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“Star Wars: The Mandalorian and Grogu”: uma vibrante aventura interplanetária que até conta com Martin Scorsese e Sigourney Weaver

"Star Wars: The Mandalorian and Grogu" substitui-se à quarta temporada da série, e tem ação e peripécias suficientes para encher vários episódios desta. Eurico de Barros dá-lhe três estrelas.

Eurico de Barros
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Martin Scorsese pode acrescentar aos seus créditos de ator uma participação em Star Wars: The Mandalorian and Grogu, de Jon Favreau. O realizador de Taxi Driver não aparece em pessoa, mas dá a voz a um das criaturas alienígenas que povoam o filme, um pequeno símio com quatro braços que tem uma rulote de sandes na principal metrópole do planeta Shakari, e paga proteção, como os outros comerciantes da cidade, ao vilão local que está bandeado com as forças do Império, e sobre o qual o Mandalorian lhe vem extrair informações. A piscadela de olho é óbvia e divertida: o autor de alguns dos melhores filmes de mafiosos já feitos é a voz de uma personagem cujo habitat é um grande urbe (neste caso, galáctica), e é vítima dos mafiosos locais.

[Veja o “trailer” de “Star Wars: The Mandalorian and Grogu”:]

https://www.youtube.com/watch?v=uwild1rw7Aw

Bestiário alienígena é, aliás, o que não falta a Star Wars: The Mandalorian and Grogu (além dos dróides e dos robôs gigantes). Há um pelotão de monstros-gladiadores de todos os tamanhos, feitios e aptidões (um deles é pequenino mas dá choques elétricos de alta voltagem), ratos de esgoto matulões, raias carnívoras, uma serpente-dragão aquática de tamanho XXL que podia pertencer ao universo de O Senhor dos Anéis, uma criatura lupina de enormes dentuças, um pacato lagartóide que vive da pesca, um quarteto de minúsculos macaquitos do planeta Adelphi, mecânicos de naves espaciais e amigos dos nossos heróis, e ainda três membros da bojuda família Hutt: Rotta, o filho (bonzinho) e dois irmãos gémeos (maus como as cobras) do defunto Jabba the Hutt.

Escrito por Favreau, Dave Filoni e Noah Kloor, Star Wars: The Mandalorian and Grogu poderá ser o primeiro filme de uma nova série da franquia, protagonizada por estas duas personagens da série de streaming homónima. E se deixa a impressão de ser um episódio desta “esticado” para durar duas horas e meia, ou melhor ainda, se tem ação, peripécias e personagens suficientes para preencher três ou quatro episódios, é porque foi concebido a partir de material escrito para a quarta temporada de The Mandalorian and Grogu, quando a greve dos argumentista e atores de Hollywood de 2023 acabou por levar a Disney ao seu cancelamento, e a optar por uma fita de longa-metragem.

[Veja uma entrevista com Jon Favreau, Pedro Pascal e Sigourney Weaver:]

https://www.youtube.com/watch?v=IAlID0tnkJA

Este novo título do conjunto de filmes, séries de televisão e streaming e animações com que a Disney tem continuado (poucas vezes da melhor forma, e nem sempre com os melhores resultados criativos e comerciais), e ampliado a saga original de George Lucas, incluindo-lhe novas personagens e chamando para primeiro plano personagens secundárias, caso do Mandalorian, está concebido para atrair uma nova geração de fãs, e da série em particular. Mas pode também ser apreciado por aqueles seguidores originais de Star Wars que, ao contrário dos mais fundamentalistas, não desistiram dela após a venda à Disney, embora mantenham sempre um olhar muito crítico.

[Veja uma sequência do filme:]

https://www.youtube.com/watch?v=WEAZDT4_C_g

Star Wars: The Mandalorian and Grogu combina, destra e satisfatoriamente, a ficção científica da vertente space opera de série B que inspirou George Lucas na origem, e a comédia intergaláctica, num enredo em que o Madalorian (Pedro Pascal, que só por uma vez tira o capacete) e o pequeno Grogu seu aprendiz, são encarregues pela Nova República de uma perigosa missão que envolve o clã dos Hutt e a captura de um criminoso e senhor da guerra ligado ao recém-derrotado Império (recorde-se que a ação da série, e deste filme, decorre após os acontecimentos narrados em O Regresso de Jedi).

Há muita, vigorosa e vibrante ação em terra, no ar e na água, o Madalorian é um herói  espectacularmente eficaz na sua capacidade de devastação, Grogu não se limita ao interesse fofinho e também mete a mão (e a mente, quando usa a Força) na massa, e Jon Favreau não deixa que haja um só ponto morto que seja e faz com que esteja sempre alguma coisa a acontecer, nem que seja em segundo plano. E é um gosto vermos, no papel de uma oficial da Nova República, Sigourney Weaver. Depois dos Alien, ela fica agora também ligada a outra das mais lendárias sagas de ficção científica do cinema. (E se algum dia forem inspecionar o sistema de saneamento público e esgotos do planeta Nal Hutta, não se esqueçam de levar um comando armado com lança-chamas).