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Bulgária vence 70.ª edição do Festival Eurovisão da Canção com Bangaranga

Canção Bangaranga de Dara liderou ambas as votações do júri e do público, algo que não acontecia desde Portugal em 2017. Israel ficou em segundo lugar e a Roménia em terceiro.

Martim Andrade
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A Bulgária ganhou a 70.ª edição do Festival Eurovisão da Canção, com o tema Bangaranga, interpretado pela cantora Dara. É a primeira vitória do país, com 516 pontos, depois de ter conseguido o segundo lugar, o melhor resultado até agora, em 2017. A final decorreu este sábado à noite em Viena, na Áustria. Israel ficou em segundo lugar, com 343, e a Roménia em terceiro, com 296.

Os vencedores chegaram à contagem final em primeiro com 204 pontos do júri e, depois dos 312 pontos do público, conseguiram solidificar o primeiro lugar para levar o festival para Sófia no próximo ano. É a primeira vez desde 2017, ano em que Portugal venceu a competição e a Bulgária ficou em segundo lugar, que uma atuação vence tanto o voto do júri como o do público.

Depois da contagem dos pontos atribuídos pelos 35 países que participaram na competição, era a Bulgária que seguia em frente, com a Austrália e a Dinamarca empatadas em segundo e terceiro, com 165 pontos. Os anfitriões, representados por Cosmó, receberam apenas um ponto do júri e cinco do público. Em último lugar ficou o Reino Unido com apenas 1 ponto.

Mas os votos do público deram uma volta aos resultados, tendo Israel recebido 220 pontos do público, o que colocou a canção israelita temporariamente em primeiro lugar. Acabou destronada quando o último anúncio, referente à Bulgária, foi revelado, dando a vitória a Dara.

Em Portugal, foi Israel quem recebeu os 12 pontos do público, seguido pela Ucrânia (10) e pela Moldávia (8). A canção vencedora recebeu 6 pontos do público português.

Finlândia e Austrália eram dadas como favoritas para a edição deste ano.

Foi JJ, o vencedor da última edição do Festival, quem abriu as festividades em Viena, não com um tema estreado nesta competição, mas sim com um clássico austríaco. Com uma curta interpretação de Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen, d’A Flauta Mágica de Mozart, JJ deu início à habitual parada de bandeiras que precede o começo oficial das performances. Cantou, também, o tema que atribuiu o papel de anfitrião à Áustria, Wasted Love, que venceu a competição em Basileia, na Suíça.

A última vez que o festival foi organizado na capital austríaca foi em 2015, após o triunfo de Conchita Wurst, numa altura em que a Eurovisão celebrava o seu 60.º aniversário. De volta em Viena para o 70.º, a ocasião foi celebrada com um medley composto por vários temas vencedores — interpretado por antigos vencedores, como Alexander Rybak (Noruega, 2009) e concorrentes das últimas edições, como foi o caso de Erika Vikman e Miriana Conte, que representaram a Finlândia e Malta respetivamente, na competição do ano passado.

A cerimónia também incluiu um tributo a Billy Joel, com a interpretação do austríaco César Sampson (que representou o país na edição de 2018 do EuroFestival) da intemporal canção Vienna, do músico norte-americano. A apresentadora Victoria Swarovski — da família que criou a marca de joalharia com o mesmo nome — e o ator Michael Ostrowski foram os responsáveis por conduzir os diferentes momentos que marcaram a cerimónia.

Esta edição, para além de ser uma efeméride, ficou também marcada por ter contado com um número significativamente reduzido de participantes. Espanha, Países Baixos, Eslovénia, Irlanda e Islândia decidiram, no final do ano passado, boicotar a sua participação no festival devido à permanência de Israel na competição. E não foi só dentro dos Estados participantes que houve polémica em torno da participação da comitiva israelita. Tal como nas últimas edições, uma vaga de protestos no exterior do recinto e até mesmo em vários países juntaram milhares de pessoas nas ruas em oposição à inclusão de Israel na lista de participantes, em conjunto com muitos que optaram por não assistir à edição deste ano em protesto.

Fora do Wiener Stadthalle, foi organizado um concerto sob o lema “No Stage for Genocide” (Não há lugar para o genocídio, em inglês), numa demonstração de apoio à causa palestiniana. “Convidar Israel para um palco tçao bonito como o do Festival Eurovisão da Canção é uma afronta para todas as pessoas que acreditam na humanidade, que acreditam no amor e na união”, afirmou à Al Jazeera o artista Patrick Bongola, um dos responsáveis pela organização do evento à margem da competição.

A canção enviada por Portugal, Rosa, cantada pelos Bandidos do Cante, não passou à grande final do Festival, tendo ficado pelo caminho logo na primeira semifinal, esta terça-feira.