Não foi à primeira, não foi à segunda, a terceira acabou por não aparecer. Os anos foram passando mas José Mourinho continua a ser aquele treinador obcecado com o dia a dia, que dorme nos centros de estágio das equipas que treina, que pensa 24 horas futebol (algo que alguns mais próximos já tentaram fazer ver que nem sempre é positivo…) e que precisa dessa adrenalina diária para alimentar a sua vontade de ganhar o próximo troféu. Ainda assim, admitia mudar esse paradigma por um convite para a Seleção. Em 2012, quando estava no Real Madrid, viu Florentino Pérez recusar a possibilidade de acumular cargos. No final de 2022, quando Fernando Santos deixou o comando do conjunto nacional, foi sondado, recusou e Roberto Martínez assumiu a vaga. Uns tempos depois, arrependeu-se. O próximo convite seria para “sim”. Esse convite, que pensava poder chegar no último verão, acabou por não aparecer. Por isso, ficou mesmo no Fenerbahçe.
Essa aposta na Turquia, que para muitos era uma espécie de passo atrás na carreira, foi sempre vista pelo Special One como uma oportunidade para voltar a mostrar que não tinha perdido o dedo de técnico capaz de dar a volta a realidades e contexto mais complicados para chegar ao sucesso. No entanto, o desgaste de toda a temporada de 2024/25 acabou por fazer-se sentir. O Fenerbahçe ficou de novo em segundo atrás do crónico favorito Galatasaray, os despiques por causa de arbitragens foram constantes, a defesa por parte do clube não assumiu os contornos que esperava. Entendia que para a formação de Istambul ganhar teria de combater uma série de vícios que se foram cristalizando com o passar dos anos, sentiu que muitas vezes estava sozinho numa cruzada que dificilmente poderia ganhar, também não viu o plantel reforçado como pedira logo numa fase inicial da temporada tendo em vista a qualificação para a Champions. Tudo tinha mudado.
O Fenerbahçe ainda conseguiu eliminar o Feyenoord na terceira pré-eliminatória mas não teve argumentos para contornar o Benfica de Bruno Lage, empatando sem golos na Turquia antes de perder em Lisboa pela margem mínima. Pelo meio, Mourinho criticou de forma aberta a falta de reforços também a propósito do impasse que havia em torno da contratação de Kerem Aktürkoglu, questionando mesmo se os responsáveis queriam de forma efetiva entrar na Champions ou se preferiam entrar na Liga Europa. Após a derrota na Luz, os turcos anunciaram a rescisão – e todos perceberam as razões. Mais tarde, o próprio presidente acabou por relativizar essas polémicas internas, falando de “um futebol defensivo” que não podia continuar.
Mourinho não estava propriamente muito motivado para continuar na Turquia, o Fenerbahçe também não fazia questão de manter o treinador, a saída teve tanto de amarga como de “limpa”. Para alguns, em termos internos na Luz, esse foi o primeiro passo para outra mudança sem que ninguém o percebesse de imediato. E bastou uma paragem para compromissos das seleções no início de setembro para que o início até então conseguido a nível de resultados (nem sempre a nível de exibições) fosse insuficiente para segurar de forma aberta Bruno Lage. Veio o empate com o Santa Clara nos descontos, veio a reviravolta na estreia na Liga dos Campeões diante do Qarabag, veio a rescisão do técnico logo nessa madrugada. Pelo meio, tinha vindo a possibilidade Mourinho. E não foi por acaso que muitos iam dizendo que estava a ser “cozinhado”.
Foi uma operação relâmpago que já arrancara antes. Rui Costa não tinha apenas uma árvore para olhar mas sim uma floresta. A permanência de Lage depois de uma época em que esteve na luta até ao fim mas perdeu o Campeonato e a Taça de Portugal nunca foi unânime na Luz mas também nunca deixou de ser a primeira opção do presidente dos encarnados, até pela falta de tempo com o Mundial de Clubes para entrar na nova temporada. Olhando para um calendário que não dava tréguas em termos institucionais e desportivos, essa ideia foi mudando. Tudo chegava ao mesmo tempo: a qualidade do futebol caía, o número de opositores já confirmados nas eleições aumentava, a contestação também. Estava criada a conjugação cósmica para cada uma das partes procurar uma segunda vida. Mourinho queria esquecer uma passagem que no final considerou “errada” por uma liga abaixo do seu estatuto, vendo no Benfica uma oportunidade para reassumir outro protagonismo, Rui Costa sabia que a contratação do antigo campeão europeu era à prova de bala em termos de currículo, de conhecimento e de estatuto. Num par de horas as viagens estavam marcadas.
Seguiu-se tudo aquilo é normal numa apresentação mas multiplicado por dez. O aparato na chegada num vôo privado a Portugal, as motas que seguiram o trajeto do aeródromo até Azeitão, mais uma romaria no trajeto até ao Seixal no dia seguinte, sala de conferências cheia para a apresentação com pompa e circunstância, uma frase que se tornou até o mote do cachecol que ambos seguraram para a fotografia: “Quem é o treinador que diz não ao Benfica?”. Tudo isso e o contrato, um contrato diferente de todos os outros tendo em conta o período eleitoral que os encarnados enfrentavam. É esse pormenor, que na altura não passava disso mesmo, que faz agora toda a diferença no rescaldo de uma época em que o Benfica falhou todos os objetivos.
José Mourinho assinou contrato de um ano e meio pelos encarnados, com um valor que o próprio Rui Costa fez questão de dizer que, “sendo valioso, não está acima do que foi Roger Schmidt”. “Um treinador desta envergadura paga-se. Estava disponível no mercado mas não deixa de ser um dos melhores treinadores do mundo e com mais títulos. Não é uma questão de transparência, é o salário de um ser humano, não estou autorizado, nem é correto dizer. Três milhões limpos na primeira época e quatro na segunda? Anda à volta disso… É o salário mais baixo que José Mourinho tem desde que saiu de Portugal”, admitiu. Nesse mesmo contrato, conforme foi comunicado à CMVM, estava inscrita outra alínea. “Dez dias após o último jogo oficial da época desportiva 2025/26, nas mesmas condições, tanto a Benfica SAD como o treinador poderão optar por não dar continuidade ao contrato para a época desportiva 2026/27″. Começou o tic, tac, tic, tac.
Existe um valor a ter em conta se alguma das partes quiser quebrar esse vínculo no período até dia 27 de maio, a rondar os sete milhões de euros. Da parte do Benfica, havendo uma proposta de renovação em cima da mesa, a posição ficou clarificada (demasiado tarde mas ficou). Do lado de José Mourinho, havendo um interesse Real que vem de Madrid, a posição está por clarificar. Tudo porque, até aqui, foram os encarnados que foram perdendo. Primeiro, o timing da renovação. Depois, o controlo comunicacional. Por fim, a Liga dos Campeões. Agora, falta apenas confirmar aquela será a última derrota: perder também o treinador.

Ato I. Como o Benfica começou por perder o timing da renovação
Os encontros entre Benfica e Real Madrid na Liga dos Campeões, primeiro na Luz na última jornada da fase inicial com vitória dos encarnados com um golo de Trubin a assegurar um dramático apuramento para a ronda seguinte e depois a duas mãos no playoff de acesso aos oitavos, trouxeram os primeiros sinais de um possível interesse dos merengues em José Mourinho. Aí, ninguém ligou muito. Até mesmo no plano interno era um fumo que todos achavam que não daria “fogo”. Os espanhóis atravessavam um período conturbado em termos desportivos entre a saída de Xabi Alonso e a entrada de Álvaro Arbeloa, a imprensa falava num perfil diferente para inverter o rumo recente do clube marcado pelos insucessos, o técnico continuava a falar de forma aberta da passagem pelo Santiago Bernabéu mas sem dar sinais de esperar algo mais daí.
“A última vez que falei com Florentino Pérez foi quando assinei pelo Benfica. Enviou-me uma mensagem a dizer ‘José, estou muito contente por estares novamente num grande clube’. Foi essa a última vez. Quando jogámos aqui ele não veio, não esteve em Lisboa, por isso não tive a oportunidade de cumprimentá-lo. Espero que esteja cá amanhã [terça-feira] e, caso contrário, que esteja em Madrid na próxima semana. Tenho uma grande amizade com o presidente, com a sua família, e é isto. Não há que esconder”, referiu na antecâmara da primeira mão do playoff, numa fase em que começava a ser apontado por alguma imprensa de Madrid ao comando dos merengues… e também da Seleção, no lugar de Martínez após o Mundial.
“Vou ser dos poucos treinadores que saiu do Real sem ser demitido. Quando sais por decisão própria, não tens de estar arrependido de nada. Deixei o Real com a alma completamente limpa. Nunca me esqueço o que o presidente me disse quando decidi sair: ‘Agora vem o bom, o fácil, o difícil está feito’. Mas naquele momento pensei no melhor para mim. A minha família é a coisa mais importante, também foi bom para o Real mudar depois de três anos duros, intensos, quase violentos. Separámo-nos no momento ideal. Tudo o que o Real Madrid fez depois, só me deu alegrias. Mas não sinto que sou parte de nada, o mérito é de quem lá estava e de quem ganhou. Dei tudo o que tinha ao Real Madrid. Fiz coisas boas, fiz coisas erradas mas dei absolutamente tudo de mim. Está feito. Com isto, não quero alimentar histórias que não existem. Já disse, antes de vir para aqui, que a única coisa que existe é que tenho mais um ano de contrato”, assumiu.
Ainda em Lisboa, e quando se preparava para chegar ao local onde iria realizar-se o habitual almoço de confraternização entre as direções de Benfica e Real Madrid, Rui Costa sorria perante a possibilidade de ficar sem o seu treinador. “Se Mourinho vai ficar? Sim, sim, vai ficar”, assegurou o líder dos encarnados numa curta declaração ao El Chiringuito, de Espanha, nessa ocasião. Depois, a bola começou a rolar. O jogo da primeira mão ficou marcado pela polémica entre Vinícius Jr. e Prestianni com triunfo dos espanhóis por 1-0, a segunda mão no Santiago Bernabéu trouxe novo triunfo dos visitados apesar da boa imagem deixada pelos encarnados. Também aí, Mourinho, que estava castigado, fintou tudo e todos – incluindo Florentino.
Apesar disso, e de forma fria, no dia 1 de março o Benfica tinha apenas o Campeonato com 11 encontros pela frente. As águias caíram nas meias-finais da Taça da Liga frente ao Sp. Braga, foram depois eliminados da Taça de Portugal diante do FC Porto no Dragão e saíram também da Liga dos Campeões no playoff. Mais: ocupava a terceira posição, aquele lugar que era proibido tendo em conta o impacto que teria na preparação da próxima temporada. Na conferência de imprensa antes do jogo frente ao Gil Vicente, com as dificuldades que uma deslocação ao Minho iriam sempre acarretar, Mourinho foi taxativo em relação à renovação.
“Fui eu que disse nas entrelinhas que queria ficar,mas vocês não apanharam. Mas quero ficar para jogar apenas um Campeonato, não quero jogar dois, o real e o virtual. Neste momento estamos a jogar dois, o real e o virtual, e eu só quero jogar um. Porque jogar dois campeonatos… não gosto. Mas quero ficar e respeitar o meu contrato com o Benfica. Se quiserem renovar, eu também renovo sem discutir uma vírgula. Mas só quero jogar um campeonato, não quero jogar dois”, referiu. “Há uma coisa que controlo, que é a minha vontade e as minhas emoções. Vocês são todos bons profissionais mas às vezes deixam escapar coisas entre os dedos alguns sinais de coisas importantes. Depois dos problemas com os jogos do Real agarraram-se a que tinha perdido uma oportunidade de voltar ao Real Madrid, deixaram escapar um sinal ou não tiveram competência para o agarrar. Perguntaram-me se era possível dizer que ‘não’ e eu disse que era. Acha que eu podia dizer não a Florentino se quisesse voltar ao Real Madrid? Tenho muitos defeitos mas acha que eu sou estúpido? Fui objetivo que queria ficar, não quiseram apanhar a minha objetividade”, acrescentou.
Aqui, as cartas estavam todas em cima da mesa. Mourinho foi dando a cara perante os insucessos ao mesmo tempo que ia assumindo muitas vezes a defesa do Benfica perante aquilo que eram as críticas às arbitragens (nos seus jogos e nas partidas dos rivais diretos), quis também receber no final de janeiro um grupo de 200 adeptos descontentes com o rendimento da equipa que se concentraram à porta do Seixal mas esperava ali um sinal da parte do clube para o futuro. Ali, sentiu também que se olhava sobretudo para o presente. O voto de confiança na antecâmara da fase decisiva do Campeonato não apareceu. Nem aí, nem depois.

Ato II. Como o Benfica foi perdendo o controlo comunicacional da “novela”
A partir deste momento, o Benfica começou também a perder o controlo comunicacional. Mourinho tinha dito o que queria para o futuro, da parte dos encarnados não vinha nenhum sinal. Quando era questionado sobre o assunto, Rui Costa mostrava-se sempre tranquilo dizendo que o técnico tinha mais um ano de ligação e que por isso não existia qualquer problema. No fundo, procurava ganhar “tempo” para perceber como podia acabar a temporada. O empate na Luz com o FC Porto, apesar da recuperação da equipa na segunda parte, complicou um pouco mais as contas. A igualdade em Rio Maior com o Casa Pia parecia ter deitado por terra não só o sonho do título mas também as possibilidades de chegar ao segundo lugar.
“Próxima temporada? As épocas seguintes começam-se a preparar à primeira jornada da época [corrente]. Esta foi preparada para ganhar o Campeonato e ter uma boa prestação na Liga dos Campeões mas não está a ser o que queríamos. É responsabilidade de todos nós. Por respeito à camisola que é sagrada e por respeito aos adeptos, não abandonamos a época até estar terminada. O que disse sobre José Mourinho foi curto? Curto é bom sinal, é sinal que não há muito para dizer… Tem contrato por mais um ano, por isso não é tema. Se os resultados não chegarem, Mourinho é imune? Ninguém é imune a nada no Benfica, o presidente também não é imune…”, comentou numa das passagens pela Assembleia da República em abril, onde foi reunindo com os grupos parlamentares para abordar vários temas do clube e do futebol nacional.
Rui Costa continuava a tentar empurrar as decisões para o final da temporada mas, em duas semanas, tudo mudou. O Benfica foi ganhar a Alvalade o dérbi frente ao Sporting com Mourinho a “reclamar” para si o mérito desse sucesso com aquela imagem que ficou a apontar para a zona do símbolo e depois a colocar o dedo na cabeça e aproveitou depois os empates dos leões com AVS e Tondela para assumir com margem a segunda posição do Campeonato. Em paralelo, eram cada vez mais insistentes as notícias de que o Real Madrid olhava para José Mourinho como o número 1 entre o leque de opções para o lugar de Álvaro Arbeloa. Só nessa altura começou a acreditar-se verdadeiramente na Luz que o técnico podia mesmo ser a escolha de Florentino Pérez para um novo ciclo no Bernabéu. A onda tinha mudado, Mourinho estava por cima.
Só nessa altura começou a ser preparada uma proposta de renovação de contrato, só quando as contas do Campeonato estavam de novo viradas do avesso após os empates com o Famalicão e o Sp. Braga é que foi mesmo apresentada a tal proposta via Jorge Mendes, empresário do técnico. Tudo foi acontecendo um pouco ao contrário do que a lógica apontaria, também porque o Benfica foi perdendo esse controlo comunicacional de toda essa “novela”. Mais: quando Gorby marcou o 2-1 para os minhotos na Luz antes de Pavlidis empatar de penálti nos descontos, as críticas bem audíveis do “tribunal” da Luz não foram para Mourinho mas sim para Rui Costa. Em termos internos, esse momento acabou por confirmar a má gestão do processo.
“Se eu renovava agora como disse a 1 de março? Não. Porquê? Porque 1 de março é 1 de março e porque as duas últimas semanas do Campeonato não são para se pensar no contrato, são para se pensar na missão que tínhamos de fazer o milagre de ficar em segundo lugar. E quando digo milagre, não me quero alongar muito, mas acho que vocês percebem o que eu quero dizer. A partir do momento em que entrámos nesta última fase da época com estes jogos que decidiam uma coisa importante para o clube, eu decidi que não queria ouvir ninguém e que queria estar isolado no meu espaço de trabalho. Depois do jogo com o Estoril, a partir de segunda-feira já poderei responder à pergunta que será o meu futuro como treinador e, mais importante do que o meu futuro, o futuro do Benfica”, frisou o treinador após o 2-2 com o Sp. Braga.

Ato III. Como o Benfica perdeu a Champions e o treinador (mas já tem alternativas)
Pimenta Machado, presidente do V. Guimarães durante largos anos, disse um dia que, no futebol, “o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira”. É assim nas transferências, nas decisões, na confiança nos treinadores, nas renovações dos jogadores. É assim em todo o lado e com todos, sem exceção. Tudo indica que, a não ser que algo de muito “anormal” se passe, o terceiro ato tenha começado a ser escrito esta noite na Amoreira.
Com uma entrada de rompante, naquilo que José Mourinho descreveu como “15 minutos à Benfica” que o Benfica foi fazendo em alguns jogos mas muitas vezes apenas em 15 minutos, a formação encarnada resolveu o encontro frente ao Estoril mas, em paralelo, sabia também que o Sporting chegara ao intervalo a vencer o Gil Vicente por 2-0, num triunfo que seria alargado nos descontos. Apesar dessa réstia de esperança de ter ainda a oportunidade de regressar ao segundo lugar, o triunfo foi insuficiente para evitar a terceira posição e, com isso, a ida para a Liga Europa seis anos depois de uma eliminação ainda nas eliminatórias da Champions. Isto na semana em que, finalmente, mais de 70 dias depois, o Benfica deu o passo em frente para renovar com José Mourinho – e com uma oferta substancial, apesar de ser uma oferta apenas conhecida ao detalhe por Jorge Mendes, que recebeu a proposta dos encarnados para discutir apenas agora com o técnico.
Naquela que pode ter sido a última conferência de imprensa como treinador do Benfica, Mourinho começou por não quis falar de Real Madrid, abriu depois o jogo em relação ao Real Madrid e acabou a deixar de novo as cartas todas na mesa sobre o Real Madrid. Pelo meio, ainda teve uma frase que, tirada fora do contexto, pode dar a ideia de que estará confirmado a 99% na Luz para a próxima temporada. Falso alarme. Aquilo que o treinador quis dizer é que, tendo contrato mais uma proposta de renovação do Benfica nas mãos, era na Luz que iria continuar… a não ser que possa ter algo concreto do lado dos espanhóis para tomar “a” decisão.
“Há hipótese de eu continuar no Benfica, sim. A minha vontade é nesta próxima semana ver o que tenho. Objetivamente tenho uma proposta de renovação do Benfica, que agradeço. Agradeço tanto quanto a oportunidade que me foi dada de treinar o Benfica há uns meses, mas nas últimas semanas não quis debruçar-me sobre o meu futuro. O que se diz e não se diz, nenhum de nós é parvo… Obviamente que existe alguma coisa. Mas não existe nenhum contrato, não existe conversas entre mim e o presidente do Real Madrid ou pessoas importantes do Benfica. A única coisa real que existe é uma proposta de continuidade no Benfica, que eu volto a agradecer. Percentagem de ficar? Neste momento é 99% porque tenho contrato e, para além de ter contrato, tenho uma proposta de renovação que ainda não vi mas que o meu agente disse que era uma excelente proposta. Do lado do Real Madrid ainda não tenho nada”, disse após o último jogo.
“Se o presidente fez tudo para ficar? Fez um contrato comigo quando eu vim para cá, onde nós concordámos em ter uma cláusula que nos defendia em termos éticos de uma eventual derrota do presidente Rui Costa nas eleições e tenho contrato por mais um ano. Ninguém obrigava o Benfica a renovar-me o contrato. A cláusula dá-me a possibilidade de sair no caso de ser essa a minha decisão. Não tenho absolutamente crítica nenhuma a fazer ao presidente, fomos nós que concordámos com este tipo de contrato. De facto, tenho mais um ano de contrato com o Benfica neste momento”, acrescentou, antes de ser mais taxativo sobre o Real.
“Depende da proposta e daquilo que queiram de mim. Não estamos a falar de um euro a mais ou a menos. O que querem de mim, se estou em condições de poder dar, o perfil de trabalho que me possam pedir. Mas, por direito próprio, quero ter o meu tempo para conversar, analisar e decidir o melhor para mim. No fundo, o Benfica é o Benfica. O que sinto pelo Benfica já não dá para disfarçar. Andei a carreira toda a disfarçar, agora já não dá para disfarçar. A minha carreira é a minha carreira. Mas repito: o Seixal está pronto para atacar títulos. Não nego que o meu agente me disse que pode haver uma situação séria com o Real Madrid e pediu para esperar, é o que vou fazer”, avançou José Mourinho no final da conferência.
Sem ninguém assumir nada em termos públicos, todos preparam um desfecho inevitável. O que falta? A partir de agora, só tempo. Tempo para o Real Madrid terminar uma época falhada com Álvaro Arbeloa que começou com Xabi Alonso (que estará a caminho do Chelsea) e poder fechar as eleições antecipadas que Florentino Pérez quis forçar para legitimar a sua liderança, tempo para o Benfica definir aquele que será o sucessor de José Mourinho no comando técnico da equipa sabendo que enfrentará sempre uma temporada atípica e após mais um ano de muita convulsão interna que deverá ter prolongamento nas Assembleias Gerais marcadas para o final de junho. Pelo meio, há uma certeza: quem vier deixou de ser o plano A da SAD encarnada, tendo em conta a proposta de renovação apresentada esta semana a Mourinho. Não foi o clube que entendeu ser o momento de mudar, foi o técnico que considerou ser a melhor altura para mudar.
Quem está em cima da mesa? À semelhança do que tinha acontecido sobretudo quando Roger Schmidt foi despedido por Rui Costa logo na quarta jornada do Campeonato (Bruno Lage também não passou da quinta ronda na presente temporada), têm chegado sondagens de agentes que representam sobretudo treinadores estrangeiros, com maior ou menor experiência. Marco Silva, que ainda não recebeu até agora contactos ou via empresário dos encarnados, surge como um dos nomes a ganhar força depois daquela que seria a opção principal, Ruben Amorim, ter deixado a entender que vê o seu futuro continuar a passar pelo estrangeiro depois da experiência mal sucedida no Manchester United. Filipe Luís, que ganhou tudo pelo Flamengo em pouco mais de um ano antes de sair num período conturbado em termos internos do clube, também já foi falado nos bastidores. E existem mais treinadores portugueses na lista. No entanto, o atual treinador do Fulham, que trabalhou com o diretor geral do Benfica, Mário Branco, encontra-se em vantagem.
