Nuno Melo apresentou-se no Congresso do CDS como um defensor da “fórmula de sucesso” que considera ser a AD. Em entrevista ao Observador, o líder centrista volta a lembrar que, olhando para os resultados de 2024, sem o CDS Pedro Nuno Santos tinha vencido as eleições.
O também ministro da Defesa tentou desvalorizar as críticas de Passos Coelho à falta de impulso reformista do Governo, dizendo que os membros do Executivo não têm de se “aborrecer” ou “levar a mal que as pessoas se pronunciem”. E acrescenta: “Mal seria”.
Sobre a ausência de pesos-pesados do Congresso, Nuno Melo diz que “muitos não podiam estar presentes”, elogiou discurso de Manuel Monteiro e disse que Paulo Portas — que não acredita que possa estar presente no domingo — é das pessoas que mais ouve. Relativamente a antigos críticos, Melo atira diretamente ao seu antecessor, ao falar dos que “gritavam alto CDS”, mas agora “caminham para o socialismo”.
“A AD nunca perdeu eleições”
No discurso desta manhã há uma frase em que cita Adriano Moreira e Lucas Pires, em que dá a ideia de que em primeiro lugar está a AD e depois o CDS, porque a AD é o instrumento para servir o país.
Não. Em primeiro lugar está Portugal e assumimos partidariamente para esse desígnio maior ao serviço das pessoas. E é exatamente por isso que dependendo das circunstâncias e avaliando o bem maior, que é Portugal, decidimos em cada disputa eleitoral se devemos concorrer em listas próprias ou em ligação. E é por isso que ao longo da nossa história, mais de 50 anos, tem acontecido uma coisa e tem acontecido outra. E é também por isso que hoje estamos, por décima vez, também presentes no Governo de Portugal.
A ideia é que disse que o País é mais importante que o partido, logo a AD é prioritária.
A AD não é o PSD. A AD é uma coligação de dois partidos e eu acredito até que a AD seja, enquanto construção política, uma realidade que acrescenta ao somatório dos dois partidos. Há para mim uma nota muito distintiva: a AD nunca perdeu eleições, isso é significativo.
Disse que não tem medo de ir a votos. O mandato deste Congresso é para dois anos, mas daqui a três anos e meio o normal de um partido como o CDS seria sempre ir sozinho?
O que não é normal é estar a definir uma estratégia eleitoral para legislativas a três anos de distância. Quem de nós consegue antecipar o que vai acontecer politicamente no país em três anos? Suponho que ninguém. Quantos de nós não assistiram já a transformações muito radicais, imprevistas no cenário político nacional em tempos curtos? Que sentido faria estarmos a decidir uma estratégia para eleições legislativas quando até lá, num calendário normal, teríamos até outro Congresso com outras moções e outros candidatos? Então este Congresso aqui em Alcobaça vai definir a três anos uma estratégia quando daqui a dois teremos outro Congresso? As avaliações de cada ciclo eleitoral são feitas no momento e avaliado o contexto em termos que agora são simplesmente impossíveis de antecipar.
Mas seria natural ser cabeça de lista do CDS nas futuras eleições contra Luís Montenegro, já que atualmente é ministro de um governo que é liderado por ele?
O que é normal é preservar a AD como uma fórmula que resulta, tendo em conta que comprovadamente Portugal em 2026 está em muito melhor situação do que estava em 2024 e todo o meu esforço é colocado no sentido do sucesso desta AD que sempre que foi a votos, nunca perdeu eleições. Isto é relevante: não só o contexto, mas também os resultados. Se se recordar em dois anos apenas, tudo mudou em Portugal. Em 2024 o país estava na rua com o Partido Socialista no poder. As substituições de governantes eram em média superior a uma por mês. Se me recordo em nove meses substituíram-se 12 governantes. A ideologia estava nas escolas, o SNS estava em dificílimas situações, as migrações estavam descontroladas, os jovens saíam do país em números recorde, havia números recorde também de carga fiscal e hoje em dia tudo mudou. Se reparar, o país não está na rua. Nós conquistámos a paz social. Fizemos mais em dois anos do que os socialistas fizeram em oito anos. Aumentámos os rendimentos das famílias, dos idosos, dos mais pobres, o IRS e conseguimos fazer isso ao mesmo tempo que reduzimos impostos e reduzimos a dívida. O IRS desceu quatro vezes. Atingimos dois superávites. Fomos um de cinco países que em 2025 conseguiram, de facto, esse sucesso que manifestamente é elogiado dentro e fora. A The Economist considera Portugal a economia do ano 2025. Resolvemos problemas como o controlo dos fluxos migratórios e, portanto, quando decorreram dois anos e o país está assim melhor, todo o nosso esforço há de ser no sentido de permitir que o ciclo continue, que a AD tenha longevidade e que, queiram as oposições, este ciclo seja um ciclo crescentemente de sucesso.
É possível depreender daí que não há razões para essa coligação se quebrar se houver um ciclo eleitoral pelo meio, seja ele quando aparecer?
Se uma fórmula tem sucesso, não me faz sentido que seja alterada. Não obstante, como é evidente, em cada momento eleitoral há uma reavaliação que tem de ser feita. O CDS também a fará. Neste momento não temos nenhuma razão para achar que a AD não é uma realidade política e partidária de enorme sucesso, porque é isso. Está comprovado a todos os níveis.

“A irreverência é uma das marcas das juventudes partidárias”
Como profundo conhecedor não só do CDS como de todas as movimentações internas do partido, qual é que considera ser a motivação da Juventude Popular incentivar esta ideia de ir a votos sozinho?
Acho que a irreverência é uma das marcas das juventudes partidárias e as dinâmicas tendem a refletir essa irreverência, que se traduz no caso em ideias, que não em candidaturas. Podemos concordar ou discordar.
Eu discordo absolutamente de grande parte do que esta moção apresenta, mas é uma moção que é legítima, de uma juventude que pensa e que é importante para o CDS.
E não causa incómodo à direção do partido e não fragiliza a própria coligação?
A democracia não causa incómodo e se fôssemos a ter isso em conta, bastaria ter presentes tantos congressos do PSD onde são ditas também as mais variadas coisas em relação ao CDS e as coisas. Enfim, não nos caem os parentes na lama por isso. O importante é nós sabermos o que o CDS é e o que o CDS representa. Nós não vivemos com complexos, nem temos défice de consideração. Sabemos o nosso papel e é através desse papel que estamos a transformar para muito melhor a vida dos portugueses. As dinâmicas de um congresso são as dinâmicas de um congresso. É a democracia a funcionar. O que é normal é que diferentes pessoas digam diferentes coisas.
“Luís Neves é um ministro muito competente”
O CDS está representado no governo, não só no Ministério da Defesa, mas também no Ministério da Administração Interna, com o Telmo Correia, como secretário de Estado. Como é que um partido que tem como uma das grandes bandeiras a segurança, coabita com um ministro que era visto como até mais próximo do Partido Socialista?
Eu considero importante que o CDS esteja presente em áreas de soberania. Tem muito a ver com a nossa marca identitária e genética. E considero que este ministro é um ministro muito competente, que tem sabido agregar dentro do governo e nunca tem a ver com a Defesa nacional, trabalhar em conjunto, até antecipadamente em relação a doenças que são tendencialmente difíceis. É o caso da prevenção dos fogos florestais, mas que na verdade não são florestais, afetam aldeias, vilas e cidades e contextos urbanos. Tenho a melhor das opiniões [de Luís Neves] e, enquanto colega de Governo, as coisas têm funcionado muito bem.
Concorda com a ideia de que Luís Neves poderia, por exemplo, fazer parte de um governo do PS?
Concordo é que está muito bem, neste governo da AD, na pasta que ocupa. Isso para mim é que conta.
“Houve quem gritasse CDS alto, mas esteja a caminhar para o socialismo”
Há pouco criticava, no discurso da apresentação da moção, os que acham que a casa natural dos “democratas cristãos é o PS e falou até de pessoas que tiveram responsabilidades políticas”. Estava só a falar de Basílio Horta ou tinha outro alvo?
É público que há pessoas que tiveram responsabilidades recentes no CDS e que hoje estão próximas do PS e fazem parte de órgãos que são de apoio ao PS [Filipe Lobo d’Ávila]. E outros [Francisco Rodrigues dos Santos], naquilo que verbalizam em numerosos comentários, também de apoio ao PS. Ora, a minha casa nunca foi outra que não é o CDS. Não tenho dúvidas que a única casa dos democratas cristãos é o CDS e, enfim, eu respeito que haja quem tenha gritado CDS alto, mas esteja a caminhar para o socialismo. Eu não entendo, porque estou onde sempre estive.
Mas quer identificar o alvo? O seu antecessor?
Não é alvo, é uma constatação de facto, mas não quero persistir muito nisso. Até porque para mim não é importante. Para mim o importante é quem cá está. E quem cá está, felizmente, leva este partido e esta bandeira bem alto todos os dias.
Quem está no congresso ou como militante?
Neste congresso ou fora do congresso, apoiando. Há várias pessoas que não estão no congresso e que simplesmente não puderam vir e a razão é mais do que justificada. E não são irrelevantes os nomes dos que aqui estão e acredito até, nomes que amanhã também chegarão.
De surpresa como o Manuel Monteiro?
Não sei. Presencialmente, por mensagem, não sei. O caminho que nós fizemos no momento mais difícil da nossa história só foi possível porque, independentemente de alguns terem desistido, outros fazerem de mortos e alguns até dizerem que o CDS tinha acabado, felizmente muitos persistiram, estiveram do nosso lado, acreditaram, deram tudo para que as coisas mudassem. Quando sabemos que, em 2024, a vitória da AD foi com uma diferença de pouco mais de 30 mil votos, percebemos que os votos do CDS foram relevantes e hoje em dia os resultados eleitorais tendencialmente são muito próximos. Quando assim é, os votos do CDS, a presença do CDS não é favor nem muleta. Os votos contam, e contam principalmente nesta fórmula da AD, que eu insisto, nunca foi derrotada, mas que soma mais do que os votos dos dois partidos. Acredito genuinamente nisso, independentemente da AD só se justificar em circunstâncias que façam sentido. E tem feito sentido.
Sem o CDS, Pedro Nuno Santos era primeiro-ministro?
Não tenho nenhuma dúvida disso. Se tiver em conta que o pior resultado do CDS foram perto de 100 mil votos e tiver em conta a diferença em 2024, percebe que os votos do CDS foram relevantes. Os do PSD foram mais, porque são muitos mais, mas os votos do CDS foram relevantes e o somatório dos votos dos dois partidos foram maximizados por esta fórmula da AD. Acredito que foi esta fórmula que trouxe a vitória e que impediu que, depois de oito anos de Partido Socialista, tivéssemos mais alguns anos de socialismo.
Não quis falar sobre isso, mas como é que vê o aggiornamento do seu antecessor Francisco Rodrigues dos Santos. Está à espera que apareça aí como Manuel Monteiro?
Se aparecer, é bem-vindo.
Mas como é que assistiu à viragem dele à esquerda?
Eu, do ponto de vista televisivo, não tenho assistido muito, por isso eu falo.

“Manuel Monteiro é alguém que ajuda quando é mais preciso”
Já é a terceira vez que Manuel Monteiro aparece num Congresso. É justo dizer que não veio para questionar a liderança. É importante demonstrar alguma união no partido? O seu adversário foi secretário-geral dele.
O que vejo é alguém que ajuda quando é mais preciso. Agradeço-lhe profundamente. O professor Manuel Monteiro é alguém com quem eu tenho falado muitas vezes ao longo destes anos de liderança. E é também uma voz livre, que diz aqui aquilo que é um pensamento denso a propósito de temas relevantes. E ainda bem porque os Congressos precisam disso. Os Congressos não têm que ser monocórdicos, nem têm que ser uma caixa de ressonância de uma liderança ou de quem quer que seja. E a presença do professor Manuel Monteiro aqui, é algo que acrescenta muito ao CDS.
Amanhã conta ter aqui Paulo Portas?
Dificilmente teremos aqui Paulo Portas, mas posso ter a certeza absoluta que Paulo Portas tem sido um apoio permanente também neste percurso. É de resto, talvez das pessoas que eu mais ouço, em todas as circunstâncias internas e externas. Por quem tenho uma profunda admiração. De resto, isso é público.
O Congresso é também um momento de balanço dos dois anos que passaram. Perdeu-se uma oportunidade de ter um presidente da área do CDS em Belém, com o facto de Paulo Portas não ter avançado?
É público e sabido que se Paulo Portas tivesse avançado, seria a nossa primeira e única escolha. Mas as eleições presidenciais resultam de um impulso individual, de uma vontade pessoal, que, no caso, não se concretizou.
Há pouco o Paulo Núncio também dizia que havia um dever de gratidão por ter salvo o partido. Acha que o CDS não lhe reconhece isso tanto como devia?
Acho exatamente o contrário. Olho para este Congresso e olho para todos os outros. O partido reconhece-o abundantemente. E todos, em conjunto, no partido gostaríamos que o partido estivesse mais forte, fosse mais representativo. Mas, como dizia Ortega y Gasset, eu sou eu e as minhas circunstâncias. E as nossas circunstâncias foi de quem partiu em 2023, sem grupo parlamentar, sem subvenção, com uma dívida gigantesca, sem a atenção da comunicação social que invocava repetidamente o critério parlamentar. E por isso, enfim, eu diria que nessa medida o partido está até muito reconhecido. Mas há um caminho em relação ao futuro que se tem que fazer com racionalidade, que tem que ser passo a passo, que um dia nos fará maiores, mas que não apaga as circunstâncias recentes. Tanto que a composição na AD decorre dessa nossa realidade. Fosse o partido ao tempo mais representativo, através de eleições legislativas precedentes, a nossa representação no Governo seria porventura maior. Mas, também por isso, a nossa persistência na fórmula e a certeza de que estamos a crescer. Em todas as eleições que disputámos em dois anos, que foram sete em dois anos, demos provas disso. Para quem dizia que o CDS tinha acabado, realmente considero notável que este partido, que alguns dizem acabou, esteja nos governos regionais de Açores, da Madeira e do continente. Esteja no Parlamento Europeu. E nas eleições autárquicas, quando diziam que desapareceríamos porque não concorreríamos com o PSD em autarquias, não só mantivemos essas seis câmaras municipais, onde três candidatos eram novos, como conquistámos um outro em AD. Como aumentámos em votos e em mandatos, e através das AD assegurámos outras vitórias no espaço político de centro-direita que fizeram com que a Associação Nacional de Municípios transitasse de mãos. E daí também a nossa relevância. Um partido assim não morreu, um partido assim existe, é forte. Não terá a dimensão de outros tempos? Do ponto de vista autárquico, até temos uma dimensão maior do que noutros tempos. Mas, enfim, lamento imenso, estamos sempre a desmentir os profetas da desgraça. Sou um otimista, sou quase um providencialista, e, portanto, eu acredito sempre que com trabalho e com convicção, desde que as pessoas tenham perceção disso tudo, a nossa realidade melhora. E tem melhorado. E o partido, como bem vê, apoia, e apoia de forma muito expressiva.
O que pode ser pernicioso para o partido não ir a voto sozinho é de facto essa referência ser curta. Aliás, partiram do zero para conseguir dois deputados nessa negociação que conseguiu fazer com Luís Montenegro. É possível, nessa negociação com o PSD, mesmo sem irem a votos sozinhos, conseguirem melhorar a representatividade do CDS? Há essa abertura?
A verdade é que nas últimas eleições, em 2025, por muito pouco não duplicámos o grupo parlamentar. Porque crescemos num país inteiro, e onde não crescemos tanto foi precisamente no Porto e em Lisboa, onde o CDS tinha os seus números dois, respetivos. Foi por muito pouco. Agora, é evidente que eu sinto o partido a crescer. E chegará um momento em que nós acharemos que esta fórmula não será suficiente para o CDS, se não corresponder à nossa perceção do que o CDS representa. Mas isso são avaliações de cada momento, que não são para agora. E seguramente que para já, esta AD, tal qual existe, é a realidade política partidária que melhor serve o país.

Passos Coelho? “Ninguém que esteja na política pode levar a mal”
Já que fala da experiência de governação, como é que alguém que está dentro do Governo reage quando pessoas como Pedro Passos Coelho desafiam o Executivo a fazer reformas e diz que o Governo está a marcar passo?
Ninguém que esteja na política pode levar a mal que outras pessoas, que neste momento não estão comprometidas com qualquer solução concreta, expressem livremente o seu pensamento. Nós temos que ter a tolerância e a grandeza democrática de aceitar o que os outros pensam, independentemente de concordarmos ou não concordarmos com o que é dito. Enfim, eu fui um daqueles que esteve convictamente do lado desses governos da AD, liderados pelo doutor Pedro Passos Coelho, que também foram governos patrióticos e fundamentais para Portugal. Nós, de uma assentada, libertámos Portugal da troika. Foram tempos também absolutamente notáveis. Devemos ouvir as críticas. Em alguns casos podem fazer sentido, em outros casos podem não fazer sentido nenhum. O que não temos é de nos aborrecer ou levar a mal que as pessoas se pronunciem. Mal seria.
Deixe-me só insistir aqui numa ideia. Há bocadinho falava no partido mais unido do que nos últimos anos. A essa união não fazem falta os pesos pesados a quem o Manuel Monteiro estava há pouco a dar um puxão de orelhas?
Não. O Congresso está cheio de pesos pesados e devo ser totalmente justo: há rostos relevantes do CDS que não estão aqui, mas não estão aqui por razão estritamente pessoal. Para mim os pesos pesados são, ressalvadas essas faltas justificadas, todos os que aqui estão. Os pesos pesados não são os que se têm nessa conta por um nome, por um passado, por mais relevantes que tenham sido. Para mim, pesos-pesados são todos aqueles que me ajudam a levar este barco avante, em cima de todas as dificuldades, com os resultados que temos alcançado. São pesos pesados do militante mais modesto ao dirigente mais ilustre.
O CDS continua a ser um partido de quadros?
O CDS é garantidamente um partido de renovação permanente de quadros que dá ao país. E esse acho que é um facto reconhecido. É um facto reconhecido até dentro da própria coligação.
Uma pergunta agora enquanto Ministro da Defesa: Marco Rubio sugeriu que Portugal foi um dos primeiros a aceitar a utilização da Base das Lajes quase sem fazer perguntas.
Não é para interpretar pelo teor literal. Ou seja, o que o Secretário de Estado dos Estados Unidos tinha que significar foi que Portugal é um aliado credível, que está do lado dos EUA, sendo que nós sabemos que sim, fizemos aquilo que se espera dos aliados, mas com condições que foram comunicadas aos norte-americanos. Mas acho até muito importante que os Estados Unidos tenham Portugal nessa conta. Acho mesmo muito importante porque, com um mundo tão instável, tão perigoso, com evoluções tão imprevisíveis… Só no tempo da nossa governação tudo se tem agravado: o conflito na Ucrânia persiste, a situação no Médio Oriente é a que nós vemos. A centralidade no Indo-Pacífico da atenção norte-americana é cada vez mais relevante. Nós, estamos obrigados a investir no Pilar Europeu de Defesa da NATO, e por isso é que estamos a fazer investimentos que são significativos. Quando assim sucede, termos o aliado norte-americano. E eu não acredito na NATO sem Estados Unidos da América. Com os EUA a dizerem o que diz de Portugal, eu acho particularmente importante, e a nosso benefício.