O Hearts de Midlothian, o mais antigo clube de Edimburgo, capital da Escócia, fundado em 1874, sonhou até aos últimos 10 minutos do campeonato de futebol escocês que podia ser campeão e acabar com o duopólio que, nos últimos 40 anos, tem dado a faixa ou ao Celtic ou ao Rangers.
O Hearts chegou à penúltima jornada em primeiro lugar, posição que ocupava desde setembro. Separado por um ponto do Celtic, a penúltima jornada estava a correr de feição para as pretensões do clube de Edimburgo. O Celtic chegava aos 90+8 minutos empatado com Motherwell. O Hearts tinha conquistado os três pontos e fugiria um pouco mais do Celtic. Num golpe inglório para o Hearts, o Celtic acabou a ganhar o jogo, com um penálti, muito contestado, no último minuto.
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“Quando ouvi que o Celtic tinha a possibilidade de ter uma grande penalidade assinalada pelo VAR aos 90+6′ assumi só que seria mesmo assinalada. É nojento. Estamos a ir contra isto, estamos a ir contra todos. Não acho que seja penálti. É tudo muito pobre e parece que ofereceram isto ao Celtic. Têm tido muita sorte. Mas vamos para o último jogo, precisamos de um resultado positivo e já estou ansioso, não vamos ter pena de nós próprios”, declarou o treinador do Hearts Derek McInnes, escocês de 54 anos.
Ditou a sorte que o último jogo seria precisamente entre Celtic e Hearts, em Glasgow. O Hearts entraria assim em campo do Celtic a precisar apenas de um empate. E era esse o resultado até aos 87 minutos. Os 10 últimos minutos levaram o Celtic ao pentacampeonato, com dois golos que fecharam o marcador em 3-1.

O Hearts perdeu a oportunidade de quebrar o duopólio da liga escocesa. A vitória do Celtic, o seu 56.º título do campeonato principal, levou os adeptos à rua e perante vários tumultos a polícia foi obrigada a intervir.

Ainda no estádio o Hearts — de onde saiu depois com o apoio dos seus adeptos — queixa-se de tratamento vergonhoso ao seu pessoal e equipa.
“O Heart of Midlothian condena veementemente as cenas vergonhosas ocorridas esta tarde no Celtic Park, que, mais uma vez, envergonharam o futebol escocês”, afirmou o clube em comunicado, citado pelo The Guardian. “Os relatos de graves abusos físicos e verbais contra nossos jogadores e funcionários, tanto em campo quanto fora dele, são profundamente perturbadores. Estamos a investigar o caso minuciosamente e em diálogo com a polícia. Não faremos mais comentários neste momento, além de afirmar que é completamente inaceitável que os nossos jogadores e funcionários tenham sido colocados nessa situação.”

Mas ainda houve lugar para mais outra polémica. Os jogadores do Hearts saíram do campo depois de uma invasão de adeptos do Celtic e ficou a dúvida sobre se o árbitro teria apitado para o fim do jogo — o árbitro Don Robertson já terá informado os delegados que apitou mesmo para o final do encontro.