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(A) :: Acampamentos de cinco dias, corridas na abertura de portas e gás lacrimogéneo. Venda de relógios Swatch X Audemars Piguet acaba em caos

Acampamentos de cinco dias, corridas na abertura de portas e gás lacrimogéneo. Venda de relógios Swatch X Audemars Piguet acaba em caos

As duas relojoeiras suíças lançaram uma parceria que levou centenas de pessoas às lojas para obter um relógio de luxo a um preço mais acessível. Swatch encerrou lojas por "motivos de segurança".

Madalena Moreira
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Faltavam três dias para a loja da Swatch em Times Square, Nova Iorque, colocar à venda a nova coleção de relógios de bolso, que resulta de uma parceria com outra relojoeira suíça, a Audemars Piguet. Mas a fila já se formava desde domingo, dia 10 de maio. Na quarta-feira, Delorenzo, de 26 anos, ocupava o 13.º terceiro lugar na fila, sentado numa cadeira que trouxera da sua cozinha, relatou à GQ.

Este sábado, quando as portas da loja finalmente se abriram, deflagrou o caos. “Parecia um mosh pit“, descreveu ao The Guardian John McIntosh, que estava na mesma fila desde quarta-feira. Na cidade de Nova Iorque, a corrida envolveu centenas de pessoas e obrigou a polícia nova-iorquina a entrar em cena e fazer pelo menos uma detenção, segundo anunciou em comunicado.

Contudo, o caos repetiu-se um pouco por todo o mundo. As filas estenderam-se à porta das lojas da Swatch de Nova Iorque ao Dubai, passando por várias capitais europeias, incluindo Lisboa. Nos arredores de Paris, descreve o jornal britânico, a polícia recorreu a gás lacrimogéneo para afastar uma multidão de pelos menos 300 pessoas que tentava entrar numa loja e que acabou por danificar várias das grades de segurança.

https://twitter.com/AFP/status/2055721307120017766

Face às filas que se formaram durante uma semana, alguns centros comerciais — como o Dubai Mall e o Mall of the Emirates, no Dubai, ou o Westfield Mall, nos Países Baixos — decidiram mesmo cancelar os eventos de lançamento. Em algumas cidades, a polícia obrigou as lojas a fechar portas antes de todo o stock ter sido vendido, enquanto noutras os relógios esgotaram rapidamente.

Ao final da tarde do primeiro dia de vendas, a Swatch recorreu às redes sociais para anunciar que, em algumas localizações, seriam proibidas filas com mais de 50 pessoas e noutras as vendas seriam canceladas, sublinhando que “a coleção vai manter-se disponível durante vários meses”.

“Para garantir a segurança dos nossos clientes e dos nossos funcionários nas lojas Swatch, pedimos que não acorram às lojas em grandes números para adquirir este produto”, pode ler-se na mensagem publicada nas redes sociais.

https://twitter.com/Swatch/status/2055712619009380359

A febre é explicada pelos compradores com o preço mais acessível: um relógio Audemars Piguet pode custar pelo menos dois mil euros, mas na parceria com a Swatch, é possível obter um relógio com a assinatura desta marca de luxo por valores entre os 385 e os 400 euros. A coleção “Royal Pop” resulta de uma mistura entre o modelo clássico Royal Oak da AP e a linha POP da Swatch, muito popular na década de 1980 pelas cores garridas.

Ainda assim, muitos dos relógios acabaram por ser vendidos em segunda mão a preços inflacionados, perto dos dois mil euros. John e Delorenzo, os dois homens que esperavam na fila em Times Square, esperavam para entrar com esse mesmo propósito: adquirir os relógios para os revender a, pelo menos, mil dólares. Um outro homem, que conseguiu entrar na mesmo loja mas preferiu não se identificar, descreveu um cenário “alucinante e desagradável“, mas admitiu estar feliz com a compra: comprou um dos modelos de 400 dólares e revendeu-o por quatro mil.