Era um dia importante para uns, era um dia crucial para outros. Em Wembley, Manchester City e Chelsea disputavam a final da Taça de Inglaterra em contextos muito distintos, com necessidades muito distintas e fantasmas muito distintos. Ainda assim, tanto citizens como blues tinham uma noção muito clara: conquistar um troféu este sábado servia como balão de oxigénio para o que ainda falta da temporada, para o verão e para o início da próxima.
Do lado do Manchester City, com a Premier League ainda em cima da mesa, conquistar a Taça de Inglaterra era juntar um troféu à Taça da Liga resgatada em março e manter o sonho da hegemonia interna. “Já estive em Wembley muitas vezes, é verdade. Tanto com o Barcelona, quando ganhei a primeira Liga dos Campeões [1992], como enquanto treinador. Muitas vezes desde que estou no City, em meias-finais e finais. Ganhámos, perdemos, perdemos, ganhámos. Estamos desesperados para jogar bem. Faremos o que tivermos de fazer, tendo em conta que vamos enfrentar uma equipa como o Chelsea”, disse Pep Guardiola, que entre jogador e treinador levava a 23.ª presença em Wembley e estava na quarta final consecutiva da Taça de Inglaterra, sendo que perdeu as últimas duas.
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Do lado do Chelsea, que tem o apuramento para as competições europeias cada vez mais dificultado através da Premier League, conquistar a Taça de Inglaterra era oferecer uma espécie de silver lining a uma época com dois treinadores despedidos e um sem fim de desilusões. “É uma grande ocasião, é um privilégio gigante liderar um clube tão grande num jogo tão importante. Estamos muito ansiosos. Seria muito positivo ganhar este jogo, garantir a Europa e conquistar um troféu, que é aquilo por que este clube é conhecido. E esta equipa já mostrou este ano que, apesar das dificuldades, consegue ter exibições muito boas contra a elite da Europa, a elite da Premier League”, atirou Calum McFarlane, o interino que vai conduzir a equipa até ao fim da temporada.
Ora, neste contexto e depois da vitória clara contra o Crystal Palace a meio da semana, Pep Guardiola lançava Jérémy Doku, Marmoush e Semenyo no apoio a Haaland, com Bernardo e Matheus Nunes a serem ambos titulares e Rúben Dias, já recuperado, a começar no banco. Já Calum McFarlane apostava naturalmente em João Pedro como referência ofensiva, com Cole Palmer, Enzo Fernández e Marc Cucurella nas costas, enquanto que Pedro Neto e Dário Essugo eram ambos suplentes.
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Numa primeira parte que terminou sem golos e não teve grandes oportunidades, o Manchester City começou melhor e dominou o quarto de hora inicial, empurrando o Chelsea para o próprio meio-campo. Os blues só respondiam em lances de transição rápida, tentando aproveitar o espaço que podia aparecer nas costas da defesa dos citizens, mas a organização defensiva da equipa de Pep Guardiola também não permitia grandes aventuras.
Haaland protagonizou um dos primeiros lances com finalização, atirando ao lado depois de um roubo de bola de Doku perto da grande área (23′), e pouco depois conseguiu mesmo marcar, mas a jogada foi rapidamente anulada por fora de jogo de Matheus Nunes, que tinha feito a assistência (27′). O avançado norueguês ainda obrigou Robert Sánchez a uma boa defesa, na sequência de um remate forte depois de um ótimo passe de Doku (44′), mas nada mudou até ao fim da primeira parte e Manchester City e Chelsea chegaram ao intervalo da final da Taça de Inglaterra ainda empatados sem golos.
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Pep Guardiola mexeu logo no início da segunda parte, trocando Rayan Cherki por Marmoush, e o Manchester City poderia ter marcado logo nos primeiros minutos através de um cabeceamento de Semenyo que passou por cima após cruzamento de Nico O’Reilly na esquerda (47′). Ainda assim, o Chelsea parecia melhor depois do intervalo, encurtando espaços e mantendo uma pressão ao portador da bola que não permitia praticamente nada aos citizens, sem precisar de muitos passes para se aproximar com perigo da baliza de James Trafford.
Guardiola fez a segunda substituição já depois da hora de jogo, lançando Kovacic no lugar de Rodri, mas o City continuava sem qualquer capacidade para quebrar a resistência defensiva do Chelsea, que não criava oportunidades mas também não as concedia. A dada, porém, a individualidade superou o coletivo: Bernardo abriu em Haaland na direita, o norueguês cruzou e Semenyo, com um toque delicioso de calcanhar, abriu o marcador (71′).
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Calum McFarlane reagiu com a primeira alteração, colocando Pedro Neto já depois de Enzo Fernández ficar perto do empate com um desvio por cima na área (74′), e os blues assumiram claramente as despesas do jogo para ir atrás do resultado. Pedro Neto atirou cruzado na área para James Trafford defender (80′), Matheus Nunes ficou perto de aumentar a vantagem mas acertou no poste (84′) e Cherki também atirou para boa defesa de Robert Sánchez (85′), numa partida que foi ficando tendencialmente mais caótica e aberta.
Alejandro Garnacho e Liam Delap ainda entraram, mas já nada mudou. O Manchester City venceu o Chelsea em Wembley e conquistou a Taça de Inglaterra pela oitava vez, igualando o registo de Chelsea, Tottenham e Liverpool, juntando o troféu à Taça da Liga enquanto ainda luta pela Premier League. Num dia em que Pep Guardiola voltou a uma das suas casas, valeu um calcanhar de ouro para manter os dois pés no chão.
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