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(A) :: O futuro de Mourinho, a inédita invencibilidade e a despedida de Pizzi: Special One confirma "conversas" com o Real Madrid

O futuro de Mourinho, a inédita invencibilidade e a despedida de Pizzi: Special One confirma "conversas" com o Real Madrid

Pela primeira vez na história do Campeonato, o terceiro classificado acabou sem qualquer derrota. Pizzi disse adeus ao futebol no dia em que Mourinho falou do Real. Decisão final só na próxima semana.

Tiago Gama Alexandre
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Quis o destino que a época do maior investimento de sempre do Benfica terminasse com a águia a regressar à Liga Europa, podendo entrar diretamente caso o Sporting vença a Taça de Portugal, ou ir para a terceira pré-eliminatória em caso de triunfo do Torreense. Ao longo dos últimos meses, a instabilidade exibicional foi palavra de ordem nas hostes encarnadas, que viram mais um treinador despedido no arranque da época. Saiu Bruno Lage e entrou José Mourinho na antecâmara das eleições mais importantes da história do clube da Luz, que culminaram na reeleição de Rui Costa à segunda volta, com o presidente a apresentar-se a votos com o mote: “Fazer o que ainda não foi feito”. Certo é que, meio ano depois, a contestação em torno da direção continua a crescer, ao mesmo tempo que o Benfica vai quebrando registo. Este sábado caiu mais um: a versão 2025/26 das águias tornou-se na primeira equipa a terminar o Campeonato sem derrotas no terceiro lugar.

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Frente ao Estoril, o Benfica resolveu cedo as contas, mas a vitória do Sporting frente ao Gil Vicente manteve as contas exatamente como estavam, com o jogo a ficar ainda marcado pelo centésimo golo de Rafa Silva ao serviço dos encarnados. Por outro lado, e apesar de terem esgotado a sua bancada no António Coimbra da Mota, os adeptos vermelhos e brancos estiveram em silêncio do início ao fim do jogo, manifestando-se apenas para aplaudir os jogadores aquando dos golos e das substituições. Olhando aos últimos sete anos, o Benfica só conquistou um Campeonato, não conquistou a Taça e acabou a Liga três vezes no terceiro lugar, conquistando ainda três Supertaças e uma Taça da Liga.

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Este Estoril-Benfica acabou por ficar ainda marcado pelo adeus de Pizzi aos relvados, num dia de grande emoção para o antigo internacional português. Antes do início do jogo, o médio foi bastante saudado no túnel de acesso ao relvado, seguindo-se, ao minuto 21, um grande aplauso de todo o estádio. Já na segunda parte, Pizzi foi substituído por Ian Cathro, tendo saído de campo saudado por todos os jogadores e as equipas técnicas, que lhe fizeram uma guarda de honra. Já depois de se ter emocionado no banco de suplentes do Estoril, a homenagem final aconteceu depois do apito final, com o clube da Linha a apresentar um vídeo com mensagens de amigos e familiares, entre eles André Almeida, Adrien Silva, Jonas, Gonçalo Ramos, André e Ricardo Horta, Sílvio Sá Pereira, Álex Grimaldo e Jardel. Para além disso, todos os clubes que Pizzi representou na sua carreira estiveram presentes na Amoreira, com destaque para Rafa Silva e Alan, os representantes de Benfica e Sp. Braga.

Para a história fica um percurso de sucesso que começou em 1999, nas camadas jovens do Mãe d’Água. Seguiu-se o Bragança, o Sp. Braga, o Ribeirão, o Sp. Covilhã e o Paços de Ferreira, antes da ida para o Atl. Madrid. Depois de ter sido emprestado ao Deportivo da Corunha e ao Espanhol, Pizzi ingressou no Benfica em 2014, despendido-se em 2021 como um dos melhores jogadores do clube da Luz no século XXI. Ao todo, o médio fez 360 jogos e anotou 94 golos e 92 assistências pelas águias, tendo conquistado o tetracampeonato, uma Taça de Portugal, três Taças da Liga e três Supertaças. Em 2019/20, Pizzi apontou 30 golos, tendo conseguido fazer o que mais nenhum médio tinha conseguido em toda a história do Benfica. Ainda assim, os números não chegaram para ingressar no Mural dos Campeões que está nas imediações do Estádio da Luz. Basaksehir, Al Wahda, Apoel e Estoril foram os últimos clubes de uma carreira que conta ainda com uma Liga Europa, nos colchoneros, e a Liga das Nações de 2019. Na Seleção acrescentam-se 17 jogos e três golos.

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“Houve vários 15 minutos à Benfica em muitos jogos. Em Famalicão houve 15 minutos à Benfica. Continuidade? Não sei. Quando souber, digo. Há hipótese de continuar, sim. A minha vontade é, esta semana, ver o que tenho. Tenho uma proposta de renovação do Benfica que agradeço. Agradeço tanto quanto a oportunidade que me foi dada de treinar o Benfica há uns meses. Nas últimas semanas não quis debruçar-me sobre o meu futuro. Nenhum de nós é parvo. Obviamente que existe alguma coisa, mas não há contrato assinado, em cima da mesa, ou conversas entre mim e o presidente do Real Madrid ou alguém importante na estrutura do clube. A única coisa real que existe é uma proposta de continuidade por parte do Benfica”, começou por dizer José Mourinho à sport tv.

“[Rui Costa] Fez um contrato comigo quando vim para cá, onde concordámos em ter uma cláusula que nos defendia em termos éticos de uma eventual derrota do presidente nas eleições. Eu tinha contrato por mais um ano, ninguém obrigava o Benfica a renovar o meu contrato. Ao não renovarmos, mantivemos esta cláusula que está aberta mais uns dias e dá-me a possibilidade de sair no caso de ser essa a minha decisão. Não tenho críticas a fazer ao presidente. Tenho mais um ano de contrato com o Benfica neste momento. [Possibilidade de ficar] É de 99%. Tenho contrato e uma proposta de renovação que não vi, mas que o meu agente me disse que é uma excelente proposta. Da parte do Real Madrid, neste momento não tenho nada a não ser conversas entre o Jorge [Mendes], o presidente e a estrutura”, revelou.

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“Real? Depende da proposta e do que querem de mim. Não estamos a falar de um euro a mais ou um euro a menos. Depende se estou em condições de atingir o que me propõem. Quero, por direito próprio, ter o meu tempo para conversar e decidir o melhor para mim. O Benfica é o Benfica e, neste momento, já não dá para disfarçar o que sinto pelo Benfica. Andei a carreira toda a disfarçar e já não dá. Despedi-me dos jogadores de um modo geral. Desejei o melhor Campeonato do Mundo aos que vão e as férias aos que não vão. Tenho um orgulho tremendo naquele balneário, no Benfica do Seixal. No grupo de jogadores e de pessoas que ali trabalham só há coisas boas. Há organização, disciplina, empatia, amizade e alegria. O terceiro lugar não reflete o trabalho que ali foi feito. Dói-me o coração ouvir algum insulto quando se chega ao estádio. A única coisa que estes rapazes levam desta época é a honra de ser a única equipa imbatível na Europa do futebol. Isso diz muito do que é esta equipa. O Benfica tem um bom grupo, tem muitas condições para ser feliz, mas não chega”, completou Mourinho numa longa flash interview.