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(A) :: Morita, é por jogos como este que já todos têm saudades tuas (a crónica do Sporting-Gil Vicente)

Morita, é por jogos como este que já todos têm saudades tuas (a crónica do Sporting-Gil Vicente)

No dia em que se despediu de Alvalade, em lágrimas e ovacionado, Morita foi dos melhores e deixou na memória uma assistência de calcanhar. Sporting venceu Gil, fica em 2.º e com Champions (3-0).

Mariana Fernandes
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Quase um ano depois, o Sporting voltava a fechar o Campeonato em Alvalade — mas num contexto bastante diferente. Há um ano, os leões precisavam de vencer o V. Guimarães para se sagrarem bicampeões nacionais; este ano, os leões precisavam de fazer um resultado igual ou melhor do que o Benfica para ficarem no segundo lugar. Um pormaior que era muito mais do que uma nuance e que até fazia parecer que, este sábado, já se jogava a próxima temporada.

As contas mudaram na passada segunda-feira. Depois de semanas em que os empates contra AVS e Tondela deixaram o Sporting sem depender apenas de si mesmo para ficar no segundo lugar, os empates do Benfica contra Famalicão e Sp. Braga inverteram a situação. Na 34.ª e última jornada do Campeonato, os leões recebiam o Gil Vicente com mais dois pontos do que os encarnados e sabiam que tinham o apuramento para a Liga dos Campeões à mão de semear — mas ainda por confirmar.

Ficha de jogo

Sporting-Gil Vicente, 3-0

34.ª jornada da Primeira Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)

Sporting: Rui Silva, Vagiannidis (Salvador Blopa, 90′), Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo, Morita (Daniel Bragança, 73′), Hjulmand, Geny Catamo (Geovany Quenda, 73′), Trincão (Ricardo Mangas, 90′), Pedro Gonçalves (Luis Guilherme, 73′), Luis Suárez

Suplentes não utilizados: João Virgínia, Kochorashvili, Eduardo Felicíssimo, Rafael Nel

Treinador: Rui Borges

Gil Vicente: Dani Figueira, Zé Carlos (Hevertton, 74′), Marvin Elimbi, Jonathan Buatu, Ghislain Konan, Facundo Cáseres (Zé Carlos, 81′), Santi García, Murilo (Sergio Bermejo, 81′), Luís Esteves, Joelson Fernandes (Agustín Moreira, 45′), Gustavo Varela (Héctor Hernández, 74′)

Suplentes não utilizados: Lucão, Carlos Eduardo, Martín Fernández, Antonio Espigares

Treinador: César Peixoto

Golos: Eduardo Quaresma (15′), Luis Suárez (34′), Hjulmand (90+3′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Zé Carlos (63′)

Na antevisão, Rui Borges foi diretamente questionado sobre as palavras de José Mourinho, que tinha interpretado a tarefa do Benfica como “um milagre”. “O mister deve ser tão devoto como eu a Nossa Senhora de Fátima. Não vou entrar nessa luta, quero segundo classificado e levar de vencida uma boa equipa, que está a fazer um grande Campeonato. Vai ser um jogo competitivo e intenso, que vai exigir o nosso melhor. Estou focado em ser competente. Sei que não o fui em alguns jogos e que não fui campeão por causa disso. Tem muito a ver com as soluções que possa arranjar para a minha equipa para me tornar melhor. Estou focado nisso, em ser cada vez melhor e mais competente para ser campeão, que é o meu objetivo”, disse o treinador leonino, sendo que, à mesma hora que os leões jogavam em Alvalade, o Benfica visitava o Estoril na Amoreira.

Assim, na despedida de Geovany Quenda e Morita de Alvalade, Rui Borges tinha Hjulmand de regresso de lesão e lançava o médio dinamarquês no meio-campo, recuperando a titularidade de Geny Catamo em detrimento de Luis Guilherme e colocando Vagiannidis na direita da defesa, já que Eduardo Quaresma fazia dupla com Gonçalo Inácio face ao castigo de Diomande. Do outro lado, num Gil Vicente que ainda sonhava com o quinto lugar, César Peixoto tinha Gustavo Varela como referência ofensiva, apoiado por Joelson Fernandes, Luís Esteves e Murilo.

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O Sporting arrancou em velocidade e poderia ter inaugurado o marcador logo nos instantes iniciais, com Hjulmand a rematar em jeito já na área e a bola a sair ligeiramente ao lado da baliza (3′). Entretanto, da Amoreira, chegou a notícia de que o Benfica tinha marcado e estava a vencer o Estoril, ou seja, de que os encarnados tinham ultrapassado os leões e subido ao segundo lugar — algo que pareceu não ter impacto nas bancadas, no banco ou em campo.

A equipa de Rui Borges não manteve a intensidade que apresentou logo nos primeiros minutos, com o Gil Vicente a demonstrar alguma capacidade para navegar a maior ansiedade e responsabilidade do adversário, mas a verdade é que o golo acabou por não tardar. Canto na esquerda para o segundo poste e Eduardo Quaresma, sozinho e com uma enorme elevação, cabeceou para abrir o marcador (15′). 

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A superioridade dos leões tornou-se mais evidente depois de alcançada a vantagem e as oportunidades sucediam-se: Hjulmand rematou à queima-roupa para Dani Figueira defender (23′), Luis Suárez atirou ao lado de fora de área (27′), Geny Catamo também falhou o alvo (28′) e Pedro Gonçalves, com um delicioso remate em jeito, falhou o golo por centímetros (30′). Pouco depois, o que já parecia inevitável concretizou-se.

Trincão tirou um passe longo na direita, Morita amorteceu de calcanhar e Luis Suárez, de primeira e com um remate fortíssimo, aumentou a vantagem (34′). Os gilistas ainda conseguiram fazer o primeiro e único remate em Alvalade, com Luís Esteves a obrigar Rui Silva a uma defesa em voo (42′), mas o Sporting foi mesmo para o intervalo a vencer o Gil Vicente — ou seja, virtualmente no segundo lugar do Campeonato e apurado para a Liga dos Campeões.

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César Peixoto mexeu logo no início da segunda parte, trocando Joelson Fernandes por Agustín Moreira, e o Gil Vicente poderia ter marcado logo nos instantes iniciais com um remate forte de Luís Esteves que Rui Silva defendeu (47′). Moreira atirou ao lado logo a seguir (48′) e o Sporting parecia ter regressado do balneário demasiado tranquilo, otimista e despreocupado. Algo que os gilistas estavam a aproveitar — principalmente à boleia da eletricidade introduzida por Agustín Moreira, que ia causando o caos junto a Vagiannidis.

A equipa de Rui Borges conseguiu recuperar o controlo do jogo, esvaziando a reação adversária com posse de bola, pouco ritmo e muito gelo, mas mantinha-se longe dos níveis exibicionais da primeira parte e o Gil Vicente continuava a assustar sempre que tinha algum espaço, com Murilo a cabecear por cima após cruzamento na esquerda (60′). Trincão ficou perto de marcar com um remate que Dani Figueira defendeu (64′), no melhor momento dos leões na segunda parte até então, e o jogo foi partindo.

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Rui Borges fez as primeiras substituições já dentro dos últimos 20 minutos, lançando Geovany Quenda, Luis Guilherme e Daniel Bragança de uma vez, motivando a despedida emocionada de Morita de Alvalade, com direito a ovação de pé por parte das bancadas leoninas. O jogo tornou-se muito morno na ponta final, sem que os leões quisessem propriamente arriscar e com os gilistas a terem pouca capacidade para discutir o resultado, e Hjulmand ainda fechou as contas nos descontos com um belo remate em jeito (90+3′). 

No fim, o Sporting venceu o Gil Vicente em Alvalade e garantiu o segundo lugar do Campeonato atrás do FC Porto e à frente do Benfica, apurando-se também para a Liga dos Campeões da próxima temporada. No dia em que se despediu de Alvalade, com lágrimas e um abraço longo e apertado a Rui Borges, Morita voltou a ser o melhor dos leões, deixou uma assistência de calcanhar e uma exibição completa, e mostrou o porquê de todos já terem saudades dele.

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