Hugo Broos sabe bem o que é estar num Campeonato do Mundo. Em 1986, quando era central do Club Brugge depois de já ter passado uma década no Anderlecht, fez parte da mítica seleção da Bélgica que só caiu nas meias-finais do Mundial com dois golos de Diego Armando Maradona. 40 anos depois e novamente com o México à mistura, está de volta – e poucos diriam que seria à frente da África do Sul.
Selecionador sul-africano desde maio de 2021, o treinador belga que já conquistou uma CAN com os Camarões foi o grande responsável pelo regresso dos Bafana Bafana ao Campeonato do Mundo. Desde 2010 – ou seja, desde o Mundial que organizou – que a África do Sul estava afastada da maior competição de seleções, conseguindo agora garantir a quarta participação e a primeira desde 2002 por apuramento próprio.
Num grupo A complexo, com o anfitrião México, a difícil Coreia do Sul e a imprevisível República Checa, a África do Sul alimenta o sonho de ultrapassar a ronda inicial, algo que nunca alcançou. Para lá chegar, conta essencialmente com Lyle Foster, talentoso avançado do Burnley, e o contigente do Mamelodi Sundowns, equipa sul-africana orientada pelo português Miguel Cardoso que esteve no Mundial de Clubes no ano passado e que acabou de conquistar a Liga dos Campeões Africana.

BI
- Ranking FIFA atual: 60.º (a 1 de abril de 2026)
- Melhor ranking FIFA: 16.º (agosto de 1996)
- Patrocinador: Adidas (desde 2026)
- Alcunha: Bafana Bafana
- Presenças em fases finais: 3
- Última participação: 2010 (fase de grupos, 4 pontos com Uruguai, México e França)
- Melhor resultado: fase de grupos em 1998, 2002 e 2010
- Qualificação: 1.º lugar do grupo C do apuramento da CAF (18 pontos em 10 jogos com Nigéria, Benim, Lesoto, Ruanda e Zimbabué)
- O que seria um bom resultado? Ultrapassar a fase de grupos, algo que nunca alcançou num Campeonato do Mundo
Jogos desde junho de 2025
- Jogo particular, 29/5: Nicarágua (casa)
- Jogo particular, 31/3: Panamá (casa), 1-2 (D)
- Jogo particular, 27/3: Panamá (casa), 1-1 (E)
- CAN, 4/1: Camarões (neutro), 1-2 (D)
- CAN, 29/12: Zimbabué (neutro), 2-3 (V)
- CAN, 26/12: Egito (neutro), 1-0 (D)
- CAN, 22/12: Angola (neutro), 2-1 (V)
- Jogo particular, 15/11: Zâmbia (casa), 3-1 (V)
- Qualificação CAF, 14/10: Ruanda (casa), 3-0 (V)
- Qualificação CAF, 10/10: Zimbabué (fora), 0-0 (E)
- Qualificação CAF, 9/9: Nigéria (casa), 1-1 (E)
- Qualificação CAF, 5/9: Lesoto (fora), 0-3 (V)
- Campeonato das Nações Africanas, 18/8: Uganda (casa), 3-3 (E)
- Campeonato das Nações Africanas, 15/8: Níger (fora), 0-0 (E)
- Campeonato das Nações Africanas, 11/8: Guiné Conacri (casa), 2-1 (V)
- Campeonato das Nações Africanas, 8/8: Argélia (fora), 1-1 (E)
- Jogo particular, 29/7: Angola (fora), 1-1 (E)
- Jogo particular, 10/6: Moçambique (casa), 2-0 (V)
- Jogo particular, 6/6: Tanzânia (casa), 0-0 (E)
O onze
- 4x3x3: Ronwen Williams; Khuliso Mudau, Ime Okon, Mbekezeli Mbokazi, Aubrey Modiba; Yaya Sithole, Thalente Mbatha, Teboho Mokoena; Oswin Appollis, Tshepang Moremi e Lyle Foster
O treinador
- Hugo Broos (belga, 74 anos, desde maio de 2021)
- Outros clubes: RWD Molenbeek, Club Brugge, Excelsior Mouscron, Anderlecht, Genk, Panserraikos, Trabzonspor, Zulte Waregem, JS Kabylie, NA Hussein Dey, Camarões e Oostende
- Títulos (10): 3 Campeonatos da Bélgica (1991/92 e 1995/96, Club Brugge, 2003/04, Anderlecht), 2 Taças da Bélgica (1994/95 e 1995/96, Club Brugge), 4 Supertaças da Bélgica (1991, 1992, 1994 e 1996, Club Brugge) e 1 Taça das Nações Africanas (2017, Camarões)

O craque
- Lyle Foster (26 anos, avançado dos ingleses do Burnley)
- Outros clubes: Orlando Pirates, Mónaco, Cercle Brugge, V. Guimarães e Westerlo
A revelação
- Samukele Kabini (22 anos, defesa dos noruegueses do Molde)
- Outros clubes: Orlando Pirates e TS Galaxy
O mais internacional e o maior goleador
- Aaron Mokoena (107 internacionalizações) e Benni McCarthy (31 golos)

Os 26 convocados
- Guarda-redes (3): Ronwen Williams (Sundowns, África do Sul), Ricardo Goss (Siwelele, África do Sul) e Sipho Chaine (Orlando Pirates, África do Sul)
- Defesas (10): Samukelo Kabini (Molde, Noruega), Kulumani Ndamane (Sundowns, África do Sul), Ime Okon (Hannover 96, Alemanha), Tholo Matuludi (Polokwane City, África do Sul), Aubrey Modiba (Sundowns, África do Sul), Bradley Cross (Kaizer Chiefs, África do Sul), Olwethu Makhanya (Philadelphia Union, EUA), Nkosinathi Sibisi (Orlando Pirates, África do Sul), Khuliso Mudau (Sundowns, África do Sul) e Mbekezeli Mbokazi (Chicago Fire, EUA)
- Médios (9): Yaya Sithole (Tondela, Portugal), Tshepang Moremi (Orlando Pirates, África do Sul), Thapelo Maseko (AEL Limassol, Chipre), Themba Zwane (Sundowns, África do Sul), Jayden Adams (Sundowns, África do Sul), Thalente Mbatha (Orlando Pirates, África do Sul), Teboho Mokoena (Sundowns, África do Sul), Relebohile Mofokeng (Orlando Pirates, África do Sul) e Kamogelo Sebelebele (Orlando Pirates, África do Sul)
- Avançados (4): Iqraam Rayners (Sundowns, África do Sul), Oswin Appollis (Orlando Pirates, África do Sul), Evidence Makgopa (Orlando Pirates, África do Sul) e Lyle Foster (Burnley, Inglaterra)
O local do estágio
- Camino Real Pachuca, em Pachuca, no México (treinos: Universidad del Fútbol, San Agustín Tlaxiaca, Hidalgo)
A antevisão

A ligação a Portugal
- A ligação da África do Sul a Portugal faz-se através de Yaya Sithole – ou, como indica o documento de identificação, Sphepehlo S’Miso Sithole. Nascido em 1999 em Durban, o médio-defensivo chegou a Portugal para jogar futebol há praticamente uma década, em 2017 e ainda como adolescente, resgatado pelo Sporting aos sul-africanos da KZN Academy. Jogou nos Sub-19 dos leões e passou depois pelos Sub-23 do V. Setúbal antes de rumar à BSAD, onde se afirmou na equipa principal. Assinou pelo Tondela em 2023, esteve emprestado ao Gil Vicente na temporada passada e regressou aos beirões nesta época, somando 28 jogos e dois golos sem conseguir evitar a despromoção à Segunda Liga.