No futebol, o “quando” sempre se sobrepôs ao “se”. Nunca houve carreiras ou ligações contratuais eternas, mesmo quando tudo parece ser um conto de fadas e se deseja que as figuras fiquem para sempre. A vítima desse fenómeno é agora o Manchester City, cujo treinador, Pep Guardiola, parece estar de saída. O jogo de despedida deverá ser com o Aston Villa, embora, uma semana antes, na final da Taça de Inglaterra diante do Chelsea, o técnico tenha negado esses rumores cada vez mais insistentes. Ainda assim, a imprensa britânica garante que é o fim da relação entre Guardiola e os sky blues. Enzo Maresca, apontado como sucessor, herda um legado pesado: uma Liga dos Campeões, seis Premier League, três Taças de Inglaterra, cinco Taças da Liga, três Supertaças, uma Supertaça europeia e um Mundial de Clubes.
https://observador.pt/2026/05/19/londres-e-pequena-para-quem-nunca-deixou-de-ser-grande-arsenal-aproveita-empate-do-man-city-e-sagra-se-campeao-ingles-22-anos-depois/
É um anúncio que está, ao que tudo indica, iminente, sendo que a imprensa inglesa garante que o clube já comunicou aos patrocinadores a sua decisão e que, na antecâmara do jogo desta terça-feira, Guardiola até se terá despedido dos seus jogadores. A deslocação do Manchester City a casa do Bournemouth acaba por ficar ligada a uma das piores imagens do clube com Pep Guardiola, já que os citizens estiveram a perder desde o final da primeira parte até ao final do jogo, altura em que Erling Haaland empatou. O City estava obrigado a ganhar para evitar o 14.º título do Arsenal, algo que acabou por acontecer. O que ficou na retina foi a imagem de uma equipa resignada e sem ter fulgor para inverter a tendência de um jogo frente a uns cherries que são a equipa em melhor forma da Premier League. Contudo, Guardiola tem agora quatro dias para inverter o cenário negativo e despedir-se do Ettihad, frente ao Aston Villa, com uma vitória.
Segundo o Daily Mail e a BBC, Pep Guardiola deverá anunciar a sua decisão no domingo, estando prevista, para segunda-feira, uma homenagem ao catalão, que deverá percorrer as ruas de Manchester num autocarro de descapotável. A concretizar-se, o treinador vai despedir-se do Manchester City ao cabo de uma década de ligação e um ano antes do final do seu contrato, não havendo qualquer indicação sobre o seu futuro. Quando ao que será a próxima época dos sky blues, prevê-se que Enzo Maresca seja o novo comandante no banco de suplentes, regressando a Manchester três anos depois de ter sido adjunto de Guardiola. De acordo com Fabrizio Romano, o italiano já terá “um acordo verbal total” com o clube, tendo sido considerado “o candidato ideal para suceder a Pep Guardiola” pela estrutura que contempla o português Hugo Viana numa lista onde constaria também Cesc Fábregas (Como). O contrato deverá ser válido por três temporadas.
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Apesar de estar tudo alinhavado em Manchester no que toca ao presente e ao futuro, o mesmo não se pode dizer de Londres, com o Chelsea a prometer intrometer-se no negócio entre Enzo Maresca e os citizens. O treinador italiano começou esta época – e a anterior – nos blues, mas os maus resultados levaram ao seu despedimento no final de dezembro. A saída de Stamford Bridge acabou por não ser tranquila para Maresca, tendo ficado marcada por várias polémicas, ainda que as duas partes tenham chegado a mútuo acordo. De acordo com o The Telegraph, Maresca terá comunicado à direção do Chelsea que está em negociações com o Manchester City, o que pode levar os londrinos a exigirem ao rival uma indemnização, tendo como base a saída de Maresca e a revelação do que aconteceu nos meses anteriores ao seu despedimento.
Nesse sentido, o Chelsea já estará a preparar uma queixa que deverá entrar na Liga inglesa nos próximos dias. A partir daí, a Premier League terá de apurar os factos, tendo como base o seu próprio regulamento. O processo deverá ter início no momento em que Enzo Maresca seja oficializado como o novo treinador do Manchester City. Apesar dos eventuais futuros desenvolvimentos, o italiano estará alheado de tudo isso, tendo optado por se resguardar publicamente depois de ter deixado o Chelsea (que apostou para 2026/27 em Xabi Alonso). Nesse sentido, só deverá falar à imprensa quando for apresentado no novo clube.