-1982” e “Da capo”, conjunto de pinturas de pequeno formato produzidas entre 2021 e 2026.

A exposição dedicada a Feliciano traça ligações entre o início autodidata da sua prática pictórica — motivada por um livro sobre Vieira da Silva oferecido por Leonor Nazaré — e trabalhos recentes que cruzam abstração e figuração, paisagem e natureza-morta.

O universo visual do percurso desta exposição é marcado por estruturas, redes, padrões e formas em transformação, descreve o museu.

Por seu turno, Mariana Caló e Francisco Queimadela apresentam “Reflexo de adorar”, instalação criada para o espaço da fundação, dando continuidade a uma investigação sobre cor, velaturas, espelhos e imagens de desejo e devoção, a partir de referências da história da arte, da mitologia e da cultura contemporânea.

Segundo o museu, este segundo ciclo expositivo visa “reforçar o diálogo entre a coleção histórica e práticas contemporâneas”, propondo novas leituras sobre espaço, memória, imagem e experimentação artística.