A antiga estrela mundial de ténis Billie Jean King licenciou-se na segunda-feira, aos 82 anos, em História, mais de seis décadas depois de ter interrompido os estudos para seguir a carreira desportiva. “Yeah, querida, foram só 61 anos”, afirmou em tom de brincadeira na cerimónia de graduação.
Billie Jean King começou a destacar-se aos 18 anos, na Cal State Los Angeles, ao vencer o torneio de pares de Wimbledon, ainda matriculada no ensino superior. Deixou a universidade em 1964 para se dedicar ao ténis profissional, recorda o The Guardian. E o resto é história: ganhou 39 campeonatos, foi número um de ténis do mundo, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade e a Medalha de Ouro do Congresso dos Estados Unidos — tudo isto enquanto lutava pela igualdade de género e salarial.
Filha de um pai bombeiro e de uma mãe dona de casa, a tenista partilhou a importância do momento por ser a primeira da família a concluir o ensino superior. “Tal como muitos dos meus colegas finalistas, sou a primeira pessoa da minha família direta a licenciar-se”, afirmou.
Billie Jean King foi uma das atletas profissionais pioneiras a assumir-se homossexual. Conhecida pelo duelo “Battle of the Sexes” frente a Bobby Riggs em 1973 — mais tarde adaptado ao cinema num filme de Hollywood — e pela criação da Women’s Tennis Association, aproveitou a ocasião para reforçar a importância da inclusão e da igualdade. “Nunca vamos compreender a inclusão se nunca tivermos sentido a exclusão”, declarou perante milhares de estudantes.
A tenista revelou que a sua verdadeira motivação desde a infância é lutar contra a discriminação. “O ténis é um desporto global e tornou-se o meu palco, mas a igualdade era o meu sonho — tornar o mundo um lugar melhor”.
Billie Jean King terminou o discurso com um conselho para os recém-licenciados: “Divirtam-se. Sejam destemidos. E façam história”. Como ela.
Texto editado por Dulce Neto