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(A) :: A minha geração não tem para onde ir

A minha geração não tem para onde ir

Vivemos mais um governo que governa para continuar a governar.

Salvador Martins da Silva
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A minha geração cresceu com 8 anos e 4 meses de Governos de esquerda, viu nascer uma geringonça que incluía partidos, significativamente, mais à esquerda que o PS. Foram 4 anos a depender, do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda para aprovar orçamentos do estado presidentes da AR, etc.

O PS desvirtuou as suas ideias de centro-esquerda, procurou agradar a todos e acabou por perder o seu core ideológico. Durante a geringonça, ficou dependente da esquerda, e depois teve de se reposicionar ao centro. O resultado foi um partido sem direcção clara, a navegar entre posições, conforme a conveniência. António Costa criou uma tendência política de líderes cinzentos, sem uma identidade ideológica definida.

Foram anos em que Portugal cresceu acima da média europeia, como António Costa tanto defendeu. Mas enquanto, repetidamente, aclamava esta grande conquista histórica do nosso país, esquecia-se de explicar que também ficou na metade interior da tabela dos países que mais cresceram. Tal como a magnifica descida de 10% na taxa de desemprego, justificada em grande parte pela criação de postos de trabalho precários e uma queda na produtividade, que representa 70% da média europeia.

Hoje, a cara do governo não é a mesma. A quase década de socialismo que pairou por Portugal, terminou. Quis tentar perceber o que mudou. Encontrei pouco. O PSD, partido que proclamou ser a alternativa reformista tem se mantido fiel à postura de António Costa. Um cinzentismo, uma “quarta-feira”,” uma ida à loja do cidadão”, citando Nuno Costa Santos. Vivemos mais um governo que governa para continuar a governar.

A crise da habitação é talvez o principal problema que os jovens portugueses mais sentem na pele. Um jovem médio sai de casa dos pais por volta dos 29 anos. Será que a isenção de IMI/IMT na compra da primeira habitação permitiu de facto aos jovens portugueses comprar casa? Sim, se não for médio.  Qual foi o impacto real das medidas implementadas pelo governo?

A oferta de habitação em Portugal, no curto prazo, é inelástica, ou seja, não há casas novas a aparecer, rapidamente, no mercado. Uma medida que reduz o custo de compra, aumenta a procura. Vejamos, a oferta reage pouco no curto prazo, portanto esse aumento da procura, sem aumento de habitação disponível, vai traduzir-se, apenas, num aumento dos preços.

No fundo, esta brilhante solução estrutural teve um impacto marginal. Como este há mais exemplos. O cerne do problema nunca é atingido. Ou há um habilidoso alívio fiscal ou um apoio social, que ardilosamente mascara a falta de planeamento a médio longo prazo.

Se somos o sétimo país da União Europeia com menos habitação pública não faria mais sentido cumprir os programas que o governo se propõe a executar?

Veja-se, Portugal entre 2011 e 2021, conseguiu diminuir, sim diminuir   o número de habitação pública disponível em 105 casas. Representando 2 % do parque habitacional, muito diferente dos 8% da média europeia.

O nosso futuro não deveria depender de uma estratégia de políticas públicas simbólicas. Mas não pensemos mais nisso. Agora o importante é ganhar o Mundial, depois mete-se Agosto, e em Setembro já estamos a entoar os mesmos cânticos do Natal passado.

Depois resolve-se.