Afonso Eulálio sobreviveu ao temível Blockhaus e chegou ao fim de semana vestido de rosa. A primeira chegada em alto da Volta a Itália trouxe o primeiro grande teste entre os favoritos e, nessa perspetiva, Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) foi o grande vencedor do dia, carimbando o favoritismo com uma grande exibição na alta montanha, tendo feito os últimos cinco quilómetros do Blockhaus em solitário. O dinamarquês acabou por bater Felix Gall (Decathlon CMA CGM) e saltou para o segundo posto da geral, atrás do português da Bahrain-Victorious que, apesar de ter descolado a cerca de seis quilómetros do alto, conseguiu minimizar as perdas com o importante contributo de Damiano Caruso e chegou ao fim de semana com mais de três minutos de vantagem para o canibal.
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“Conseguimos fazer o mais importante, que era manter a camisola. Claro que não consegui estar com os melhores trepadores, mas já sabíamos que ia ser difícil. A subida era bastante dura, depois de um dia muito longo. Tentámos salvar o dia com as menores diferenças possíveis. A equipa fez um trabalho perfeito durante os 250 quilómetros. Na subida tive o Damiano [Caruso] a ajudar, o que acabou por ser perfeito, porque a subida, além de dura, tinha muito vento. Já sabíamos o que ia acontecer, o Jonas é o principal favorito a vencer a Volta a Itália e, mais tarde ou mais cedo, vai vestir de rosa quando quiser. Resta-me sobreviver e dar tudo para chegar ao dia de descanso com a camisola rosa. Depois é ver o que podemos fazer no contrarrelógio, mas aí já vai ser praticamente impossível”, explicou o figueirense no final da etapa de sexta-feira.
“Estou extremamente feliz pela vitória. Foi um dia super bom. A equipa trabalhou o dia todo por mim e, obviamente, estou muito feliz por poder retribuir. Foi uma subida difícil. Fiz uma subida bastante decente. Mais uma vez, estou muito feliz por conseguir vencer aqui. Agradeço aos meus companheiros de equipa e estou feliz por poder retribuir com a vitória. O Felix [Gall] é um ciclista muito forte e mostrou isso de novo hoje [sexta-feira]. Já mostrou isso várias vezes este ano e esteve lá em cima hoje. Isso não é surpresa. Acho que estou em ótima forma, mas o Giro é longo e você tens que te manter focado todos os dias. Hoje foi a primeira verdadeira batalha pela classificação geral e, obviamente, todas as batalhas são importante. É sempre bom ganhar. Amanhã [sábado] vamos ter algumas subidas bastante íngremes e, no domingo, teremos uma chegada em alto novamente. É preciso ter cuidado no fim de semana que se aproxima”, assumiu Vingegaard, que bateu o recorde do Blackhaus, que pertencia a Nairo Quintana (Giro-2017), em mais de minuto e meio.
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Para este sábado estava reservada a tradicional etapa dos muros do Giro d’Italia, com os primeiros 95 quilómetros a servirem de preparação para o que estava pela frente, que começava com a subida de Montefiore d’Aso (9,9 quilómetros a 3,6%). Seguia-se o Monterubbiano (4,7 quilómetros a 5,8%), a colina de Fermo que, apesar de não ser categorizada, tinha 3,3 quilómetros a 4,9%, e o quilómetro Red Bull no Muro del Ferro (540 metros a 11,1%), a 25 quilómetros da meta em Fermo. Nos últimos dez quilómetros, os ciclistas tinham ainda que passar pelo Capodarco (2,5 quilómetros a 6%, com os últimos 900 metros a 7,8%) e a derradeira subida para a meta (um quilómetro a 6,4%), com o Muro di Via Reputolo a ter 770 metros a 13,5%, e rampas de 22%.
O início da tirada ficou marcado pelos muitos ataques e por uma queda que atirou Fabio Christen (NSN) para fora da corrida, com o suíço a ter de ser retirado de maca. Com uma velocidade média bem acima dos 51 quilómetros na primeira hora, Bahrain e Visma dificultaram bastante a formação da fuga, que contou com 25 elementos, já depois de Jake Stewart ter abandonado e de o pelotão se ter cortado, deixando Vingegaard atrasado. A 52 quilómetros do fim, Giulio Ciccone (Lidl-Trek) tentou sair do pelotão, mas Afonso Eulálio respondeu de pronto e anulou o ataque do italiano que correu perto de casa. Mikkel Bjerg e Jhonatan Narváez (UAE Team Emirates-XRG), juntamente com Andreas Leknessund (Uno-X Mobility) ficaram sozinhos na dianteira e fizeram a aproximação às subidas do final.
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Já dentro dos últimos dez quilómetros, Narváez isolou-se na frente de corrida, ainda que Leknessund não tenha desarmado até ao fim. No pelotão, a Visma continuava a impor o ritmo, deixando Gall em dificuldades na rampa de 22%. No momento em que o equatoriano carimbava o seu segundo triunfo nesta Volta a Itália, Eulálio metia o grupo em sentido com um ataque que obrigou Vingegaard a fechar o espaço. Nos derradeiros 300 metros, Jai Hindley (Red Bull-Bora-hansgrohe) atacou com Vingegaard, o português respondeu com Egan Bernal (Netcompany), mas os dois perderam dois segundos. Nas contas da etapa, Leknessund consumou o segundo lugar, ao passo que Martim Tjotta (Uno-X) foi terceiro. Na geral, Afonso Eulálio vai partir para a última etapa da primeira semana com 3.15 minutos de vantagem para Jonas Vingegaard e 3.34 face a Felix Gall.
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