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Demografia

A tentativa de destruição da base da sociedade e dos seus valores mais sagrados, a vida e a família, levaram-nos até onde estamos hoje.

António Rocha Pinto
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Têm-se escrito artigos, dissertações, teses, sobre a demografia. O crescimento da população que não está a acontecer, o envelhecimento e a não reposição da população. Tem havido propostas, quase todas entendem que o que é preciso são “condições”, “mais dinheiro”, melhores salários, maiores benefícios fiscais. Também mais tempo, coisa que não se compra, nem se aluga.

A visão canhota diz-nos que o problema está resolvido com os imigrantes. O limite foi ter ouvido uma dirigente espanhola do Podemos a dizer que quando se conseguir a substituição (de que a extrema-direita fala) os amanhãs cantarão.

Estranhamente sociólogos, economistas e afins, não olham para a questão base por detrás da falência de todas as soluções monetarizadas que têm sido tentadas, basta ver os países nórdicos, que sempre investiram e muito nas “condições” e que têm um problema igual ou maior que todos os outros. Por oposição se formos a Marrocos onde não há “condições”, ou na Índia onde ainda há menos, o problema não se põe. É que o problema não é dinheiro, é valor, ou valores, aqueles que têm sido combatidos. A religião, primeiro, a família de pois, a estabilidade familiar e social. Tudo o que tem sido combatido. O valor da vida é tão baixo que se quer meter em lei o aborto até aos 9 meses e a eutanásia a pedido (não sabemos de quem).

Mais uma vez, os “especialistas”, economistas, sociólogos, politólogos e todos os outros “ólogos”, evitam ver as evidências: quem tem prática religiosa, seja católica, hindu, muçulmana ou comunista (lá iremos) tem mais filhos.

Nota: entendo o comunismo (do PCP) como uma religião, acreditam no amanhã que não vêem. O seu líder actual tem quatro filhos, os anteriores têm 2 filhos cada. Lembro que o PCP é contra a eutanásia. Em termos de família os militantes do PCP são tão ou mais conservadores que a “direita”.

As religiões, não as seitas (aliás muito semelhantes aos grupúsculos da extrema-esquerda, do ambiente e similares) que prevêem o fim do mundo a cada hora, são mensagens de esperança. Propõem a melhoria dos crentes, a cada dia. Ora se Deus acredita em nós e no nosso futuro, no futuro em abstracto, quem somos nós para duvidar?

Não há dados concretos (não interessa às “narrativas”), mas basta olhar, ir a uma celebração, para vermos casais jovens com vários filhos. Famílias inteiras empilhadas, avós, filhos e netos, partilhando bancos.

As religiões, todas, católica, muçulmana, hindu, são contra o aborto e a eutanásia, são, sempre a favor da vida, o passado, o presente e o futuro, tranquilo.

Lembro uma viagem a Marrocos, em conversa com um guia disse-lhe que víamos muitas crianças a irem para a escola, de bata branca, como no Portugal “antigo”. A resposta foi esclarecedora – são a nossa segurança social. Mais tarde, falando sobre a sua casa, disse que tinha muitos divãs, já que sempre que a família vinha (toda) ficava lá em casa, não faria sentido irem para um hotel. Era um crente praticante da sua fé, como a maioria dos marroquinos.

A passagem do tempo nem sempre se traduz em evolução quando não falamos de tecnologia. A tentativa de destruição da base da sociedade e dos seus valores mais sagrados (sem trocadilho), a vida e a família levaram-nos até onde estamos hoje.

Felizmente os jovens estão cada vez mais “conservadores”, cada vez mais têm prática religiosa. Perceberam, enfim, que só as religiões fazem sentido num mundo sem sentido e cada vez mais instável.

Sim, ter filhos não é uma questão de dinheiro, é uma questão de valor.